As vozes de quem está indo embora

Funcionários da Superintendência de Comunicação Social relembram histórias vividas na USP

Por - Editorias: Comunidade USP
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Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Prédio da Administração Central da USP, onde hoje é sediada a Superintendência de Comunicação Social – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

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Nesta segunda-feira (13), começa uma nova rotina para os funcionários da comunicação da USP e também de departamentos e setores de toda a Universidade. Cerca de mil servidores classificados na segunda lista do Programa de Incentivo à Demissão Voluntária (PIDV) deixam seus postos, ocupados, em alguns casos, há mais de três décadas.

A Superintendência de Comunicação Social (SCS) da USP, à qual estão ligados o Jornal da USP e a Rádio USP, se despede hoje de uma dezena de pessoas que dedicaram seu tempo e talento para garantir o funcionamento dos veículos jornalísticos da Universidade. Trazemos aqui um pouco da história de algumas delas.

 

Celso dos Santos Filho

Celso dos Santos Filho, diretor da Rádio USP - Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Celso deixa a direção da Rádio USP e quer realizar um sonho pessoal: um empreendimento próprio de comunicação – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Em seus 36 anos de USP, a comunicação formou a carreira de Celso. Tendo entrado na Universidade como contínuo (espécie de office boy, ele explica) na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, ele logo ingressaria no departamento de comunicação da unidade. Ali, passou a atuar, a princípio, com o registro audiovisual de defesas de teses para em seguida tocar a revista e o jornal.

Em 1994, Celso entra na Rádio USP a partir de um concurso para locutor. E lá ficou, com a emissora onde ela estivesse. No período de 1999 e 2000 integra o serviço de auxílio ao ouvinte, primeiros passos do que viria a ser a Rádio USP na internet. Em 2006, ano em que Celso assume a vice-diretoria da rádio, vai com ela para a Poli, no setor de hidráulica, onde ficava num porão. Em 2008, quando se torna diretor, retorna ao prédio da reitoria, onde antes ficava a rádio, para em 2012 migrar novamente para o antigo clube dos funcionários, na Rua do Matão, locação atual.

A estação do 93,7 MHz fez parte de Celso de tal forma que em 2010 realizou um mestrado sobre ela, procurando identificar a função tripartite exercida pela emissora: uma rádio comunitária, comercial em razão de leis, e educativa.

Deixar a USP não quer dizer ir embora de vez. Celso quer ajudar a instituição no que lhe for possível nos tempos que virão. Fica feliz em ver os jovens estagiários serem parte do espaço da rádio e confia nos esforços de renovação da equipe.

E a saída da USP também não quer dizer deixar o mundo da comunicação. Celso pretende agora realizar um sonho pessoal que nunca fora possível: trabalhar com um empreendimento próprio de comunicação. Irá se lançar na área de redes sociais corporativas e transmissão de eventos via internet. E a animação com a qual descreve a van cheia de equipamentos que está preparando nos dá a impressão que sua carreira está começando agora mesmo.

Cláudio Luiz Ballester Surian

 - Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Analista de sistemas, Claudio participou da criação do primeiro portal digital da USP, quando a internet ainda dava seus primeiros passos no Brasil – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Após quase 30 anos de USP, Cláudio fica feliz em ser entrevistado pela primeira vez. Ele lembra precisamente o dia em que entrou na Universidade, 12 de maio de 1988, como zelador da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) na unidade da Rua Maranhão. A partir de lá, sua trajetória percorreria diferentes unidades da USP, sempre trabalhando na área de informática.

Ainda na FAU, teve a oportunidade de realizar um estágio para a graduação em administração que então cursava. Em seguida trabalhou na Coordenação de Cooperação e Atividades Especiais como técnico de informática até ser convidado pelo professor Ignácio Poveda Velasco para chefiar a seção de informática da Faculdade de Direito da USP.

Seu ingresso na Superintendência de Comunicação Social aconteceu a partir de um processo seletivo para analista de sistemas. Na SCS, Cláudio seria o primeiro funcionário do USP Online, raiz do que viria a ser o atual Jornal da USP. Também participou da criação do primeiro portal digital da Universidade, em 1999, quando a internet ainda dava seus primeiros passos no Brasil.

Cláudio tornou-se chefe da seção técnica de informática da SCS, última função que assumiu na Universidade. Como ele mesmo diz, seu papel acaba sendo muitas vezes como o de um médico de pronto-socorro: é ele quem recebe a queixa, ou o paciente, faz uma avaliação e encaminha para o especialista.

