Cidade Universitária se prepara para receber atletas olímpicos

O Cepeusp foi escolhido para aclimatação dos atletas olímpicos e paralímpicos

Por - Editorias: Universidade
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Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Uma profusão de verde, árvores frondosas, gramado aparado, cercas pintadas, trilhas pavimentadas, diversas flores dando um toque colorido, tudo bem cuidado e arrumado com carinho em 514.244 metros quadrados da Cidade Universitária, em São Paulo. É este cenário que os 150 atletas e equipes de apoio das delegações da China, França, Itália e Rússia encontrarão no Centro de Práticas Esportivas (Cepeusp) da USP durante o processo de aclimatação para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016.

A primeira delegação a desembarcar por aqui foi a da China, no dia 23 de julho. O Cepeusp é uma das 170 instalações esportivas brasileiras escolhidas para aclimatação das delegações olímpicas internacionais pelo Comitê Olímpico. O Centro de Práticas Esportivas da USP foi procurado pelas delegações dos países tanto pela qualidade de suas instalações quanto por estar em São Paulo, cidade com vasta rede hoteleira, hospitalar, facilidade de acesso ao Aeroporto de Congonhas, entre outros atributos.

A recepção dos atletas e seleções faz parte do projeto Cepeusp Olímpico, coordenado pelo professor Carlos Bezerra, que vem desde 2011 coordenando as reformas nas instalações do centro esportivo, o que garantiu a escolha da USP para receber as delegações estrangeiras. Após a escolha do Rio de Janeiro, em 2009, como sede dos jogos de 2016, o Cepeusp fez um planejamento sobre sua participação e o enviou para o Comitê Olímpico Brasileiro e para o Comitê Organizador Rio 2016. O projeto foi apresentado durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Londres, em 2012, aos mais de 200 países que estarão presentes no Rio de Janeiro.

De acordo com Bezerra, para que a Cidade Universitária fosse aceita para recepcionar as delegações estrangeiras era preciso que as melhorias já estivessem acontecendo. “Fizemos diversas reformas, como pinturas nas salas da área médica, da fisioterapia e administração, sala de musculação do estádio, vestiários, auditório, entre outros”, afirma.

Na raia olímpica da USP, foi organizada e pintada a garagem dos barcos e a área de embarque e desembarque recebeu rampa de madeira e plataforma flutuante de plástico modular com estrutura integrada.

A maior reforma ocorreu na pista de atletismo, que recebeu piso sintético profissional do tipo emborrachado. Manteve-se o número de seis raias devido à complexidade da mudança para oito raias e, por este motivo, Bezerra diz que a pista só pode receber competições nacionais, uma vez que para o nível internacional é preciso contar com um total de oito raias.

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Olimpíada
Professor Carlos Bezerra de Albuquerque visita o Cepeusp com os voluntários
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Carlos Bezerra de Albuquerque, coordenador do Projeto Cepeusp Olímpico
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Instalações do Cepeusp
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Pista de salto a distância
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Pista de Atletismo
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Equipamentos para exercícios físicos
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Esquipamentos para a prática de exercícios físicos
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Instalações do Cepeusp
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Sala de musculação
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Raia olímpica
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Gaiola para arremesso de peso e martelo
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Instalações do Cepeusp
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Margem da raia olímpica
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Raia olímpica
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Raia é utilizada para treinamento de canoagem
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Sala de Fisioterapia
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Como resultado da candidatura do Cepeusp, equipes de atletismo e canoagem da China, França, Itália e Rússia escolheram realizar suas aclimatações nas instalações do centro.

As delegações da China e da Rússia usarão as instalações da raia olímpica para o treinamento em canoagem. Já a França e Itália realizarão os treinos na pista de atletismo. Para a utilização das instalações do Cepeusp, foram feitos acordos com as Federações dos Esportes e Comitês Olímpicos dos países para contribuir com a manutenção do centro esportivo. Além disso, as delegações da França e da Itália compraram novos materiais para a pista de atletismo e equipamentos de musculação que, depois dos treinamentos, farão parte da estrutura do Cepeusp.

Bezerra cita como exemplo os equipamentos de atletismo: barreiras, dardos, taco de saída e os equipamentos de musculação: barras, anilhas, suporte, pesos etc.

Conheça os dois espaços do Cepeusp que serão utilizados pelos atletas para treinamento:

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Voluntários

O projeto Cepeusp Olimpíco prevê a participação de alunos de graduação e pós-graduação que atuarão como voluntários e serão responsáveis pela recepção dos atletas olímpicos. Entre coordenação e assessoria de coordenação são 12 participantes, que contarão com três alunos voluntários para auxiliá-los.

“Os coordenadores são a ponte entre a equipe de gestão do Cepeusp e as delegações. São responsáveis por recepcionar e acompanhar as delegações durante a estada na USP interagindo, resolvendo o que for surgindo no decorrer dos dias”, afirma Bezerra, e destaca que os alunos receberão certificado de estágio.

