Para Fapesp, pesquisa paulista deve gerar mais impacto social, econômico e intelectual

Na USP, diretor científico da agência de fomento falou sobre o sistema de pesquisa do estado de São Paulo

Por - Editorias: Universidade
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Foto: Ernani Coimbra/USP
Encontro discutiu o sistema de pesquisa do estado de São Paulo | Foto: Ernani Coimbra/USP

Em 2015, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) analisou 25,9 mil pedidos de recursos financeiros para estudos científicos em instituições sediadas no estado. Desse total, cerca de 40% foram aprovados. Mas quais são as diretrizes da política de financiamento de uma das maiores agências de fomento à pesquisa científica do Brasil? Segundo o diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz, a escolha dos projetos é baseada no desafio de se obter mais impacto com a ciência produzida em São Paulo.

O professor esteve na Escola Politécnica (Poli) da USP na última quarta-feira, dia 29 de junho, para uma apresentação aos integrantes dos Conselhos de Pós-Graduação e de Pesquisa, além de dirigentes da USP. A proposta do encontro foi expor aos conselheiros responsáveis por desenvolver as políticas científicas da Universidade a expectativa da Fapesp em relação ao sistema de pesquisa do estado de São Paulo. A USP é a instituição que mais recebe financiamento da Fapesp. No ano passado, a agência de fomento investiu quase R$ 1,2 bilhão em pesquisa, e aproximadamente 42% desse recurso foram destinados aos pesquisadores da Universidade.

De acordo com o diretor científico, é importante que as pesquisas financiadas pela Fapesp gerem impacto na sociedade, que pode ser dividido em três categorias: impacto social, econômico e intelectual. “É o efeito que se espera de financiar pesquisa com o dinheiro do contribuinte. Não quer dizer que cada projeto de pesquisa tenha que fazer as três coisas, mas é bom que se faça pelo menos o impacto intelectual”.

Foto: Ernani Coimbra/USP
Reitor Marco Antonio Zago | Foto: Ernani Coimbra/USP

O social está relacionado às ideias que afetam políticas públicas; o econômico, a propostas que criem empresas e aumentem sua competitividade, além de formação de novos setores industriais; já a questão intelectual está baseada em ideias que façam a sociedade mais sábia, que sejam citadas pela literatura e que criam mais ideias.

Para aumentar o impacto intelectual da ciência feita no Brasil, o diretor científico da Fapesp defendeu a adoção de uma série de ações. Um exemplo é proteger o tempo do pesquisador contra tarefas extracientíficas a partir de apoio institucional, além de desenvolver cooperação internacional, aumentar a visibilidade e impacto de revistas brasileiras e estimular uma ciência mais ousada.

Brito Cruz ressalta que grande parte desses impactos não é possível medir. É o caso da descoberta de uma técnica para melhorar o diagnóstico de doenças em um hospital. “Muitas vezes, os hospitais universitários ou ligados às universidades deixam de contabilizar que certo tratamento médico melhorou com um projeto de pesquisa. E precisamos contabilizar isso, principalmente nesta época, quando as universidades estão sendo cercadas e cobradas pela sociedade”.

Utilidade prática

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Diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz defendeu a ciência básica | Foto: Ernani Coimbra/USP

Nem toda pesquisa, necessariamente, tem uma aplicação prática imediata no cotidiano das pessoas. Um estudo pode servir de embasamento para outras pesquisas – a chamada ciência básica. No entanto, segundo o diretor científico da Fapesp, há um movimento, no Brasil e no mundo, buscando a “utilitarização” das pesquisas científicas, ou seja, a noção de que deve se privilegiar apenas estudos que necessariamente tenham aplicação prática.

“Logo depois da Segunda Guerra Mundial, por um período de 30 a 40 anos, a sociedade norte-americana e de diversos países aceitou a ideia de que a ciência traz bons resultados. Mas depois dos anos 1990, eles começaram a por em dúvida a capacidade do cientista de escolher os rumos da ciência, acreditando que alguém precisa dizer para os cientistas o que é prioritário, e isso está rodando no mundo, no Brasil e no estado de São Paulo”, critica Brito Cruz.

Para o reitor da USP, Marco Antonio Zago, “a Fapesp deve se manter dentro das perspectivas que foi criada trazendo recursos para projetos de pesquisa e não instituições específicas, não se pode classificar se uma instituição é boa ou não, mas projetos sim”.

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