Os riscos de avaliar uma universidade por classificações

Na opinião de especialistas, rankings devem ser encarados com cautela na definição de estratégias para as instituições

Por - Editorias: Universidade
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Produzir trabalhos de impacto, estimular a internacionalização e ter uma boa reputação entre acadêmicos são, sem dúvida, objetivos que universidades de todo o mundo podem almejar. Mas o que especialistas alertam é que subir nos rankings, por si só, não deve ser um fim, não só porque essas avaliações são incompletas, mas também por não ser esse um propósito das instituições de ensino superior.

“Embora os rankings internacionais exerçam certo fascínio sobre gestores e formuladores de políticas, é importante agir com muita cautela quando se trata de implementar estratégias visando a impulsionar as universidades nessas classificações internacionais”, pondera a coordenadora de Produção e Publicação da SciELO, Solange Maria dos Santos. A pesquisadora observa que muitos países asiáticos têm se voltado para esse objetivo, com metas, reestruturações e investimentos massivos em seus sistemas universitários.

Em gestões anteriores, a USP já chegou a utilizar o desempenho nos rankings como critério para conceder uma gratificação em dinheiro a docentes e servidores, como forma de reconhecer a contribuição para a excelência institucional.

O aperfeiçoamento das universidades, segundo Solange, não está em modificar o valor de um indicador para melhorar seu posicionamento em um determinado ranking, mas em promover práticas e culturas que melhorem seu desempenho frente à sua missão institucional, fundamentada no tripé ensino, pesquisa e extensão. O que não significa que os resultados expostos pelos rankings devam ser ignorados por completo. Para o professor do Departamento de Informação e Cultura da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, Rogério Mugnaini, qualquer indicador pode servir como um parâmetro, desde que analisado dentro de um contexto adequado. “Uma vez que se identifique o desempenho em determinada dimensão, é necessário fazer análise mais minuciosa, com dados que a própria universidade pode levantar”, considera.

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Rogério Mugnaini, professor da ECA-USP

 

Internacionalizar é preciso?

Evento de recepção de alunos estrangeiros na USP- Foto: Divulgação/FE-USP
Evento de recepção de alunos estrangeiros na USP- Foto: Divulgação/FE-USP

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Quando se fala em pesquisa de impacto, a questão da internacionalização é quase sempre um imperativo. Isso porque as colaborações com cientistas de outros países impulsiona as publicações, mas não só. Alunos e professores de fora trazem consigo novas práticas, culturas e ideias que enriquecem a formação e vivência de toda a comunidade universitária. É o que lembra o pró-reitor de Pós-Graduação da USP, Carlos Gilberto Carlotti Jr.

Várias políticas, nesse sentido, vêm sendo adotadas na Universidade. O incentivo às disciplinas que tenham ementas e que sejam ministradas em inglês é um exemplo, assim como editais para trazer docentes do exterior.

O que o reitor da USP ressalta é a necessidade de ter uma visão local: o que significa para os estudantes da USP a internacionalização? “Do meu ponto de vista, é que eles tenham a capacidade de compreender e falar inglês, porque é a língua de comunicação universal neste momento. E se nossos estudantes não dominarem o inglês, eles terão desvantagens em relação aos outros”, responde. Dados da Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional (Aucani) mostram que 32 mil alunos da USP estão cursando inglês.

Nos rankings globais, um dos indicadores utilizados para medir a internacionalização é a proporção de alunos e professores estrangeiros na instituição. Zago questiona que, se a USP quisesse, poderia fazer uma “política maluca” e aumentar, por exemplo, para 30% o número de estudantes estrangeiros na Universidade. “Isso seria bom? Não, não seria bom, porque ele viria estudar de graça às custas do cidadão paulista, dos impostos paulistas. Isto só é bom para as universidades estrangeiras que cobram dos alunos estrangeiros. Na Universidade de Yale, por exemplo, eles têm muitos estudantes estrangeiros, porque cada um deles paga 60 mil dólares por ano para estudar lá”, argumenta.

Para o vice-diretor do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, Guilherme Ary Plonski, devemos nos preocupar menos com a posição nas classificações e com rótulos e mais com outra questão: “Por que não realizamos todo o imenso potencial que a USP tem, aproveitando ao máximo a elevada credibilidade que nos resta e os expressivos recursos que a sociedade paulista anualmente nos aporta?”.

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Colaboraram: Hérika Dias, Júlio Bernardes e Luiza Caires

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