Disciplina atende às dificuldades de alunos com textos acadêmicos

Curso auxilia na escrita e leitura de textos acadêmicos exigidos na graduação e tenta diminuir barreiras da permanência estudantil

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Disciplina busca desenvolver as capacidades básicas de leitura e escrita acadêmicas – Foto:Marcos Santos/USP Imagens

A leitura de textos acadêmicos, com escrita diferenciada, palavras pouco utilizadas no cotidiano e assuntos complexos, não é uma atividade simples. Ao entrar na faculdade, os alunos se deparam com a exigência de ler e fazer considerações sobre textos muito diversos dos que nos acostumamos no cotidiano. Para auxiliá-los, professores de cursos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP criaram a disciplina Práticas de Leitura e Escrita Acadêmica em Humanidades.

Ela é optativa, tendo vagas reservadas para alunos de todos os cursos da FFLCH e algumas para estudantes de outras unidades da USP. Sua proposta é contribuir na formação dos estudantes de graduação, treinando as capacidades básicas de leitura e escrita acadêmicas, com explicações de professores e conversa e discussão com os monitores.

A criação da disciplina foi uma iniciativa dos professores André Singer e Cícero Araújo, de Ciências Sociais; Caetano Plastino, Marcus Sancrini e Ricardo Terra, de Filosofia; Marcos Napolitano, de História; Valéria De Marco, de Letras; e Esmeralda Negrão e Ronald Beline, de Linguística.

Valeria de Marco, presidente da EDUSP - Foto: Divlgação / Asociacion Beta
Professora Valeria De Marco – Foto: Divulgação / Asociacion Beta

Inicialmente, em 2015, o grupo de docentes lançou um curso experimental, em que a inscrição era feita pela internet, na secretaria do Departamento de Linguística. Após duas edições, entrou como aula optativa, a FLF0506, oferecida no primeiro semestre de 2016 na unidade.

“Temos percebido essa dificuldade com a escrita acadêmica, vemos e ouvimos de todos os colegas que é um problema que existe em todas as universidades”, afirma a professora Valéria.

O planejamento das aulas foi feito a partir do entendimento da graduação como formadora de intelectuais aptos a entender obras de todas as disciplinas das humanidades, e não especialistas em apenas uma área, segundo o professor Ricardo Terra. “Qualquer aluno da faculdade tem que interagir com outros cursos. Por isso, ele precisa saber ler qualquer um desses textos da área de Humanas, porque estamos formando um intelectual capaz de ler”, afirma.

Nas próximas edições da disciplina, os professores pretendem incluir mais estudantes de outras unidades da USP. Hoje, já existem alunos dos cursos de Química e Ciências Moleculares frequentando as aulas, mas as vagas são restritas.

Como funcionam as aulas

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Professor Caetano Plastino – Foto: Reprodução E-aulas

Cada professor traz um texto de sua área e ministra duas aulas, uma de contextualização do assunto e outra sobre sua maneira de fazer a análise. Na segunda parte de todos encontros, os monitores discutem o texto e atendem às dúvidas dos alunos.

Os estudantes desenvolvem atividades com complexidade crescente relacionadas aos textos trabalhados em aula. Eles escrevem fichamentos do conteúdo, depois é pedida uma resenha, com tom crítico e, finalmente, uma dissertação. “No começo, as atividades são mais presas ao texto e depois se soltam mais, com mais escrita e não pressupondo só a leitura, como no início”, comenta o professor Caetano Plastino.

Acompanhamento de perto

A monitoria é parte essencial da disciplina. No começo deste ano, os monitores foram alunos do doutorado da FFLCH e, a partir de agosto, os alunos da graduação que fizeram o curso anteriormente passaram a assumir a monitoria. “Os monitores têm um papel central no curso porque pensamos o curso como uma oficina. Não tem jeito de construir o curso se não mobilizarmos um número grande de monitores”, afirma Plastino. Neste semestre, são 15 monitores, inscritos pelo programa de bolsas de graduação.

Para o monitor Frederico Martins, a participação no curso permitiu perceber a diferença entre o que se espera dos alunos e sua preparação. “Como monitor, ao sentar do outro lado da mesa, você percebe que há um abismo entre a formação com a qual os alunos chegam e a pressuposição que os professores têm dos alunos. Há uma desigualdade muito grande entre os alunos”, comenta.

No começo do ano, em um projeto de permanência estudantil, a disciplina estabeleceu uma parceria com o Serviço de Orientação à Queixa Escolar do Instituto de Psicologia (IP) da USP, que oferece atendimentos para dificuldades na vida escolar envolvendo estudantes, pais e as instituições.

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Cada professor traz um texto de sua área e ministra duas aulas – Foto: Marcos Santos

Martins conta que a parceria veio da experiência com um aluno do curso de História que cursou a disciplina enquanto era atendido pelo serviço.

A proposta é atenuar eventuais dificuldades com a adaptação às aulas da FFLCH que possam atrapalhar a continuidade dos alunos na graduação. “Muitas vezes, essa questão psicológica pode servir de entrave para a inserção acadêmica. Algumas pessoas chegam na USP, que é uma universidade muito elitista, e se sentem deslocadas dentro do ambiente acadêmico”, afirma o monitor Guilherme Diniz.

Para o monitor Victor Moraes, a disciplina optativa tem o objetivo de orientar os alunos para que entendam suas dificuldades e trabalhem nelas nos próximos semestres. “O curso não pretende ser final, é um trabalho que não vai ser cumprido em um semestre, a gente não resolve todas as dificuldades, mas esperamos que o aluno aprenda onde tem que melhorar e que caminho tomar.”

A disciplina Práticas de Leitura e Escrita Acadêmica em Humanidades oferecida pela FFLCH é uma das práticas pedagógicas desenvolvidas na USP presente na revista Grad+, uma publicação da Pró-Reitoria de Graduação que divulga ações, reflexões e pesquisas sobre o ensino superior.

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