Alunos usam tecnologia para melhorar a gestão pública

Durante 24 horas, eles trabalharam na criação de softwares para solução de problemas da USP e de outras instituições

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Hackathon teve como tema soluções para problemas de governos nesta edição - Foto: Reprodução
Hackathon teve como tema soluções para problemas de governos nesta edição – Foto: Reprodução

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A inovação é uma das principais razões da existência da universidade, sobretudo a pública. Para incentivar  e aumentar o empreendedorismo entre os alunos, são criadas ações como o HackathonUSP. Um evento organizado pelo IME Workshop, do Instituto de Matemática e Estatísca da USP e o Núcleo de Empreendedorismo da USP (NEU), com apoio da Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP).

Nos dias 5 e 6 de novembro, o Hackathon USP realizou a sua segunda edição. O tema explorado foi e-Governance, isto é, encontrar novas formas de melhorar a administração pública através de um protótipo de software e/ou hardware. Foram inscritos um total de nove projetos, cujos participantes estudam em quatro diferentes campi da USP de sete unidades, tanto na graduação como na pós. Para a premiação, os projetos foram divididos em três diferentes categorias: Ética em Pesquisa, Eficiência e Desburocratização e Transparência e Combate à Corrupção.

O título de grande vencedor geral ficou por conta do Moritõ, um sistema de horizontalização do debate político universitário e facilitador da participação ativa de todos os estudantes e funcionários da USP. Ele também foi o melhor avaliado na categoria Eficiência e Desburocratização. Pelo programa, todos da comunidade USP poderiam interagir entre si compartilhando notícias e debates, acompanhando as metas e objetivos traçados pela Reitoria no plano de metas. Paralelamente a um sistema de votação de qualquer tipo de proposta, permitindo maior participação de alunos em decisões dos CAs (Centros Acadêmicos), DAs (Diretórios Acadêmicos) ou DCE (Diretório Central dos Estudantes).

Alunos responsáveis pelo Moritõ, grande vencedor - Foto: Reprodução
Alunos responsáveis pelo Moritõ, grande vencedor – Foto: Reprodução

“Eu sugeri fazermos um sistema de votação on-line, pois acredito que muitos estudantes da USP acabam sendo excluídos das assembleias e votações, e se sentem pouco representados”, conta Beatriz Vianna, uma das integrantes da equipe do Moritõ e estudante de graduação no IME, assim como Carlos Igor Leite Cordeiro da Silva e Guilherme Moura Ignácio, além do pós-graduando da Escola Politécnica (Poli) Christoffer Santos.

De acordo com Beatriz, a equipe inseriu um sistema de participação política para os alunos em que, além da votação, poderiam acompanhar as notícias da Universidade e manifestar sentimentos em cada uma delas (“gostei” ou “não gostei”) e ver qual a porcentagem da comunidade USP estava satisfeita ou não com aquela notícia.

“E juntamente com cada votação seria feita uma espécie de ’assembleia virtual’, na qual todos os alunos poderiam participar do debate, anexar notícias sobre o tema, entre outras coisas. Acredito que esse acabou sendo o diferencial entre o nosso projeto e os outros dois projetos de votação on-line.”

PALP

Representando o interior, a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (Fearp) tinha dois membros dentro do projeto vencedor da categoria Transparência e Combate à Corrupção. Gabriel Britto, Renan Antônio da Rocha e Ricardo Vizzoto Stage estiveram juntos de Erick Takeshi Rezende, da Escola Politécnica, na elaboração da PALP (Plataforma de Acompanhamento de Licitações Públicas (PALP), que tem como finalidade fiscalizar o andamento de obras públicas, desde a assinatura do contrato de licitação até a previsão atual de término e fotos atuais das obras.

Um importante contribuidor para a elaboração da PALP foi o Nexos, uma organização estudantil da Fearp fundada este ano por alunos do curso de Economia Empresarial e Controladoria, e que tem como objetivo fomentar o interesse em gestão pública entre a comunidade acadêmica da USP em Ribeirão Preto, bem como realizar projetos que melhorem a eficiência do setor público e proporcionar a melhora da qualidade de vida da população ribeirão-pretana.

Segundo Gabriel Brito, um dos criadores da PALP, existem planos de se tentar implementar o projeto a partir do ano que vem e que, para isso, pensam em melhorias para a plataforma. Os principais empecilhos se relacionam à falta de recursos financeiros, necessários sobretudo para desenvolver um site completo, que esteja interligado com os portais das transparências, fontes de dados para a PALP.

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Alunos de São Paulo e Ribeirão Preto que desenvolveram a PALP – Foto: Reprodução

Pesquisaqui

Na categoria de Ética em Pesquisa, a melhor solução proposta foi o Pesquisaqui, uma ferramenta na qual seriam solucionados os problemas de acesso às informações dos pesquisadores da USP. Além disso, a ferramenta também se propõe a integrar melhor os pesquisadores dentro da própria USP, através de um repositório de dados com informações sobre pesquisas e ferramentas sociais que ajudem na integração dentro da Universidade por meio de busca por áreas de interesse, por exemplo. Os criadores do projeto são Guilherme Micheline, Ivan Bolis, João Ribeiro Soares e Ricardo Lemos.

A equipe do Aprendética recebeu menção honrosa pelo projeto Jogo de Perguntas, com o objetivo de facilitar o acesso às informações aos pesquisadores em relação a dúvidas frequentes sobre técnicas em pesquisa. Os membros são Breno Helfstein Moura, Caio Lopes, Pedro Pereira e Raphael Gusmão.

Para desenvolvimento das soluções vencedoras nas três categorias e da equipe que recebeu menção honrosa, o Núcleo de Empreendedorismo da USP irá incubar esses projetos durante os próximos três meses, a partir de acompanhamento por meio de workshops e sessões de mentorias com startups da rede.

Os Hackathons são maratonas de programação em que hackers se reúnem por 24 horas e procuram desenvolver softwares e hardwares. Esse tipo de competição já existe desde o final dos anos 1990 nos Estados Unidos e no começo da década se popularizou no Brasil. O NEU e o IME Workshop têm trabalhado para realizar eventos como este na USP. Segundo os participantes, a experiência foi muito boa e eles recomendam a participação nas atividades mesmo que somente pela experiência.

“Eu por pouco não me inscrevi no Hackathon, por achar que não tinha o conhecimento técnico necessário, mas quando cheguei lá descobri que tem muitas outras habilidades tão ou mais importantes que essa. Aprendi muito e a experiência teria valido a pena mesmo que a gente não tivesse ganhado nada”, conta Beatriz.

Ela também enxerga com bons olhos a implementação do projeto: “Eu, particularmente, tenho muita vontade de implementar, acho que a tecnologia tem muito a ajudar na articulação política na Universidade. A política hoje está muito polarizada, e acho que seria fundamental ter esse espaço onde diferentes pessoas com diferentes ideias possam trocar e debater; todos os lados só têm a ganhar se o diálogo for possível.”

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