Medicina: “Objetivo maior do que aquilo que pensamos”

Um dos fundadores do Centrinho, Tio Gastão conta um pouco da história do hospital

Por - Editorias: Universidade
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Professor José Alberto de Souza Freitas (Tio Gastão), um dos sete fundadores e ex-superintendente do HRAC – Foto: arquivo HRAC/Centrinho

Em conversa realizada por telefone neste mês de junho, o professor José Alberto de Souza Freitas (conhecido como Tio Gastão), um dos sete fundadores e ex-superintendente do HRAC, fala sobre a origem da instituição, pontos-chave dessa trajetória de sucesso e o que representam esses 50 anos do hospital. Aposentado desde 2012, Tio Gastão vive hoje com a família em Brasília (DF).

Como teve início o trabalho do HRAC/Centrinho? O que se buscava resolver na época, em 1967?

Na verdade, estávamos concentrados na população escolar de Bauru, inicialmente, quando foi identificada por meio de estudo a incidência de fissura em uma a cada 650 crianças nascidas. Ninguém tinha noção da dimensão da problemática em nível nacional. A partir daí, no dia a dia, passou a ser construído o que se tornou o Centrinho, hoje uma referência nacional e internacional.

Começamos então procurar resolver os casos diagnosticados na pesquisa. Foi quando se verificou que esses pacientes tinham outros comprometimentos secundários – dificuldade de fala, alteração no crescimento maxilomandibular – e que necessitavam de intervenção de uma equipe multidisciplinar, das várias especialidades da odontologia, bem como de outras áreas da saúde. Assim começou o atendimento e também a disseminação do trabalho que realizávamos, uma mãe falando para outra.

E como continuou a trajetória do hospital? Quais foram os pontos-chave que permitiram o desenvolvimento do HRAC?

Foi a sensibilidade das diretorias da Faculdade de Odontologia de Bauru [inicialmente nas gestões dos professores Paulo de Toledo Artigas (1960-1970), Luiz Ferreira Martins (1970-1974), Paulo Amarante de Araújo (1974-1978) e Luiz Casati Alvares (1978-1982)] e o apoio dos reitores da Universidade de São Paulo que permitiram ao Centrinho crescer. Primeiro, com a destinação de área nas dependências da faculdade para a implantação inicial, com seis salas, para atendimento médico, odontológico, da fonoaudiologia, psicologia, além de laboratório de prótese. Depois, com a destinação de recursos para a construção da primeira unidade do Centrinho, que tinha o formato da letra M, de mãe. Na época, contamos com o apoio de várias entidades para hospedar os pacientes que chegavam a Bauru para atendimento. Posteriormente, com a possibilidade de contratação de profissionais, e assim o hospital foi crescendo.

Com o tempo [no fim da década de 1980], passou-se a diagnosticar outros tipos de comprometimentos e que tipo de atenção deveria ser dada para solucionar esses casos. Foi aí que se iniciou o atendimento em saúde auditiva, implante coclear, em síndromes, com equipes especializadas e com o apoio, além da Universidade, do Ministério da Saúde e da Secretaria de Saúde do Estado, que permitiu a aquisição de próteses auditivas e implantes e a atuação na área craniofacial.

Para o senhor, qual o significado desses 50 anos de trabalho da instituição?

A importância de um trabalho em equipe, em que todos pensam no paciente da mesma maneira e em que todos somos iguais. Todos são importantes para que o sucesso na reabilitação seja alcançado, desde a mais simples função até a mais complexa.

E a continuidade do trabalho, após minha aposentadoria [tendo assumido a Superintendência, por um período, o doutor João Henrique Nogueira Pinto e a doutora Regina Célia Bortoleto Amantini], e agora com a professora Maria Aparecida Machado, que também iniciou sua carreira dentro do Centrinho, como profissional da área de Odontopediatria, que tem a mesma filosofia e hoje busca alcançar os objetivos dessa estrutura que está aí, inclusive travando uma luta pela Faculdade de Medicina, um sonho antigo da comunidade bauruense.

Que mensagem o senhor gostaria de deixar a todos nesse marco tão especial?

Eu só quero, realmente, agradecer: àqueles que confiaram e ajudaram no passado e aos que no presente continuam a missão iniciada em 1967 e constroem o futuro, com um trabalho entrosado. A todos, nossa profunda gratidão, nossa fé no trabalho daqueles que estão à frente da instituição hoje – que a têm conduzido de uma maneira extremamente gratificante – e no contínuo desenvolvimento do Centrinho. O futuro? A grande meta é a Faculdade de Medicina, luta à qual a professora Maria Aparecida está totalmente voltada e dedicada. Essa conquista será uma imensa alegria e uma vitória de toda a comunidade bauruense e da equipe como um todo, que continua seu trabalho e com objetivos até maiores do que aquilo que pensamos.

Da Assessoria de Comunicação do Centrinho

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