Cursinhos populares ajudam estudantes a ingressar no ensino superior

Entidades organizadas pelos alunos da USP, os cursinhos trabalham com jovens de baixa renda que buscam uma vaga no ensino superior

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Atualizado, às 17h20, de 12 de janeiro de 2017

Aula no cursinho da Poli - Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
Aula no cursinho da Poli – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

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No Brasil, mais de 85% dos matriculados no Ensino Médio estão na rede pública de ensino, segundo o Ministério da Educação (MEC). No ano passado, apenas 34,6% dos estudantes que começaram estudar na USP vieram de escolas públicas. Para mudar esse quadro, a Universidade adota o Inclusp que busca atrair os estudantes da rede pública a partir da concessão de bônus na nota do vestibular, além de ter aderido ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que utiliza como critério a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Fora as ações instituições da Universidade, há também iniciativas dos próprios alunos da USP que organizam cursinhos voltados, principalmente, para jovens de baixa renda. Organizados de diferentes formas, como por unidades de cada campus, por meio de parceria entre funcionários e alunos ou da união dos ocupantes de moradias estudantis, essas entidades ajudam diversos estudantes todos os anos.

Um dos cursinhos que mais oferecem vagas é o da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) que em 2000 iniciou suas atividades em parceria com o Centro Acadêmico Visconde Cairu. A entidade conseguiu o fim das mensalidade em 2005 e se tornou independente, com Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) próprio, em 2011. Seu financiamento está ligado à matrícula que os alunos pagam uma única vez. Neste ano serão oferecidas 480 vagas e para inscrever-se, basta acessar o site.

Ponto comum observado a todos os cursinhos, ex-alunos que se tornaram professores ao entrar na faculdade são muitos. Larissa Coimbra, estudante de medicina da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP contou sua experiência no Cursinho Popular do PET-Medicina (CPM), coordenado por estudantes do Grupo do Programa de Educação Tutorial (PET) da FMRP.

“Fui aluna em 2015. Na época fazia o 3º ano do Ensino Médio em uma escola pública paralelamente com o cursinho”, relata Larissa. “Ter a oportunidade de estar no CPM foi fundamental para o meu desempenho no vestibular: consegui uma vaga na Medicina USP em Ribeirão, faculdade onde sempre sonhei em estudar. Já no 1º ano de curso entrei para o PET e vou atuar como professora agora em 2017. Acredito que será muito graficamente contribuir ativamente com um projeto que tanto me ajudou.”

O CPM cobra R$ 20 por mês dos alunos (R$ 10 para quem mantém taxa de presença superior a 90%) como forma de manutenção. Os professores são todos voluntários e alguns deles, como Larissa, já estiveram na mesma sala de aula. Atualmente, são selecionados 100 alunos por ano para o cursinho. As informações do processo seletivo estão na página do Facebook da PET.

Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

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Também em Ribeirão Preto atua o Cursinho Popular da Faculdade de Direito (FDRP), criado em 2014 com a finalidade de ampliar a inclusão social dentro da USP. Movido por trabalho voluntário sobretudo de estudantes da universidade, patrocínios e vendas de alguns produtos, o material do cursinho é doado pelo Poliedro e as aulas acontecem no próprio campus da USP.

Ainda muito novo e pequeno, o CPFD tem capacidade para ensinar anualmente 50 alunos por turma. Este ano, o processo seletivo terá início em 31 de janeiro e será encerrado após o total de 350 inscritos. As informações estão disponíveis no Facebook da entidade. Além disso, o cursinho também procura conciliar o ensino voltado para o vestibular com um caráter realmente popular.

“Buscamos desconstruir a imagem de cursinho padrão para sermos efetivamente algo popular e capazes de reconhecer o recorte social dos nossos alunos e promover a eles, da melhor forma possível, uma educação emancipadora e uma vivência que os construa como seres críticos e conscientes”, afirmou a assessoria do CPFD ao Jornal da USP.

De volta à capital, um dos mais populares cursinhos ligados a USP é o MEDensina, criado e gerenciado por estudantes Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Criado em 2002, o cursinho cobra unicamente uma taxa de R$ 30  para a inscrição do processo seletivo, do qual sairão os 260 alunos neste ano. Para participar, é necessário entrar no site e preencher seus dados.

Confira outros cursinhos oferecidos por entidades, alunos e professores da USP:

Cursinho Popular da Acepusp
http://www.cursinhopopular.com.br/

Arcadas Vestibulares
http://arcadasvestibulares.com.br/

Cursinho do Crusp
http://cursinhodocrusp.com.br/

Cursinho Popular EACH
http://www.cursinhoeach.com/vestibulandas-e-vestibulandos  

Cursinho FEA
http://www.cursinhofeausp.com.br/

Cursinho da FFLCH
https://cursinhodafflch.wordpress.com/

Curso Pré-Vestibular MedEnsina
http://medensina.com/processo-seletivo/

Núcleo de Consciência Negra
http://www.ncn.org.br/

Cursinho da Poli
http://cursinhocpusp.wixsite.com/cpusp/processo-seletivo

Cursinho Psico
https://cursinhodapsico.milharal.org/inscricoes-2017/

Marie Curie Vestibulares (MACVEST)
http://www.macvest.org/

Cursinho Popular da Farmácia (FCFRP)
http://www.calr.com.br/cursinho/

Projeto Aprender
http://www.icmc.usp.br/e/32516

 

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