O portão de acesso para as delegações será o 21 do Cepeusp, que já contará com os voluntários de prontidão para direcioná-los às instalações esportivas.

Outro destaque do projeto é o envolvimento da comunidade universitária e a troca de experiências e conhecimento com os atletas olímpicos, que podem vir a ser futuros medalhistas. “É uma grande oportunidade para os estudantes da Universidade, que poderão ter acesso direto aos melhores esportistas, a treinadores de ponta e com isso aprender as técnicas utilizadas durante os treinamentos, além do idioma e os diferentes hábitos de vida de cada país”, observa Bezerra.

Apesar de a preparação esportiva ser o foco, o projeto prevê também ações culturais que serão oferecidas pelos consulados da França e da Itália, que ministrarão palestras, cursos com atletas e técnicos das equipes. Conheça alguns dos voluntários da USP que recepcionarão as delegações:

 

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Elson Alves dos Santos entrou em Letras  e decidiu fazer habilitação em uma língua diferente: o chinês. A escolha foi influenciada por ser um idioma que está com o mercado aberto e não tem muitas pessoas fluentes. “Eu costumo dizer que aprender chinês no meu caso foi o ‘pulo do gato’. Vir à USP, aproveitar toda a estrutura da faculdade apenas para falar um idioma, como o inglês, o qual eu posso conseguir em um curso comum, seria pouco proveitoso.”

Além de estudar na USP, Elson também aprende sobre a cultura chinesa em curso promovido pelo Instituto Confúcio da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Nessas aulas, ele descobriu como é o jeito correto de tratar os chineses. “A cultura chinesa é bastante peculiar. Uma das coisas que diferem bastante das características brasileiras é a forma de cumprimentar. Sem muito toque, sem muito abraço e sem beijos. Eles são bem restritos nessa questão.”

Ele ficou sabendo do projeto Cepeusp Olímpico e decidiu participar para praticar o idioma e exercer o que aprendeu em sala de aula. Como é o único do grupo que fala chinês, Elson será coordenador da delegação chinesa e ficará responsável por fazer a comunicação entre os atletas e a coordenação do Cepeusp.

As expectativas de Elson para o início dos jogos são altas. “A marca principal do brasileiro é saber recepcionar as pessoas com sorriso no rosto e espero poder contribuir para cumprir as expectativas que as pessoas de fora têm de nós.”

 

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Maria da Graça Nunes tem 47 anos e faz Letras na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP desde 2013. Na infância, morou por 10 anos na Alemanha, onde teve seu primeiro contato com esportes praticando ginástica artística, mas acabou abandonando os treinos depois de se machucar.

Sua modalidade esportiva preferida é o futebol e suas lembranças do assunto vêm desde quando era criança e ia com o pai e irmã assistir a jogos em estádios. “Eu não pratico nada, então gosto de ver os outros jogando”, diz Maria da Graça.

Em 1989, começou a cursar Arquitetura na USP e trabalhou na área por muitos anos. Desgastada da carreira de arquiteta, ela decidiu tentar algo novo e prestar Ciências Biológicas, mas no meio do caminho mudou de ideia e escolheu Letras com habilitação em alemão.

Foi na faculdade que ela conheceu Elson Alves e tornaram-se amigos. Por indicação dele, ela se candidatou para trabalhar no projeto e juntos irão auxiliar a delegação da China. Maria da Graça se diz tranquila para o início da Olimpíada no Rio de Janeiro. “Não tenho mais idade pra ficar na ansiedade.”

 

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Tomoaki Ashino veio de Tóquio, no Japão, para estudar Letras na USP. Ele já era um grande fã do samba e do Carnaval brasileiro e ficou ainda mais motivado depois de conhecer nipo-brasileiros e perceber que eles eram muito “animados e receptivos”.

Ele chegou ao Brasil em fevereiro deste ano e no começo sentiu dificuldade em se inserir socialmente. “Na primeira vez que eu participei de uma festa, não consegui me adaptar porque os brasileiros gostam de dançar e beijar muito. No Japão, não é comum beijar em área pública.”

Quando estava no Japão, ele era envolvido com esportes e praticava atletismo e natação. Logo que chegou ao Brasil, entrou na equipe de atletismo da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e ganhou uma competição chamada Intercolonial, em que concorrem descendentes de japoneses.

Ashino decidiu participar do projeto Cepeusp Olímpico para entender como funcionam os treinos de atletismo de seleções de alto nível para assim melhorar seus próprios treinos. Como meta, ele pretende continuar treinando até o final do ano para ganhar uma competição em que participam outras faculdades da USP.

Ele ainda vai ficar no Brasil até janeiro de 2017 para passar a virada de ano no País. “Ouvi dizer que tem fogos de artifício.”