Nestes anos de USP, Cláudio conta terem sido marcantes as mudanças de gestão na Reitoria e coordenadorias da instituição. Hoje, no momento de encerrar este caminho, ele reforça o sentimento de agradecimento pelas oportunidades pessoais e profissionais que a Universidade e as pessoas que a formam lhe deram. E como alguém que fez parte da história desta instituição por tanto tempo, não deixa de refletir sobre seu futuro: “Vejo a USP com novas oportunidades de crescer, pois ainda tenho esperança de que os novos administradores consigam manter o padrão e a qualidade de ensino e pesquisa desta tão conceituada universidade. Missão essa que acho extremamente difícil na atual conjuntura do país”.

Juarez Feliciano da Silva

 - Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Juca agradece a amizade dos colegas e o reconhecimento de seu trabalho – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Com mais ou menos 20 anos de idade, Juarez ficou sabendo por um amigo de uma vaga na USP. Antes disso, trabalhava com publicidade, mas não estava contente. Após uma rápida entrevista, foi contratado e começou a sua função já no dia seguinte.

Entrou na área de limpeza, intercalando seus serviços com manutenção. Depois disso, migrou para a parte de patrimônios da Universidade, com expediente de protocolo, até chegar na área de compras, onde permaneceu até agora.

Juca, como é conhecido, lembra do seu começo, em 1979, quando a SCS ainda era a antiga Coordenadoria de Atividades Culturais (Codac). Ainda com brilhos nos olhos, fala de como cresceu durante o seu tempo de serviço. “Eu era muito jovem quando entrei aqui e não tinha responsabilidade nenhuma. Com o tempo, eu fui amadurecendo e fui ganhando novas oportunidades, até chegar em um cargo de chefia”, recorda.

A proximidade com os outros funcionários sempre foi marcante. Diz ter feito muitos amigos dentro da Universidade e conta que o reconhecimento do seu trabalho foi algo muito especial em sua trajetória. Hoje, Juca sai com o mesmo brilho nos olhos, levando a gratidão pelas oportunidades e experiências que viveu por aqui.

Norimar Donizeti de Freitas

 - Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Depois de 21 anos na USP, Norimar quer fazer um curso de design gráfico para poder continuar na área, como o pai – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Norimar começou a trabalhar na Escola de Enfermagem (EE) em 1987, após um primo lhe contar da oportunidade de emprego dentro da USP, mas saiu logo no ano seguinte. Regressou em 1996 na mesma função de técnico operacional básico e continuou no cargo na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, posteriormente.

Mais tarde, Norimar passou a trabalhar na antiga Codac, como auxiliar gráfico. Seu pai havia trabalhado como gráfico e ficou feliz em saber que o filho seguia na mesma profissão.

Após 21 anos dentro da Universidade, Norimar sai com algumas mágoas. “Muitos reitores passaram enquanto eu trabalhei aqui e, atualmente, estou muito insatisfeito com a gestão. Esse espaço deve ser tratado como um polo educacional, para que as pessoas possam crescer da sua própria maneira”, acredita. Mesmo assim, lembra das amizades que fez nesse tempo e agradece por tudo que pôde aprender.

Prestes a completar cinquenta anos, Norimar conta dos planos para o futuro. Pretende fazer um curso de design gráfico para poder continuar na área, como o pai. Com um sorriso no rosto, afirma que “tem que continuar trabalhando, não pode ficar parado.”

Vera Lúcia Santos Sasso

 - Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Vera conta ter aprendido na USP, do zero, tudo que sabe sobre recursos humanos – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Se não fosse por sua saída, em abril deste ano Vera completaria 31 anos de trabalho dentro da USP. Apesar de ter sido contratada em 1986 para trabalhar na seção de pessoal da Reitoria, ao longo de sua passagem pela instituição, trabalhou em diferentes setores da Universidade, sempre na área de recursos humanos.

Depois de seis anos, foi convidada para trabalhar no Centro de Computação Eletrônica (CCE), onde passou mais um ano. Mas foi na SCS onde se concentrou a maior parte de sua carreira: foram quase duas décadas e meia atuando como chefe de RH até retornar, no ano passado, à Reitoria da Universidade, compondo a equipe técnica do Serviços de Pessoal dos Órgãos Centrais (SPOC) do Departamento de Recursos Humanos.

Vera lembra que o início foi difícil, já que entrou aqui sem saber nada sobre recursos humanos, e que deve à Universidade tudo o que aprendeu. “Aqui eu aprendi tudo: do zero até tudo o que eu sei”, afirma.

Conta, ainda, que conseguiu ensinar muito. Depois de um tempo atuando como chefe de RH na SCS, ainda em sua função passou a fazer parte do Acolhe USP, programa criado para atender membros da comunidade universitária usuários de álcool e outras drogas. Nele, deu assistência não só aos funcionários que precisavam de sua ajuda, mas também às suas famílias.

Da Universidade, Vera diz que vai levar muita experiência. “Na USP eu conquistei minha vida profissional e pessoal. Estou feliz por tudo o que eu alcancei aqui e vou sentir falta”.

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Depoimentos concedidos a Lucas Almeida, Marcella Affonso e Raphael Concli .

 

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