Novo superintendente do Hospital Universitário nomeado nesta sexta

Luiz Garcez Leme tem como missão definir estratégias para a perenidade do HU

Fachada do Hospital Universitário – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

A partir desta sexta, dia 2 de março, o Hospital Universitário (HU) da USP tem novo superintendente: o professor Luiz Eugênio Garcez Leme, da Faculdade de Medicina (FM) da USP. Garcez substitui o professor Edmund Chada Baracat, também da FM, nomeado superintendente pro-tempore no início da atual gestão. Uma das primeiras missões do novo dirigente será montar uma comissão que proporá soluções para o hospital, a ser composta de professores da FIA, Fipe e Faculdade de Medicina. Com isso, a Reitoria da USP demonstra seu empenho em analisar a fundo a questão do HU e definir estratégias que garantam a perenidade da unidade.

Inaugurado há 36 anos, o Hospital Universitário da USP, mais conhecido como HU, é um hospital-escola regionalizado e integrado ao Sistema Único de Saúde (SUS). Localizado no campus da USP no Butantã, zona oeste de São Paulo, presta assistência médica de complexidade secundária (ambulatórios de especialidades médicas, com procedimentos de intervenção, tratamento de situações crônicas e de doenças agudas) à comunidade de alunos, docentes e funcionários da Universidade e também à população da região, incluindo a comunidade São Remo. Apenas em 2016, realizou mais de 300 mil atendimentos à comunidade USP e quase 5 milhões aos moradores da região, por intermédio do SUS.

Como hospital-escola, sua atividade-fim, reúne sete unidades da USP – Faculdade de Medicina, Faculdade de Saúde Pública, Escola de Enfermagem, Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Instituto de Psicologia, Escola de Artes, Ciências e Humanidades e Faculdade de Odontologia – que nele desenvolvem seus cursos de graduação, pós-graduação e aperfeiçoamento a partir de uma abordagem multidisciplinar. Recebe, anualmente, mais de dois mil alunos, entre graduandos e pós-graduandos.

O atendimento à população da região é uma atividade complementar do HU. Trata-se de uma prestação de serviços de saúde pública à comunidade, cuja procura cresceu significativamente. Para se ter uma ideia, só no pronto-socorro houve aumento de mais de 30% na demanda nos últimos dez anos. Essa maior procura se deu em função da ausência, e até mesmo do fechamento, de outros equipamentos públicos na região. A USP, que respondia inicialmente por 33% do custeio da unidade, hoje, é responsável por 92%.

Com uma área de 36 mil m², o HU abriga leitos, centro cirúrgico, centro obstétrico, UTI de adultos e pediátrica, ambulatórios, anfiteatros e salas de aula.

Histórico

A origem do hospital remonta ao ano de 1968. A FM iniciava uma experiência acadêmica com a implementação de um segundo curso de medicina em suas dependências: o Curso Experimental de Medicina (CEM). Com uma proposta de formação voltada para medicina comunitária e atenção primária, o CEM precisava de uma infraestrutura hospitalar específica. Assim, surgia a ideia de criação do Hospital Universitário. Alguns anos depois, a USP iniciava a construção do edifício, mas o curso foi encerrado antes que o hospital ficasse pronto.

Em 25 de março de 1976, o então governador do Estado de São Paulo, Paulo Egydio Martins, assinou o decreto 7734/76, alterando o Estatuto da USP e instituindo o HU. Isso ocorreu após a aprovação do Conselho Universitário da Universidade, em sessão de 21 de dezembro de 1975, e do Conselho Estadual de Educação, em 10 de dezembro de 1975.

A falta de recursos financeiros ocasionou atraso no início das atividades do hospital, que ocorreu seis anos após o decreto, mais precisamente no dia 6 de agosto de 1981, com o funcionamento do setor de Pediatria. Em dezembro do mesmo ano, o setor de Obstetrícia e Ginecologia iniciou suas atividades. “Essa área começou com a proposta de atendimento à puérpera (mulher que acaba de dar à luz) com alojamento conjunto, ou seja, o bebê ficava num berço ao lado da mãe. Em 1982, nosso serviço foi eleito o alojamento conjunto modelo no Brasil”, lembra o médico Paulo Basto de Albuquerque, que dirigiu a Clínica Obstétrica por 14 anos. Junto ao doutor Mário Macoto Kondo, Albuquerque realizou o primeiro parto normal do Hospital Universitário.

Em janeiro de 1985, foi a vez da Clínica Médica, que engloba desde o atendimento ambulatorial até o atendimento de pacientes graves na terapia intensiva. E em 1986, entrou em funcionamento a Clínica Cirúrgica, completando a estrutura básica do hospital, que se mantém até hoje.

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