Hospital Centrinho: 50 anos resgatando a alegria dos sorrisos

Instituição bauruense é referência internacional em pesquisa, tratamento e prevenção das anomalias craniofaciais

Por - Editorias: Extensão, Especiais
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Fachada da unidade II do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, Centrinho – Foto: arquivo HRAC/Centrinho

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Assim que soube por um ultrassom na 24ª semana de gestação que seu filho nasceria com fissura labiopalatina, a médica veterinária Juliana Bonfim da Silveira, de Porto União (SC), pesquisou na internet sobre o assunto e descobriu o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da USP em Bauru.

“Mesmo antes do Caio nascer, entrei em contato com o hospital e fiz o cadastro com o laudo dos exames que tínhamos. Logo após o nascimento, o tratamento já estava marcado. Ele veio para o Centrinho a primeira vez com três meses. Atualmente, está com seis anos e já passou por cinco procedimentos cirúrgicos. Já fechou lábio, palato, fez a soltura do lábio superior e agora fez a ponta do nariz, a columela. Segundo os médicos, ainda segue em tratamento até os 21 anos de idade”, relata.

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Juliana Bonfim da Silveira com o filho Caio, na Recreação do HRAC – Foto: arquivo HRAC/Centrinho

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Caio nasceu com fissura de lábio bilateral e fissura de palato (céu da boca) completa. A mãe conta que as primeiras dificuldades foram com a alimentação, refluxos e gases, pois o bebê ingere ar durante a alimentação.

“Eu retirava leite materno e dava na mamadeira, com um bico especial que tampava o palato. Desde a primeira cirurgia já observamos melhoras e evolução. Depois do fechamento do palato, com um ano, tudo mudou. Quando o Caio iniciou a fala já estava com o palato fechado, portanto não teve dificuldades com a fala. Graças à eficiência de agendamentos do Centrinho, todos os tratamentos foram feitos nas etapas marcadas.”

Juliana deixa um recado especial à equipe do hospital: “O Centrinho significa muito nas nossas vidas, pois transformou a nossa realidade. É um lugar de profissionais com muita empatia e humanidade com os pacientes. Sempre somos atendidos com um sorriso e um olhar amigo. Pessoas realmente maravilhosas e que gostam do que fazem. Gostaríamos de agradecer ao Centrinho por todas as oportunidades de tratamento ao Caio, aos profissionais que fazem deste lugar um local mágico e especialmente ao dr. Garla [Luiz Alberto Garla, médico cirurgião do HRAC], que traz esperança de vida aos nossos corações a cada etapa do tratamento. Ao Centrinho, parabéns pelos 50 anos de trajetória e nosso muito obrigado!”.

O HRAC é um hospital especializado na reabilitação de pessoas com fissuras labiopalatinas, anomalias congênitas do crânio e da face, síndromes associadas a essas malformações e distúrbios da audição. Atende exclusivamente a usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

O que são fissuras?

As fissuras labiopalatinas são os defeitos congênitos mais comuns entre as malformações que afetam a face do ser humano. De origem latina, a palavra “fissura” significa fenda, abertura.

A maioria dos estudos considera as fissuras labiopalatinas como defeitos de não fusão de estruturas embrionárias. Ou seja, tanto o lábio como o palato (“céu da boca”) são formados por estruturas que, nas primeiras semanas de vida, estão separadas. Elas devem se unir para que ocorra a formação normal da face. Se, no entanto, esta fusão não acontece, as estruturas permanecem separadas, dando origem às fissuras no lábio e/ou no palato.

Não há apenas uma causa para a ocorrência da fissura. Acredita-se que a fissura se dê por uma interação de diversos genes associados a fatores ambientais; este modelo é conhecido como herança multifatorial.

O processo de reabilitação é longo e deve observar o crescimento craniofacial da pessoa para que não haja sequelas, como crescimento ósseo inadequado. A reabilitação envolve etapas terapêuticas de acordo com idade e crescimento, e envolve a atuação de diversas especialidades. Por isso, as equipes de saúde do Centrinho acompanham todo o crescimento dos pacientes, estabelecendo laços com eles e as famílias.

O HRAC atende somente com agendamento prévio; e por atender somente a usuários do SUS, respeita as normas do Ministério da Saúde. Para verificar se um paciente com indicação de fissura labiopalatina é caso para o hospital, deve ser solicitada uma avaliação inicial. Mais informações aqui.

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Como tudo começou

Fachada do então Hospital de Pesquisa e Reabilitação de Lesões Lábio-Palatais, na década de 1970 – Foto: arquivo HRAC/Centrinho

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Quando foi concluído o estudo realizado por professores da FOB – que identificou a incidência de fissura labiopalatina em uma a cada 650 crianças da população escolar bauruense – e se iniciou, em 24 de junho de 1967, o atendimento dos casos diagnosticados, eles nem imaginavam o que viria a se tornar o HRAC/Centrinho, hoje com excelência reconhecida nacional e internacionalmente.

