Histórias de quem escolheu São Carlos para estudar matemática

Instituto da USP também atrai estudantes de todo o País para estudar ciências da computação

Por - Editorias: Comunidade USP
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Durante a Semana de Recepção aos Calouros, os ingressantes têm a oportunidade de conhecer o que a USP oferece além das atividades curriculares – Foto: Reinaldo Mizutani

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Se Ana Carolina Fainelo, de apenas 17 anos, decidisse sair de São Carlos a pé para visitar os pais, andando a uma velocidade média de 4 quilômetros por hora, ela caminharia durante 29 dias até chegar a Porto Velho, Rondônia. Mas os 2,8 mil quilômetros que separam a estudante de sua família não a impossibilitaram de realizar um sonho: estudar Ciências de Computação na melhor universidade do País, a USP.

Quando decidiu concorrer a uma das 100 vagas do curso disponibilizado pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação, no campus de São Carlos, ela analisou detalhadamente a grade curricular, obteve informações sobre a estrutura do local e também sobre a qualidade de vida na cidade: “Tudo me chamou para cá e espero sair daqui com muito mais conhecimento e experiência. Não falo apenas da experiência em relação ao conteúdo que aprenderei, mas também da experiência de vida que vou ganhar, porque é a primeira vez que estou morando longe dos meus pais”.

Durante a Semana de Recepção aos Calouros do ICMC, que aconteceu de 6 a 10 de março, a estudante se surpreendeu com os grupos de extensão que existem no instituto. “Achei interessante a integração de diversas áreas nesses grupos, há estudantes de computação e também de engenharia elétrica, mecânica, etc.”, destaca Ana Carolina. “Saber que um dos maiores grupo de robótica do Brasil, o Warthog Robotics, está aqui, tão perto da gente e à disposição, é muito bom”, acrescenta.

A escolha por computação não aconteceu por acaso para Ana. O pai da estudante sempre trabalhou com tecnologia da informação, apesar de não ser formado na área. Em 2014, perguntou à filha: “Por que você não começa a aprender um pouco de programação?” A frase despertou a garota para um novo universo, que a encantou. “Não me aprofundei muito, mas o pouco que vi achei muito legal. Ele me orientou, forneceu materiais e tirou minhas dúvidas. Vi que era algo em que valia a pena mergulhar, até porque gosto de matemática e da área de exatas.”

Estudar na USP em São Carlos é um sonho para estudantes de todas as partes do Brasil e também do exterior – Foto: Reinaldo Mizutani

Da engenharia à matemática

No caso de Thales Sarinho, 20 anos, seriam necessários 27 dias de caminhada, andando na mesma velocidade que Ana Carolina, para chegar à sua terra natal, em Recife, Pernambuco, onde seus pais moram. Os 2,7 mil quilômetros que separam o estudante de sua família também não o intimidaram na busca pelo sonho de estudar na melhor universidade brasileira na área de matemática. No entanto, Thales descartou estudar em São Paulo por causa da poluição: “Tenho asma, já fui a São Paulo várias vezes e sempre é um sufoco. Não tenho condições de morar lá”.

Ele sempre teve paixão por ensinar. No ensino médio, pegava o quadro branco que tinha ganhado da mãe e, com o pincel atômico em mãos, explicava conteúdos de química, física e matemática para os colegas. Quando ingressou no curso de Engenharia Mecânica em uma faculdade particular de Recife, há dois anos, não foi diferente. “Tinha gente que não entendia cálculo e geometria e eu estava amando aquelas disciplinas. Então, pegávamos uma sala que não tinha aula à tarde e a galera da minha turma ficava ouvindo as minhas explicações. Sempre havia um grupo de 10 a 15 alunos. Eu adorei essa experiência”, conta Thales.

O cálculo e a geometria também foram responsáveis por fazer Thales enxergar sua paixão pela matemática. “Quando você vai fazer engenharia, não é apresentado a uma matemática rigorosa. Você conhece uma matemática mais superficial, para que aplique na sua área. Nesse caso, basta saber que existe uma fórmula matemática para usar naqueles casos”, diz o estudante. “No entanto, eu queria saber por que aquela fórmula existia, como ela tinha sido construída”, acrescenta. Ele até tentou ler livros de uma matemática mais avançada para ver se isso o satisfazia, mas não adiantou. Depois de um ano e meio de engenharia, Thales decidiu desistir.

