Projeto da USP quer ampliar presença feminina no mundo da tecnologia

Professoras de computação criaram grupo para ensinar programação a alunas do ensino médio

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Alunas aprenderam os fundamentos da linguagem Python para se iniciar no mundo da programação – Foto: PyLadies São Paulo

Com a ideia de realizar uma primeira experiência de ensino de programação a alunas do ensino médio, um grupo formado no Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP entrou em contato com uma escola pública de São Paulo. O objetivo era saber quantas jovens tinham interesse no curso, para poderem organizar uma turma, e o resultado surpreendeu: cem delas queriam participar, ou seja, praticamente todas as estudantes da escola.

“E ainda dizem que elas não se interessam pela área”, comenta Renata Wassermann. Formada em Ciência da Computação pela USP, onde mais tarde se tornou professora, ela lembra que em sua turma de graduação já havia poucas mulheres, em torno de 20%, e esse número foi diminuindo ao longo do tempo. O projeto Meninas Digitais, que lidera junto à professora Kelly Braghetto, quer mudar esse quadro.

Em parceria com o grupo PyLadies São Paulo, o Meninas Digitais realizou seu primeiro curso com alunas do ensino médio – Foto: PyLadies São Paulo

O primeiro curso de introdução à programação foi realizado no dia 18 de novembro. Como não era possível acomodar as cem alunas em um só laboratório, foram selecionadas 21 do terceiro ano da Escola Estadual Professor Antônio Alves Cruz, que passaram um sábado inteiro no campus Cidade Universitária aprendendo os fundamentos da linguagem Python.

“Achamos importante trazê-las para cá, onde conheceram o departamento e almoçaram no bandejão. Queremos que sintam vontade de estudar aqui depois”, afirma Kelly. “Os estudantes do IME saem daqui empregados. Na verdade, fazemos um esforço para mantê-los aqui até se formarem porque, antes mesmo disso, as empresas vêm atrás deles”, completa Renata.

Professora Kelly Braghetto

O curso piloto contou com a ajuda do grupo PyLadies São Paulo, que ministrou as aulas, e de várias monitoras voluntárias para acompanhar as jovens. A proposta do Meninas Digitais agora é criar um material didático voltado à faixa etária das alunas e ampliar o alcance da iniciativa: o objetivo é atingir mil meninas no próximo ano. “E queremos que as alunas se tornem replicadoras em suas comunidades. Não vamos monopolizar o ensino”, explica Renata.

O público desse primeiro curso foi o terceiro ano do ensino médio, pois as professoras consideraram que as alunas não poderiam participar do projeto depois. “Achei o desempenho delas excelente. Fizeram os exercícios propostos, se interessaram e começaram a perceber o que é possível fazer usando a programação”, conta Kelly.

Professora Renata Wassermann

Mas a intenção, com o crescimento do Meninas Digitais, é oferecer essa oportunidade às meninas mais jovens, para aumentar o impacto na escolha da carreira. Ela mesma, por exemplo, conheceu o mundo da computação somente quando cursou o ensino técnico em processamento de dados. Já Renata se apaixonou pela programação aos 11 anos, assim que seu pai comprou um dos primeiros computadores domésticos no início da década de 1980. 

A realização da oficina foi possível com o apoio do IME, de alunas de pós-graduação em computação e de doações de ex-alunos. Para dar sequência ao projeto, que tem também a participação do professor Fabio Kon, e garantir novas turmas, as professoras esperam conseguir mais apoios e patrocínio. 

O nome do projeto é inspirado no programa homônimo criado pela Sociedade Brasileira de Computação, que reúne iniciativas em todo o País para estimular mulheres a seguir carreiras associadas a tecnologia.

Interessados em saber mais sobre o Meninas Digitais ou contribuir como patrocinador ou voluntário podem entrar em contato com as professoras pelos e-mails kellyrb@ime.usp.br e renata@ime.usp.br.

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