Jurista e intelectual, Celso Lafer dedicou 40 anos à docência na USP

Ex-ministro recebeu, no dia 2 de abril, o título de Professor Emérito da Faculdade de Direito

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Celso Lafer recebeu o título de Professor Emérito das mãos do diretor da Faculdade de Direito, Floriano Peixoto de Azevedo Marques Neto – Foto: USP Imagens

“Há dias que se compõem de muitos dias”, diz o Padre Antonio Vieira em um de seus celebrados sermões. O trecho foi lembrado por Celso Lafer para falar sobre o percurso que o levou até a noite da última segunda-feira, 2 de abril, quando a quase bicentenária Faculdade de Direito (FD) da USP abriu as portas de seu Salão Nobre para lhe outorgar o título de Professor Emérito.

“A faculdade é minha querência, ela foi determinante nos contornos do meu percurso. No seu âmbito, transcorreu a minha vida”, disse o intelectual a uma plateia de autoridades, docentes, estudantes, familiares e amigos.

Embora não seja a primeira vez que Lafer recebe a honraria – também concedida pelo Instituto de Relações Internacionais (IRI) e pela própria USP, ambos em 2012, ele considera este um momento culminante em sua vida de professor. Conta que, antes mesmo de ingressar na faculdade como aluno, a instituição já fazia parte do léxico familiar, pelas narrativas de seu pai, Abraão Jacob Lafer, formado na turma de 1930. Herdou, assim, a dedicação às “Arcadas”, onde lecionou por 40 anos na área de Direito Internacional e Filosofia do Direito. Aposentou-se, compulsoriamente, em 2011.

Em seu discurso, o jurista recordou sua atuação no Direito da USP e no IRI, do qual é um dos fundadores. Falou também de seu trabalho na diplomacia brasileira. Celso Lafer foi ministro das Relações Exteriores, oportunidade em que pôde acompanhar de perto a Rio-92, conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, evento com papel-chave na criação de políticas na área ambiental em todo o mundo.

Foi, ainda, chefe da Missão Permanente do Brasil junto à ONU e à Organização Mundial do Comércio em Genebra, de 1995 a 1998, e ministro de Estado das Relações Exteriores em 2001 e 2002.

José Rogério Cruz e Tucci, Celso Lafer, Fernando Henrique Cardoso, Floriano Peixoto de Azevedo Marques Neto, Manoel de Queiroz Pereira Calças, Edmund Chada Baracat e Flavio Flores da Cunha Bierrenbach integraram a mesa da solenidade – Foto: USP Imagens

Seu envolvimento com o meio ambiente também seria marcante nos anos em que presidiu a Fapesp, uma das principais agências de fomento à pesquisa científica e tecnológica do País. Durante sua gestão acompanhou o desenvolvimento de três grandes programas de pesquisa na fundação: o de Mudanças Climáticas Globais, de Bioenergia (Bioen) e de Biodiversidade (Biota). Sua atuação ampla ainda inclui a área empresarial e uma cadeira na Academia Brasileira de Letras.

Durante a cerimônia, Flávio Bierrenbach lembrou de episódios que compartilhou com Lafer enquanto o Brasil vivia o regime militar. Ex-deputado e ex-ministro do Superior Tribunal Militar (STM), Bierrenbach é presidente de Honra da Associação dos Antigos Alunos da Faculdade de Direito da USP e acredita que o trabalho de Celso Lafer contribuiu para superar o tempo de exceção vivido no País. Em nome da Congregação da FD, o professor Fernando Dias Menezes de Almeida também saudou o jurista e apresentou um pouco do currículo de Lafer, que foi seu professor.

“Um homem que não se furtou a enfrentar os temas da contemporaneidade”, definiu o diretor da Faculdade de Direito, Floriano Peixoto de Azevedo Marques Neto, ao comentar o trabalho de Lafer na área de direitos humanos. Marques Neto foi seu aluno nos anos de 1980 e afirmou que o título de Emérito reconhece quem se destacou na já destacada função de mestre. Para ele, é também uma homenagem à própria instituição. “Quando a comunidade reconhece um dos seus como emérito, de certa forma, reconhece também que esta escola é digna de ter um Professor Emérito como Celso Lafer.”

 

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