Nos cuidados paliativos o foco é a qualidade de vida

O Saúde sem Complicações entrevista o médico André Filipi Junqueira Santos sobre cuidados paliativos

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O Saúde sem Complicações desta semana entrevista o médico André Filipi Junqueira Santos que é coordenador do Serviço de Cuidados Paliativos da Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) da USP.

O médico fala sobre cuidados paliativos. A palavra paliativo vem do latim pallium, que significa proteção e era usado entre os Cavaleiros das Cruzadas que usavam mantos (pallium) para se protegerem dos caminhos que passavam. Mas o sentido do cuidado paliativo surgiu com a médica Cicely Saunders que iniciou o cuidado de pacientes com doenças terminais na década de 60, na Inglaterra.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tratamento promove a qualidade de vida do paciente quando a doença ameaça a continuidade da vida. O médico conta que o foco do trabalho é a prevenção e o alívio dos sofrimentos físico, psicológico e espiritual. No HCFMRP a atuação é de forma inter e multidisciplinar com profissionais da psicologia, serviço social, líder religioso. São duas equipes: da emergência e do atendimento à domicílio e consultas. Segundo o médico é preciso pensar no componente holístico no atendimento desses pacientes.

Santos ressalta que qualquer pessoa com doença sem cura pode receber os cuidados, como, por exemplo, aqueles com câncer em fase de metástase ou mal de Alzheimer, mas a intensidade do tratamento pode variar. “Por isso, o tratamento baseia-se na melhora da qualidade de vida e controle dos sintomas nos últimos meses ou anos de vida do paciente”.

Os cuidados paliativos também reduzem custos, afirma, quando o tratamento acontece no início da doença pode evitar tratamentos que prolongam a vida sem qualidade.  “A redução de custo é secundária, deve-se sempre alinhar as vontades do paciente aos procedimentos necessários. Por isso é preciso analisar individualmente cada caso para atender os objetivos de vida”.

O profissional lembra que o cuidado também deve se estender à família, e  mudar a relação do paciente com a entes e até com a instituição de saúde. “Na doença de Alzheimer, por exemplo, a família às vezes precisa mais de atenção do que o doente em si”, conta. Ele revela que pesquisas mostram que os doentes têm mais medo do sofrimento dos familiares do que da morte.

Santos foi o primeiro médico brasileiro premiado pela Sociedade Americana de Oncologia. A escolha levou em consideração a produção científica e o impacto do trabalho do médico na área de cuidados paliativos. O prêmio International Development and Education Award in Palliative Care (IDEA-PC) foi entregue, em Chicago, pela Conquer Cancer Foundation da American Society of Clinical Oncology (ASCO). Os premiados pela ASCO têm a oportunidade de conhecer outros centros de cuidados paliativos nos Estados Unidos. O brasileiro conheceu o da  Universidade de Stanford, na Califórnia.

 

Por: Giovanna Grepi

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