Projeto da USP vai ensinar computação a jovens de baixa renda

Projeto Paideia, do Laboratório de Sustentabilidade da Poli, busca aumentar a empregabilidade de ao menos 25 jovens que farão parte da primeira turma do curso

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Foto: Assessoria de Comunicação da Poli
No Paideia, há a sala Acervo Técnico, onde fica a exposição dos equipamentos de informática e telecomunicações, como computadores dos anos 1980 – Foto: Assessoria de Comunicação da Poli

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A gente só consegue transformar as pessoas, para as coisas melhorarem, se a gente educá-las 

É dessa forma que a professora Tereza Cristina Carvalho explica as intenções do Projeto Paideia. O projeto, que deve se iniciar em março, tem como objetivo mais concreto aumentar a empregabilidade de ao menos 25 jovens de baixa renda, que farão parte da primeira turma. Coordenadora geral do Lassu, o Laboratório de Sustentabilidade da Escola Politécnica (Poli) da USP vinculado ao Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais (PCS), Tereza também encabeça o Paideia, que encontra-se em fase de organização e financiamento.

Foto: Assessoria de Comunicação da Poli
Projeto vai oferecer 25 vagas – Foto: Assessoria de Comunicação da Poli

Planejado para ter a duração de dois semestres letivos, o projeto surgiu da percepção de que existe um déficit de profissionais na informática, especialmente na área de programação.

O curso, que terá carga horária de 360 horas e dará um certificado de Curso de Difusão da USP para os concluintes, é organizado igualmente em três “trilhas”: sustentabilidade e inovação empresarial, com atenção especial também para questões de ética, matemática financeira e orientação profissional; computação e conectividade, em que os alunos aprenderão noções de Tecnologia da Informação (TI) e montagem e configuração de computadores; e programação, com foco na linguagem Python.

O processo de seleção para o Projeto Paideia deve começar em janeiro. Segundo Tereza, a ideia é selecionar estudantes de baixa renda, que cursem a partir do segundo ano do ensino médio ou que tenham se formado recentemente, com idade entre 16 e 20 anos. Além da faixa etária e da renda familiar, o único pré-requisito é ser residente da Grande São Paulo.

Foto: Assessoria de Imprensa da Poli
Uma das salas do Espaço Paideia – Foto: Assessoria de Imprensa da Poli

Os candidatos a uma das 25 vagas passarão por um processo de seleção dividido em três fases: uma prova escrita, que visa essencialmente a avaliar as motivações do jovem em relação ao curso, uma entrevista pessoal com os candidatos e, por fim, uma entrevista com a família dos estudantes. Segundo a professora, a terceira fase parte da experiência de outros projetos similares.

“De manhã, o jovem vai para a aula, e de tarde a família quer que ele trabalhe. Precisamos explicar para essa família que ao fazer esse curso esse jovem vai aumentar a sua empregabilidade. Precisa ter um certo aval familiar. Teremos uma psicóloga que vai ajudar nessa fase de entrevistas”, explica Tereza.

Doações de pessoas e empresas

Além das aulas semanais, os alunos receberão auxílio para alimentação e transporte, camisetas e jalecos para uso nas salas de aulas, um kit de ferramentas para montagem e desmontagem de equipamentos e apostila com o conteúdo das aulas. A ideia é que esse custo — que, segundo a coordenadora do Lassu, deve chegar a R$ 7 mil por aluno — seja integralmente pago por pessoas físicas, que podem fazer doações de qualquer valor ao projeto, ou por empresas parceiras.

Divididas em três categorias, de acordo com a quantidade de bolsas financiadas, Mentor do Saber, Mestre do Saber e Doutor do Saber, as empresas apoiadoras receberão contrapartidas do programa, como a possibilidade de selecionar alunos do curso para trabalharem na empresa.

Para Tereza, a primeira turma do curso servirá como uma experimentação. Primeiro, da receptividade do mercado aos alunos; segundo, das dificuldades que os jovens de baixa renda enfrentarão ao participar de um curso sobre programação e microinformática. “Teremos crianças com bagagens bastante heterogêneas, por isso haverá aulas de motivação, por exemplo. A ideia é fazer o curso da forma mais integrada possível”, explica a professora.

