Curso de Engenharia de Biossistemas da USP traz inovação e tecnologia ao campo

Curso introduzido no Brasil pela Universidade forma profissionais para criar sistemas mais produtivos e sustentáveis na agropecuária

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Atualizado dia 26 de setembro, às 15h

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Alunos estudam Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF) e Agricultura de Precisão – Foto: Fabrício Rossi

Ficou para trás o tempo em que a atividade agropecuária dependia apenas da mão de obra humana. Hoje, para garantir a competitividade e eficácia de uma produção, é necessário o uso de tecnologias e técnicas inteligentes no campo. Mapeamento da atividade rural por drones, utilização da sobra de leite para a produção de etanol ou do bagaço de cana para a produção de fibrocimento e controle da qualidade da plantação por robôs são algumas das tecnologias que auxiliam o desenvolvimento de uma produção agropecuária mais eficaz e sustentável.

Para formar profissionais que pensam e desenvolvem essas soluções, foi criado o curso de Engenharia de Biossistemas. Introduzido no Brasil em 2009 pela Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP em Pirassununga, o programa prepara os alunos para criarem e desenvolverem tecnologias para a automação no campo.

A graduação une os estudos básicos de engenharia, com disciplinas focadas na área biológica. Segundo Fabrício Rossi, coordenador do curso na FZEA, há muita interação com disciplinas de Zootecnia e Engenharia de Alimentos, outras duas formações oferecidas na faculdade. “A Engenharia de Biossistemas aborda essas áreas sob a perspectiva da inovação tecnológica”, afirma o professor.

Apesar de novo no Brasil, o curso é tradicional em países da Europa, Estados Unidos e Austrália. Na Iowa State University, nos Estados Unidos, por exemplo, a formação existe desde 1905. “Trouxemos para o Brasil uma tendência que já era internacional”, constata o coordenador.

A inovação pensada pelos profissionais abrange desde a agricultura de precisão, que coleta dados sobre o solo e clima para dosar a distribuição de adubo e agrotóxicos em cada área específica, até formas alternativas de geração de energia, produção de alimentos e materiais. A produção sustentável e automação são os principais objetivos do estudo da engenharia, que desenvolve soluções para aumentar a produtividade com o menor gasto possível de insumos e mão de obra.

Consultoria

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Aula prática Grandes Cultivos na qual os alunos aprendem sobre adubação verde em cultivo intercalar a bananeira – Foto: Fabrício Rossi

A graduação conta também com algumas iniciativas de extensão, que levam o que é pensado dentro da faculdade à comunidade. Entre elas estão a empresa gerida pelos alunos, Biossistec Jr., que faz consultoria em agronegócio a preços abaixo do mercado e o Portal Biossistemas, que se propõe a divulgar as técnicas e inovações na área de forma acessível, com entrevistas a autores de pesquisas, alunos do curso, avaliação de tecnologias da área e o mercado de trabalho da profissão.

Segundo Leonardo Magalhães, formado no curso de Engenharia de Biossistemas da FZEA e um dos criadores do portal, o site era endereçado inicialmente aos alunos do curso, com o objetivo de discutir o mercado de trabalho do profissional da Engenharia de Biossistemas, já que não existiam ainda pessoas formadas na área. Ao analisar o público que lia o site, em grande parte de fora da Universidade, surgiu a ideia de divulgar também os estudos realizados.

Inovação em sala de aula

Durante o curso, os alunos são estimulados a desenvolver pesquisas com base nos conhecimentos assimilados em sala em disciplinas laboratório e projetos de iniciação científica. Na área de construções rurais, por exemplo, os alunos atuam no desenvolvimento de novos materiais, utilizando resíduos da agricultura para produzir telhas de fibrocimento.

Outros laboratórios abordam hidráulica, irrigação, agricultura de precisão, biocombustíveis, eficiência energética e automação.

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Estudantes utilizam um clorofilômetro em plantas de milho – Foto: Fabrício Rossi

Na disciplina prática de captação e análise de imagens para fins agropecuários, ministrada pelo professor Luciano Lulio, os alunos criam sistemas computacionais que analisam imagens de produções para contribuir com o manejo e cultivo agrícola e animal.

Entre os projetos já desenvolvidos na disciplina estão um detector de bordas da cultura de gramíneas (como trigo, centeio e aveia) para a criação de um programa que identifique a divisão das linhas de plantio para auxiliar a locomoção de robôs móveis que captam informações da plantação, um algoritmo que faz a contagem de gados por imagens aéreas e a identificação dos índices de deficiência de nitrogênio em folhas de milho pela filtragem de cores da imagem das folhas.

O professor afirma que o próximo passo será transformar os programas criados em aula em softwares para uso comercial dos produtores. Para realizar o projeto, a FZEA aproveitará a parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para fomentar a aplicação do produto na agropecuária e firmará parceria com a Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) para a aplicação no plantio de cítricos.

A curto prazo, o professor tem a intenção de adaptar os códigos criados em aula para outras linguagens de programação. “Os códigos serão disponíveis em um pacote de plataforma aberta, para a consulta, aplicação e customização por outros pesquisadores e professores”, afirma. O docente também utilizará o trabalho desenvolvido em livro didático de sua autoria para ensinar programação de técnicas de processamento de imagens aplicada em problemas do agronegócio.

Mercado de trabalho

O profissional de Engenharia de Biossistemas pode atuar em qualquer etapa da produção agropecuária, em diversas áreas, como processamento de sementes, energia, gestão e administração. O mercado atual absorve em grande escala os profissionais de biossistemas para trabalhar com gestão, desde a área de logística até a área de suprimentos e controle de qualidade. Muitos dos alunos com a formação hoje trabalham em empresas como Natura, Monsanto e P&G.

Para Leonardo Magalhães, aluno formado do curso, isso acontece pois no Brasil há uma deficiência na área de gestão de empresas. “Uma área mais forte, de muita demanda, que o mercado está absorvendo aos poucos é a agricultura de precisão. Análise de imagens, dados georreferenciados, interpretação desses dados e mapas de agricultura, é a área para a qual o curso deve caminhar mais forte”, explica.

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