Fósseis em exposição na USP contam história da evolução das plantas

Visitante pode observar detalhes de tronco de milhões de anos em exposição no Instituto de Biociências da USP – Foto Cecília Bastos/USP Imagens

“Você já colocou a mão em um fóssil?” Ao entrar no saguão do Departamento de Botânica da USP, o visitante se depara com essa pergunta, que também é um convite para ver e tocar uma araucária de 220 milhões de anos. A peça é parte de uma exposição que mostra a evolução das plantas terrestres –  muitas delas conviveram lado a lado com os dinossauros e ajudaram a formar o petróleo e o carvão.

O acervo pertence ao Instituto de Geociências (IGc) da USP, mas estava guardado nas reservas técnicas da Universidade. “Fizemos essa coletânea para entender um pouco da história das plantas e também para mostrar esses fósseis dos quais as pessoas ouvem falar, mas nunca viram”, conta o professor Gregório Ceccantini, um dos curadores da exposição, junto aos professores Paulo de Oliveira e José Rubens Pirani.

Cortes transversais de troncos coletados em pesquisas. Uma linha do tempo indica fatos importantes da história nos últimos 300 anos – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Muitas das peças têm origem em uma região entre os Estados de Pernambuco e Ceará, conhecida como Crato, que tem fósseis bem preservados. Lá, foram desenvolvidos diversos projetos por pesquisadores da USP. “A preservação é tão perfeita que é possível ver as folhas, o rizoma e as pequenas raízes”, explica Ceccantini, apontando para uma antiga samambaia coletada no local. Ele aproveita para contar que na época do carbonífero, ou seja, por volta de 300 milhões de anos atrás, havia samambaias gigantes que chegavam a ter 30 metros de altura.

Boa parte dos itens expostos foi coletada por três professores já aposentados da USP: Oscar Rösler, Murilo Rodolfo de Lima e Mary Elizabeth de Oliveira. E algumas das peças têm uma origem curiosa: são apreensões da Polícia Federal. No Brasil, o comércio de fósseis é proibido e os produtos que conseguem ser recuperados do contrabando são destinados a museus e instituições de pesquisa, como a USP. Às vezes, trata-se de um fóssil precioso, mas sua origem ilegal impede conhecer sua procedência exata.

Gregório Ceccantini, um dos curadores responsáveis pela da exposição – Foto Cecília Bastos/USP Imagens

Alguns dos grupos vegetais expostos já se extinguiram; outros, ainda estão presentes na natureza, mas bastante diferentes. Para criar um diálogo com os nossos tempos, os curadores também incluíram plantas atuais na exposição.

A produção contou com o apoio dos museus de Anatomia Veterinária e de Geociências da USP e do Programa de Pós-Graduação em Botânica do Instituto de Biociências. “E, além disso, também contou com a criatividade e boa vontade de alunos de pós-graduação, que contribuíram na montagem, limpeza e preparação das peças”, acrescenta Ceccantini.

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Madeira de uma planta conífera apreendida pela Polícia Federal. Sua provável origem é o Tocantins, no período permiano - Foto: Divulgação
Planta gnetófita, do grupo gnetales - Foto: Divulgação
Detalhe de planta Psaroniaceae, da ordem Marattiales - Foto: Divulgação
Pluricarpellatia é um fóssil de plantas com flor pertencente à família Cabombaceae - Foto: Divulgação
Araucaria - Foto: Divulgação
Detalhe de folha de uma planta gnetófita, do grupo gnetales - Foto: Divulgação
Isoetes, da ordem de plantas Isoetales -- Foto: Divulgação
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Visite a exposição

Os interessados podem visitar a mostra gratuitamente, sem necessidade de agendamento, de segunda a sexta-feira, das 8 às 21 horas, no saguão do Departamento de Botânica do Instituto de Biociências (IB) da USP, localizado na Rua do Matão, travessa 14, nº 321, na Cidade Universitária. Mais informações pelo telefone (11) 3091-7547, na secretaria do departamento.

Para agendar a visita de grupos, é possível entrar em contato com os alunos do projeto Estação Biologia pelo e-mail estacaobiologia@ib.usp.br ou telefone (11) 3091-8090, de segunda a sexta-feira, das 12 às 14 horas.

A exposição pode ser visitada até junho de 2018.