Quais os benefícios de ser um parceiro?

  • Inserção do logo da empresa em material de divulgação da USP
  • Camisetas e uniformes dos alunos com logo da empresa
  • Uso do selo (Cobre, Prata ou Ouro) em material de divulgação da própria empresa
  • Atestado de Parceiro do Projeto Paideia USP
  • Possibilidade de seleção de alguns dos melhores alunos para trabalharem na empresa
  • Possibilidade de ter funcionários como monitores do projeto
  • Possibilidade de apresentação de palestra em eventos do Lassu 

Contato: (11) 3091-1092
http://www.lassu.usp.br/paideia/

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Eco-Eletro

O Projeto Paideia não é a primeira iniciativa com responsabilidade social promovida pelo Laboratório de Sustentabilidade da Poli. Em 2011, em seu segundo ano de funcionamento, o Lassu criou o Eco-Eletro em parceria com o Instituto GEA – Ética e Meio Ambiente. O projeto, patrocinado pelo Programa Petrobras Desenvolvimento & Cidadania, tinha como objetivo capacitar cooperativas no tratamento de Resíduos de Equipamentos Eletro-Eletrônicos (REEE), protegendo-os de materiais tóxicos, como o chumbo.

O curso, que foi planejado para ter duração de duas semanas, com 60 horas de aula, tinha em sua grade curricular orientações sobre o uso de EPIs (equipamentos de proteção individual), questões de saúde, aulas sobre como desmontar os computadores, além de ensinar sobre planos de negócios para os catadores. Segundo Tereza, o Lassu formulou a iniciativa sem grandes expectativas, mas os catadores participantes surpreenderam e o resultado foi tão positivo que o projeto foi renovado para mais um triênio, que durou de 2014 até 2016.

Os catadores, que antes do projeto vendiam os resíduos como sucata e recebiam cerca de 25 centavos por quilo de material, otimizaram o seu trabalho e passaram a receber em média três reais por quilo, 11 vezes mais do que inicialmente. Devido ao seu sucesso, o Eco-Eletro foi replicado em outras seis universidades do País, como a UFMG e a Ufes, repercutindo inclusive na grande mídia.

Espaço Paideia

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O vice-reitor, Vahan Agopyan, a professora Tereza e Ronaldo Stabile, diretor comercial da empresa Recicladora Urbana, na inauguração do Paideia – Foto: Assessoria de Imprensa da Poli

O Espaço Paideia foi inaugurado no dia 22 de novembro na sede do Lassu, na Cidade Universitária, em São Paulo. Reformado em parte com um aporte de cerca de R$ 130 mil concedido pela Recicladora Urbana através do Programa Parceiros da Poli, o local receberá as aulas do programa de mesmo nome. Dividido em três ambientes, o espaço tem uma sala de aula com capacidade para 40 estudantes, um espaço com sofás destinado à “discussão e troca de ideias” e um Acervo Técnico, que conta com equipamentos de informática em exposição. O evento, que contou com a presença do vice-reitor e professor da Poli Vahan Agopyan, teve como principal objetivo atrair apoiadores para o Projeto Paideia.

No Acervo Técnico ficará a exposição dos equipamentos de informática e telecomunicações, como computadores dos anos 1980, algumas das primeiras versões de laptops e celulares, entre outros. Os equipamentos vêm sendo reunidos desde 2009, a partir de materiais recebidos pelo Centro de Reúso e Descarte de Equipamentos de Informática (Cedir) da USP.

“Esperamos que esse espaço seja um embrião de um acervo maior, que sirva de referência em informática. Estamos fazendo chamadas para pedir às pessoas a doação de peças antigas”, afirma a professora Tereza.

“Queremos ampliar esse acervo com equipamentos de rede e de armazenagem. Quem nos visita, gosta de ver o acervo, que mostra um pouco da história da informática e da evolução da tecnologia”, complementa. Para obter informações sobre como doar equipamentos ou para visitar o acervo, entre em contato com o Lassu, pelo telefone (11) 3091-1092.

 

 

 

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