Bernardo Gonzales Vono (Odontopediatria); Décio Rodrigues Martins (Ortodontia); Halim Nagem Filho (Prótese); José Alberto de Souza Freitas, conhecido como Tio Gastão (Radiologia); Ney Moraes (Odontologia Social); Noracylde Lima (Anatomia); e Wadi Kassis (Cirurgia) foram os sete fundadores do então Centro de Pesquisa e Reabilitação de Lesões Lábio-Palatais, que funcionou inicialmente em uma pequena sala da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP.

Começava assim o trabalho do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da USP, com o objetivo de promover uma reabilitação integral do paciente: estética, funcional e psicológica, que transformaria milhares de vidas ao longo das décadas, assim como a do pequeno Caio e de sua família.

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Pioneirismo e inovação

Fachada atual da unidade I do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, Centrinho – Foto: arquivo HRAC/Centrinho

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Passado e presente do HRAC são marcados pelo pioneirismo e inovação. Foi o primeiro serviço especializado no tratamento da fissura no País. Hoje, é um dos poucos centros no mundo que utilizam microscópio em algumas cirurgias reparadoras de palato, o que torna a intervenção mais precisa.

Em 1990, foi realizada no hospital a primeira cirurgia de implante coclear multicanal no Brasil, um dispositivo eletrônico que estimula diretamente o nervo auditivo, por meio de pequenos eletrodos inseridos cirurgicamente dentro da cóclea, substituindo parcialmente as funções desta parte do ouvido interno.

Atualmente, intensificam-se as buscas por novas tecnologias e soluções para o tratamento da deficiência auditiva, com o uso de diferentes próteses auditivas cirurgicamente implantáveis, algumas delas de forma inédita no Brasil, apenas no HRAC.

Essas próteses – cuja concessão ainda não está completamente efetivada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) – têm trazido qualidade de vida a dezenas de pacientes que não se beneficiam dos aparelhos convencionais ou implante coclear, por motivos anatômicos ou médicos (como malformação de orelha ou otites médias crônicas).

Elas promovem ótimos resultados na transmissão do som, permitindo a audibilidade dos sons da fala. Além disso, estudos realizados com essas próteses têm conquistado prêmios nos mais importantes eventos científicos internacionais da área, como os congressos das academias norte-americana e europeia de audiologia.

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ENTREVISTAS

‘Trabalhamos para que nos próximos 50 anos essa excelência seja ainda mais ampliada’

Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado

A professora, atual superintendente do HRAC e diretora da FOB, destaca, na entrevista, o que o hospital tem a comemorar nesses 50 anos, a importância de todos que trabalharam e dos que constroem hoje a sua história, e as perspectivas para o futuro. Leia a entrevista

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Medicina: ‘Objetivo maior do que aquilo que pensamos’

José Alberto de Souza Freitas (Tio Gastão)

Em entrevista realizada por telefone neste mês de junho, o professor José Alberto de Souza Freitas (Tio Gastão), um dos sete fundadores e ex-superintendente do HRAC, fala sobre a origem da instituição e o que representam esses 50 anos do hospital. Leia a entrevista 

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O programa Dicas da Turminha da TV USP Bauru fez um especial sobre a história do Centrinho. Em vez de um apresentador formal de telejornal, quem conduz todo o programa e interage com o repórter é um fantoche: o Vô Zico, um dos personagens da Turma do Centrinho:

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Breve histórico

Após o estudo inicial e o início do atendimento aos pacientes diagnosticados em 1967, no ano de 1973, o centro – já conhecido pelo diminutivo Centrinho – foi institucionalizado como Centro Interdepartamental da FOB. Em 1976, é transformado em unidade hospitalar autônoma e passa a receber o nome de Hospital de Pesquisa e Reabilitação de Lesões Lábio-Palatais, destacado como centro de excelência no atendimento pela USP e como referência mundial pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Na década de 1980, o hospital passou a ser conveniado com o Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (Inamps) para prestar assistência especial e integral aos portadores de malformações faciais e iniciou o atendimento na área da saúde auditiva.

Em 1998, a instituição recebeu nova denominação, em vigor até hoje: Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC), devido à ampliação do seu campo de atividade. Durante essas décadas, a instituição colecionou conquistas que lhe renderam premiações e o reconhecimento como centro de excelência dentro e fora do Brasil.

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Da Assessoria de Imprensa do Centrinho
Diagramação: Moisés Dorado
Infografia: Leonor Teshima e Moisés Dorado

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