USP inaugura Praça Milton Santos na Cidade Universitária

A criação da Praça foi aprovada por unanimidade pelo Conselho Universitário, em setembro deste ano

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No centro da praça, a intervenção de Regina Silveira representa múltiplas pegadas humanas – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Foi inaugurada, no dia 12 de dezembro, a Praça Milton Santos, localizada na Cidade Universitária “Armando de Salles Oliveira”, em São Paulo.

A criação da Praça foi aprovada por unanimidade pelo Conselho Universitário, em setembro deste ano. O geógrafo Milton Santos (1926-2001) foi professor titular do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), onde lecionou Geografia Humana de 1983 a 1997, e da qual recebeu o título de professor emérito. Considerado como um dos principais pesquisadores de sua área, destacam-se, em sua obra, os estudos sobre a urbanização nos países subdesenvolvidos.

O novo espaço está localizado junto às instalações do novo centro de pesquisa Inova USP, nas proximidades da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA), do Centro de Difusão Internacional (CDI) e do Instituto de Relações Internacionais (IRI). Anteriormente, o local abrigava o Núcleo de Consciência Negra, que, ao ser transferido para uma nova sede, sugeriu a homenagem ao professor.

O projeto foi elaborado pela artista plástica e professora da Escola de Comunicações e Artes (ECA), Regina Silveira. Regina criou a obra “Mundo”, um labirinto formado por murtas que convergem para o centro da praça, onde se localiza uma intervenção no piso com representação de múltiplas pegadas humanas.

Segundo Regina, “Mundo seria um bom título para o território das  narrativas possíveis de articular entre os labirintos plantados e as pegadas ficcionais. Mas Mundo é também uma denominação simples e abrangente para se referir ao alcance da visão e à vastidão da mente deste grande geógrafo-filósofo que foi Milton Santos”.

Autoridades no descerramento da placa de inauguração da Praça Milton Santos – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Simbolismo

A cerimônia teve início com a apresentação do grupo “Ilú Obá De Min”, coletivo de tambores e corpo de baile com a participação exclusiva de mulheres.

Em seguida, a professora do Departamento de Geografia da FFLCH, María Mónica Arroyo, que foi aluna e orientanda de Santos, enfatizou, em seu discurso, a contribuição do professor na “interpretação substantiva da realidade”. “Sua obra e a história de sua vida nos permitem elucidar caminhos na construção de utopias. Como ele sempre dizia: coragem!”, afirmou Mónica.

A fundadora do Núcleo de Consciência Negra, Jupiara Castro, destacou que a homenagem foi “o primeiro reconhecimento institucional do papel de Milton Santos na compreensão da multirracialidade deste país”.

A viúva de Santos, Marie-Hélène Tiercelin dos Santos, emocionada, também agradeceu o reconhecimento a “este intelectual brasileiro e cosmopolita, que contribuiu para o desenvolvimento das ciências humanas no Brasil”.

“Este é um momento muito feliz para nossa Universidade, em função do simbolismo que esta inauguração carrega”, comemorou o reitor da USP, Marco Antonio Zago. “Esta praça representa dois temas caros a Milton Santos – espaço e encontro de pessoas”, considerou.

Apresentação de grupo afro Ilú Obá De Min, na cerimônia de inauguração da Praça Milton Santos – Foto: Marcos Santos/USP Imagens
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