Sábado de manhã é hora de aprender física

Projeto da USP aproxima público de conhecimentos físicos; próximo encontro será em 5 de agosto

Por - Editorias: Extensão
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Um ciclo de palestras descontraídas sobre ciência. Essa é a proposta do projeto Física para Todos, que organiza encontros mensais para apresentar conhecimentos físicos de maneira acessível ao público em geral.

O projeto foi criado por professores do Instituto de Física (IF) da USP em 2005, quando se comemorou o Ano Mundial da Física a partir do centenário da publicação das famosas teorias de Albert Einstein.

Hoje, o Física para Todos é de responsabilidade do professor Daniel Cornejo, presidente da Comissão de Cultura e Extensão Universitária do IF. Fã do projeto, ele assumiu com gosto a tarefa de organizá-lo.

São dez encontros anuais, de março a dezembro, que ocorrem no primeiro sábado de cada mês na Biblioteca Mário de Andrade, no centro de São Paulo. A parceria, firmada em 2016, teve uma boa recepção, o que fez o novo diretor da instituição, Charles Cosac, manter o vínculo com o projeto.

Originalmente, as palestras eram ministradas somente por professores do IF, convidados a expor os temas de suas respectivas áreas de estudo, sempre buscando criar um ambiente descontraído.

Fachada da Biblioteca Mário de Andrade – Foto: Wikipédia

Agora, por iniciativa do professor Cornejo, docentes de outros institutos da USP também são convidados a palestrar. “Atualmente, a física está atuando em colaboração com muitas outras disciplinas: química, medicina, economia. Então há muitos outros profissionais da USP que trabalham com temas vinculados a ela”, explica.

No dia 2 de setembro, por exemplo, o professor Rodrigo Nemmen, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP irá apresentar a palestra 13 maneiras de morrer com um buraco negro.

A ideia é que os palestrantes, convidados de acordo com a sua especialidade de estudo, tenham liberdade para definir o tema dos encontros. Outro meio é seguir a vontade do público, a partir de sugestões dos espectadores.

Professor Álvaro Vannucci, do IF, fala sobre fusão nuclear na Biblioteca Mário de Andrade durante palestra do Física para Todos, no ano passado – Foto: Reprodução/Facebook

“As pessoas gostam muito de palestras sobre física nuclear, novidades como o Bóson de Higgs e temas mais tecnológicos. Tendemos a aceitar essas sugestões, afinal o Instituto de Física faz pesquisas sobre isso”, diz Cornejo.

 

Mas dá para acompanhar?

Seja no ensino básico ou superior, aprender física acaba por ser, muitas vezes, uma fonte de frustração. Pensando nisso, a professora do IF Anne Louise Scarinci apresentará, no dia 5 de agosto, a palestra Por que a física “é difícil”A ideia é entender quais são os obstáculos que dificultam o aprendizado nessa área do conhecimento.

“Não vou dizer que aprender física é fácil. Aprender qualquer coisa não é fácil, pois aprender exige sempre um esforço. Porém, pode ser mais árduo quando não se compreende em que direção o esforço deve ser feito”, diz a professora.

Identificar tais obstáculos, portanto, é uma forma de entender que as dificuldades de compreensão da física não são um problema de falta de inteligência ou de competência. Afinal, como lembra Anne, o próprio sistema de ensino tem uma eficiência muito pequena em transmitir esse tipo de conhecimento.

“Eu diria que aprender física não é tão difícil quanto ensinar física”, ela coloca. Isso porque há maneiras mais eficientes de se discutir a ciência que nem sempre são refletidas nas práticas docentes, por mais que exista fundamentação teórica e muitos exemplos empíricos para indicar que alguns formatos de aula seriam mais efetivos.

Cartaz de divulgação do próximo encontro – Foto: Reprodução/Facebook

Como consequência, cria-se um bloqueio que faz com que iniciar um diálogo sobre física, por si só, seja um desafio. “As pessoas entram na conversa achando que elas vão entender muito pouco, ou não têm a capacidade de compreensão”, explica a professora.

A palestra buscará investigar as dificuldades que acompanham o aprendizado dessa ciência, entendendo que a própria física exige que um certo tipo de pensamento seja desenvolvido para ser compreendida, já que ela relaciona o mundo empírico com o raciocínio lógico-matemático — o que não deve ser entendido como desestímulo.

“Aprender sobre o mundo empírico é absolutamente fascinante. A pessoa que começa a aprender física percebe o quanto seus olhos estão sendo transformados pelo conhecimento para ver uma beleza no mundo que não era perceptível de forma imediata”, completa Anne.

No décimo terceiro ano, o projeto conta com um público cativo de pessoas que frequentam quase todas as palestras. A ele, soma-se um público que varia de acordo com o tema dos encontros. Dentro deles, é grande a presença de professores da rede de ensino público e de alunos do ensino médio.

Além do Física para Todos, o Instituto de Física promove outras atividades de extensão, como o Encontro USP-Escola, o Vivendo a USP e o Show da Física, além de visitas guiadas a laboratórios e a participação do instituto na Semana USP de Ciência e Tecnologia.

Ciclo de palestras do Física para Todos

Por que a física “é difícil”?
Palestrante: Profa. dra. Anne Louise Scarinci (IFUSP)
Dia: 5/8/2017
Horário: das 10h30 às 12 horas
Local: Auditório da Biblioteca Mário de Andrade
Endereço: Rua da Consolação, 94 – Centro
Inscrições: http://portal.if.usp.br/extensao/pt-br/node/348

Próximas palestras:
2/9 – 13 maneiras de morrer com um buraco negro
7/10 – O maior experimento do mundo para medir as menores coisas que existem

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