Monitoramento hidrológico em Itatinga fornece dados para manejo florestal

Estação experimental da USP em Piracicaba inaugurou nova microbacia para estudar a relação entre floresta e água

Por - Editorias: Universidade
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Calha da microbacia na Estação Itatinga para medir o nível de água – Foto: Reprodução / Esalq

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Em dezembro, foi inaugurada a mais nova microbacia de monitoramento hidrológico na Estação Experimental de Ciências Florestais de Itatinga (EECFI), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP em Piracicaba.

A microbacia ajuda a avaliar os efeitos do manejo florestal sobre os recursos hídricos, em termos do balanço hídrico da microbacia, de variáveis físicas e químicas da água do riacho e do regime de vazão. Desta forma, a premissa básica é a de que a alteração nestes componentes hidrológicos da microbacia pode ser vista como indicador adequado para o monitoramento, de longo prazo, da sustentabilidade ambiental do manejo.

O monitoramento na cidade de Itatinga, interior de São Paulo, teve início em 1990 com a instalação da primeira microbacia do ribeirão Tinga, etapa realizada pelo professor da Esalq Walter de Paula Lima. “O projeto pioneiro no Brasil se expandiu e, atualmente, a EECFI conta com quatro microbacias, quatro poços piezométricos e dois pluviógrafos, todos monitorados continuamente, compondo um Centro de Monitoramento Hidrológico com finalidade de pesquisa, ensino e extensão”, comenta o professor Silvio Ferraz, do Departamento de Ciências Florestais, coordenador do Centro e do Laboratório de Hidrologia Florestal (LHF).

O projeto conta com a parceria da empresa Suzano S. A. que realiza o manejo florestal em parte da área e o Programa Cooperativo sobre Monitoramento e Modelagem de Bacias Hidrográficas (Promab), do Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (Ipef).

Segundo Ferraz, o principal objetivo do Centro de Monitoramento Hidrológico é fornecer informações sobre a relação entre floresta e água que possam subsidiar tomadas de decisões no setor florestal e guiar manejos florestais mais sustentáveis. “Para isso, são monitoradas microbacias com características fisiográficas similares que se diferenciam em relação ao manejo florestal adotado”, explica.

Vista aérea da Estação de Itatinga – Mapa: Reprodução / Esalq (Clique na imagem para ampliar)

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Todas as microbacias apresentam cobertura 100% florestal, com Áreas de Preservação Permanente respeitadas. A microbacia do Tinga, por se encontrar na área experimental da EECFI, apresenta uma floresta plantada com talhões em diferentes idades e espécies, com destaque ao eucalipto e o pinus, caracterizada como um manejo em mosaico.

“Outra bacia, a do Monjolinho, possui florestas plantadas de eucalipto para produção de papel e celulose, em ciclo de cortes de sete anos, caracterizando o manejo convencional do eucalipto”, complementa o coordenador. Já a microbacia do Forquilha está em processo de restauração florestal após o plantio de floresta nativa, realizado no primeiro semestre de 2017 em 60% de sua área, caracterizando um manejo de restauração.

Finalmente, na microbacia da Virada, a mais recente, será iniciado um regime de alto fuste, caracterizando um manejo diferenciado da floresta plantada de eucalipto.

O Centro de Monitoramento de Itatinga deverá ser utilizado pelo grupo de Floresta e Água da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) para a realização de treinamento em monitoramento das relações entre floresta e água. O professor Silvio Ferraz, integrante deste grupo, ressalta que a estação apresenta todas as características para a realização de cursos de capacitação que estão em fase de negociação com a equipe técnica da FAO.

“No futuro, esperamos expandir o monitoramento hidrológico na EECFI totalizando sete microbacias experimentais, assim como construir uma sala de monitoramento e treinamento, onde seja possível visualizar os dados de vazão das microbacias simultaneamente, servindo para o ensino e atividades de extensão em hidrologia florestal, aproximando a ciência da comunidade”, diz Ferraz.

Os investimentos realizados em Itatinga são provenientes de projetos de pesquisa financiados pelo CNPq, Fapesp e projetos em cooperação com o Ipef. Para a construção da sala de monitoramento e adequação da infraestrutura de visitação, o Laboratório de Hidrologia Florestal (LHF) procura parceiros da iniciativa privada com interesse em realizar o investimento na área de pesquisa, ensino e extensão.

“Além dos resultados científicos, o curso de Engenharia Florestal da Esalq ganha com a possibilidade de realização de estágios no local, áreas para desenvolvimento de aulas práticas e novas oportunidades de projetos que se abrem na área de manejo de bacias hidrográficas para os alunos”, conta o professor.

Caio Albuquerque/Divisão de Comunicação da Esalq

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