 

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Rene Fender tem 25 anos e se formou em Esporte em 2015 na Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP. Ele sempre gostou de esportes e quando era mais novo tentou ser jogador de futebol, o que acabou não dando certo. Decidiu então se envolver com a carreira acadêmica e se especializar na gestão esportiva.

Ele é membro do Grupo de Estudo e Pesquisa em Gestão do Esporte (Gepae) da USP e, por meio dele, ficou sabendo do projeto Cepeusp Olímpico. Rene viu na Olimpíada uma oportunidade de observar de perto como funciona toda a estrutura de um evento esportivo desse porte e então decidiu se inscrever.

Quando fez intercâmbio na Inglaterra, conheceu alguns franceses que o ensinaram um pouco sobre a cultura, e agora esse conhecimento será aproveitado quando Rene for coordenador da delegação francesa.

“Estou bastante motivado e esperançoso de conseguir conhecimento com os atletas e a comissão técnica que vão trabalhar aqui com a gente. Vai ser uma experiência agradável para o currículo profissional e para a vida pessoal”.

 

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Renan Rodrigues de Souza, de 19 anos, é aluno de Engenharia de Computação da Escola Politécnica (Poli) da USP. Por não levar muito jeito com atividades que envolvem bola e água, seu professor do ensino médio o incentivou a praticar atletismo por ser diferente dos outros esportes.

Assim que entrou na USP, ele entrou na equipe de atletismo da Poli e começou a ir aos treinos. “Eles são muito dedicados e a equipe é bem unida. Até os mais velhos estão lá para ajudar os iniciantes”, diz Renan. Depois começou a participar de competições como Torneio Universitário de Atletismo (Tuna), InterUSP, Jogos da Liga e Copa USP.

Ele ficou interessado em ser voluntário quando descobriu que as equipes da Itália e da França iriam treinar na pista de atletismo e essa seria a oportunidade de conhecê-las sem precisar ir para a Olimpíada no Rio.

Sobre as expectativas para o começo dos jogos olímpicos, Renan diz que espera que seja uma competição legal de assistir e participar. “Não quero necessariamente que o Brasil ganhe, mas sim que todas as competições sejam de alto nível”, completa.

 

Treinos no centro esportivo

Segundo o coordenador do projeto Cepeusp Olímpico, Carlos Bezerra, a participação da USP será de uma forma integrada, com a ajuda das unidades e órgãos. A área de musculação, a piscina e um auditório da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) também serão usados por algumas delegações; a Prefeitura do Campus da Capital (PUSP-C) apoiará na logística; a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) ajudou a selecionar alunos do curso de Letras, na habilitação em chinês, para recepcionar a delegação chinesa.

Além disso,o  Exército, a Polícia Militar e a Guarda Universitária da USP vão colaborar com a segurança dos atletas no campus.

Os treinos dos atletas olímpicos na USP serão abertos para que professores, alunos e funcionários da Universidade possam assisti-los. No entanto, durante esse período, a pista de atletismo e a raia olímpica serão exclusivas para o uso das delegações; os frequentadores do Cepeusp poderão utilizar apenas as demais áreas para a realização de exercícios físicos.

Mapa da USP - Foto: Divulgação/PUSPC
A entrada para o Cepeusp, onde se encontram as instalações para a aclimatação dos atletas, pode ser feita pela Portaria 1 da Cidade Universitária

 

Confira o período que as delegações treinarão na Cidade Universitária:

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Cepeusp

Localizado na Praça 02, Prof. Rubião Meira, 61 – Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira (Cuaso), o Cepeusp foi criado em 1975 e oferece à comunidade universitária (alunos, docentes, funcionários e seus dependentes) programas de educação física, esporte, recreação e oportunidade de prática de atividades físicas, visando ao bem-estar, à melhoria da qualidade de vida e à sua integração, estendendo-os à comunidade externa na medida de suas possibilidades.

Foto: Marcos Santos / USP Imagens

A atual infraestrutura do Cepeusp deve muito aos Jogos Pan-Americanos que seriam realizados em São Paulo, no ano de 1975. Com a necessidade de aumentar a oferta de instalações, surgiram recursos para a construção das quadras cobertas, do velódromo e do estádio, tudo dentro dos padrões olímpicos da época, mas os jogos não aconteceram na cidade devido a um surto de meningite, ocorrido em 1974. A pista de atletismo, inaugurada em 21 de outubro de 1972, foi reformada e reaberta em 8 de junho de 2013.

Com uma área de 514.244 metros quadrados, dispõe de uma infraestrutura com equipamentos para a prática de diversas atividades físicas e esportivas, como conjunto aquático, estádio, campos de futebol, campo de futebol de areia, espaço multiuso, vestiários, lanchonete, pista de atletismo, velódromo, quadras externas e cobertas, quadras de tênis e raia olímpica.

Textos: Izabel Leão e Carina Brito, com informações da Assessoria de Imprensa da USP
Arte: Pedro Bolle
Foto: Marcos Santos / USP Imagens

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