“Meus pais ficaram muito preocupados. Eu estava saindo da engenharia, que é um curso muito bem aceito, que tem muitas vagas de emprego, para ser professor de matemática!” Porém, eles não tardaram a compreender a decisão do filho. Afinal de contas, os dois haviam passado por experiências similares. O pai de Thales chegou a cursar física, mas quando notou que não haveria emprego em Recife na área a não ser para dar aulas, transferiu para direito. Já a mãe do garoto cursava letras e também não gostava de dar aulas, por isso, tal como o pai, seguiu o caminho do direito. “Eles disseram que era normal que eu mudasse de ideia. Só imaginaram que eu ia ganhar pouco e não seria valorizado, tal como minha avó materna, que era professora de português.”

O plano de Thales é ser professor universitário e, para alcançar seus objetivos, o estudante já sabe que precisará fazer mestrado, doutorado e pós-doutorado. “Vi que a professora Maria do Carmo, do ICMC, fez pós-doutorado na Polônia. Seria o máximo fazer algo assim lá na Europa, na Nova Zelândia, no Canadá…”

Mirando novos horizontes

Alejandro e Angelo durante a recepção aos calouros da pós-graduação – Foto: Denise Casatti

Quem também chegou ao ICMC com o sonho de fazer um pós-doutorado fora do país ou talvez até passar uma temporada do doutorado no exterior, foi o matemático Angelo Guimaraes. Formado pela Universidade Federal de Goiás, em Goiânia, onde também fez mestrado, Angelo ingressou no doutorado do Programa de Pós-Graduação em Matemática do ICMC no início deste ano. Durante a cerimônia de recepção aos ingressantes da pós-graduação, realizada no dia 22 de março, ele revelou que conheceu o instituto há dois anos, quando participou de um programa de verão em matemática na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar): “Gostei muito da estrutura do ICMC e da cidade também. Além disso, meu orientador no mestrado já tinha uns contatos aqui”.

As primeiras impressões sobre São Carlos também foram positivas para Alejandro Penadillo: “Eu venho de Bogotá e há muitos carros, muito movimento na cidade. Aqui, o clima é diferente, as pessoas são amáveis e é mais tranquilo”. O colombiano concluiu sua graduação em matemática e seu mestrado na Universidade Nacional da Colômbia, em Bogotá. Escolheu o ICMC para fazer o doutorado em Matemática quando descobriu que havia uma linha de pesquisa em Teoria de Singularidades no instituto.

Já o estudante Conrado Graci, que ingressou em Ciências de Computação, nunca imaginou que, um dia, estudaria na USP. Aos 17 anos, ele só descobriu que isso era possível no momento em que estava escolhendo a universidade via Sistema de Seleção Unificada (Sisu). A irmã, que também é aluna da USP, em São Paulo, pediu para o irmão checar se havia vagas no curso que ele desejava e lá estava a opção pelo ICMC: “Eu tenho paixão por estudar e sempre pensei que, qualquer curso que eu fizesse, eu encararia como um desafio e iria até o fim”. Fascinado por jogos eletrônicos, Conrado quer construir uma forte base em programação durante o curso no ICMC e adquirir conhecimentos extras em design para, no futuro, atuar na área de desenvolvimento de games.

Gabriel com a mãe no momento da matrícula no ICMC – Foto: Henrique Fontes

O Sisu também foi a porta de entrada para Gabriel Malta, 19 anos, que optou por cursar Matemática Aplicada e Computação Científica no ICMC. Ele veio de Anápolis, Goiás, depois de desistir do curso de Física na Universidade de Brasília (UnB): “Tenho facilidade para aprender matemática e gosto de resolver problemas usando as ferramentas da matemática”. Quando estava no cursinho, estudando para ingressar no curso de Física Médica, Gabriel descobriu que podia ingressar na USP via Sisu e decidiu tentar. “O Sisu possibilita que estudantes como eu, que não teriam a oportunidade de se deslocar até o Estado de São Paulo para prestar o vestibular, ingressem na USP.”

No momento da matrícula, a mãe de Gabriel, Antonia Telma Silva, estava emocionada: “Ele está aqui realizando um sonho. É tudo com ele agora. A gente vai estar lá em Anápolis torcendo e dando todo o apoio que precisar”. Tal como os pais de todos os ingressantes do ICMC, Antonia Telma sabe que seu filho fez uma boa escolha e que tem tudo para ir ainda mais longe.

Denise Casatti / Assessoria de Comunicação do ICMC

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