Grupo que participou da Revolta dos Marinheiros tem sua trajetória revisitada

Historiador recupera a trajetória de um grupo de marinheiros, desde a participação na Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil (AMFNB) até a participação em grupos que lutaram contra a ditadura

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Nesta edição do podcast Os Novos Cientistas o historiador Flávio Luís Rodrigues conta como realizou o estudo de doutorado Marinheiros contra a ditadura brasileira: AMFNB, prisão, guerrilha – nacionalismo e revolução? Na pesquisa, que foi defendida na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, Rodrigues traça a trajetória de um grupo de marinheiros que integrou a diretoria da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil (AMFNB), que protagonizou a Revolta dos Marinheiros, às vésperas do Golpe de 1964.

“Naquele feriado de Semana Santa, os diretores da entidade organizaram uma confraternização, ‘banhada a guaraná e pão com mortadela’, para comemorar o segundo aniversário da AMFNB. No entanto, o que era para ser uma festa acabou se tornando um protesto, onde os cerca de 1.500 presentes reivindicavam, além do reconhecimento da entidade, melhores condições nos navios, o desconto dos associados no holerite e a desobrigação de andarem uniformizados quando não estivessem em serviço”, descreve o autor.

Mais tarde, depois de expulsos da Marinha e condenados pela Justiça Militar, alguns integrantes do grupo, que o historiador denomina como “coletivo”, fizeram parte de movimentos guerrilheiros contra o Golpe de 1964. Segundo Rodrigues, o levantamento permitiu detectar um anacronismo da parte de alguns historiadores e jornalistas ao escreverem sobre os acontecimentos de março de 1964: conhecedores do que se tornaria no futuro o presidente da Associação, José Anselmo dos Santos, vulgo “Cabo Anselmo”, que fez um acordo com o delegado do Dops, Sérgio Paranhos Fleury, no início da década de 1970, para se infiltrar e destruir as organizações guerrilheiras; esses escritores, ao associarem as atividades da AMFNB ao futuro de Anselmo condenaram, no entanto, todo o passado da AMFNB, minimizando o fato de que ali se desenvolveu uma mobilização extremamente ativa .

O podcast Os Novos Cientistas vai ao ar toda quinta-feira, às 8 horas, dentro do Jornal da USP no Ar, que é apresentado diariamente pela jornalista Roxane Ré (das 7h30 às 9h30) na Rádio USP FM (93,7 MHz).

Ouça a íntegra do podcast.

 

 

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