Encontro mostra práticas para renovar o ensino

USP-Escola promoveu atualização de professores de diversas disciplinas do ensino fundamental e médio

Por - Editorias: Universidade
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Oficinas de calesdoscopio, disco de newton, cromotografia durante o 13º Encontro USP - Escola realizado no Instituto de Física . Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
Oficinas de calesdoscopio, disco de newton, cromotografia durante o 13º Encontro USP-Escola – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Recursos multimídia para as aulas de química orgânica, uso de games no ensino de ciências e roteiros em museus para aprender fora da escola. O trabalho de quem leciona no ensino fundamental e médio pode ser enriquecido com práticas e abordagens diversas que ajudem a dar conta das demandas da sala de aula. Para promover a troca de experiências e atualizar estes profissionais, acontece desde 2007 o Encontro USP-Escola, uma semana inteira de cursos gratuitos envolvendo várias disciplinas.

A edição deste ano, realizada entre os dias 16 e 20 de janeiro, trouxe, pela primeira vez, cursos voltados à área de humanas, que eram pedidos constantemente pelos participantes. Outra novidade foi o curso de educação especial, que também tinha demanda alta, devido à dificuldade relatada pelos professores em promover a inclusão adequada de crianças com dificuldades motoras e intelectuais.

Daiana Barone (aluna do IF) orientando a professora de Portugues Cassia Caetano no 13º Encontro USP - Escola realizado no Instituto de Física . Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
Daiana Barone (aluna do IF) orientando a professora de português Cassia Caetano – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Os já conhecidos cursos com experimentos de física continuam a ser solicitados, já que as escolas estaduais não costumam ter laboratórios com muitos recursos – é importante para os professores, portanto, aprender a fazer experimentos com materiais simples, como garrafas pet. “Além disso, é importante que os professores aprendam a discutir os experimentos com os alunos, porque eles não veem isso durante a licenciatura”, diz Vera Bohomolets Henriques, professora do Instituto de Física (IF) da USP e coordenadora do Encontro USP-Escola.

Além de participar da organização, Vera ministrou o curso Metacognição no Ensino participativo: Uma abordagem para o estudo do calor, que promove montagem de atividades interativas on-line e gravação e edição de vídeos que envolvem o tema.

Daiane Barone, aluna do IF e participante do projeto Arte e Ciência no Parque, foi uma das monitoras do curso Espaços de educação não-formal: limitações, possibilidades e desafios, cuja proposta era apresentar ações educativas em espaços de educação não-formal, como é o caso dos museus, e mostrar a importância da preparação prévia do professor. Além de discussões conceituais, os participantes elaboraram roteiros de visitas para levar seus alunos a usufruir de espaços públicos de cultura.

De acordo com Daiane, o objetivo é que os professores aprendam e levem para os estudantes os experimentos discutidos durante o projeto. E é o que pretende fazer Cássia Caetano, que ministra português em uma escola estadual de São Paulo e dá aula para jovens e adultos. “Eu vou levar experiências que não precisam de tantos recursos como, por exemplo, o caleidoscópio feito com uma régua”, conta a professora, que ficou sabendo do encontro por meio de uma amiga que fez o curso no ano anterior.

Curso O REGIME MILITAR BRASILEIRO E O ENSINO DE HUMANIDADES durante o 13º Encontro USP- Escola realizado no Instituto de Física . Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
Aula do curso “O Regime militar brasileiro e o ensino de humanidades” – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

De acordo com a coordenadora do evento, a diferença em dar aula para professores é que eles têm a experiência da sala de aula e conhecem as dificuldades de aprendizado e diálogo com os alunos. “É um conhecimento que os teóricos chamam de ‘conteúdo pedagógico’ e que muitas vezes não é valorizado na própria formação. O conhecimento prático pode ser comparado com o caso dos médicos: ninguém imagina um profissional que se forme só na sala de aula; ele tem que ir para o hospital, laboratório e UTI para trabalhar junto com os outros médicos e aprender. É completamente diferente eu saber bem física e eu me comunicar com jovens e fazê-los pensar física”, afirma.

Além do Instituto de Física da USP, participam do evento o Instituto de Química (IQ), o Instituto de Ciências Biomédicas (ICB), a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), a Escola de Comunicações e Artes (ECA), a Faculdade de Educação (FE), o Museu de Arte Contemporânea (MAC), o Instituto de Geociências (IGc), a Estação Biologia, o Museu de Anatomia Veterinária, o Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE), o projeto Arte & Ciência no Parque e o Instituto Butantan.

A organização do USP-Escola é feita por um Grupo de Trabalho (GT) constituído por professores da rede estadual e educadores da USP que buscam os cursos que mais interessam e as pessoas que possam ministrar essas aulas. “Ao final de todo evento, o GT faz um levantamento de interesse e satisfação dos professores para ter ideias dos temas com os quais os professores estão mais preocupados no momento”, explica Vera Bohomolets Henriques. “Esses cursos não são só de atualização de conhecimento. Também é promovido o pensamento em conjunto de como ocorrerá a transformação do ensino na sala de aula”, conclui Vera.

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