USP debate a avaliação como ferramenta para o planejamento estratégico

No encontro, foram discutidos os métodos e a importância da avaliação institucional para conhecer a realidade da Universidade e adequar as ações que estão sendo planejadas com os resultados almejados.

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Durante o encontro, as Pró-Reitorias tiveram a oportunidade de apresentar os indicadores que poderão ser adotados em suas áreas

Foi realizado, no dia 24 de novembro, no auditório da Faculdade de Economia e Administração (FEA), o 6º Encontro de Avaliação Institucional da USP, organizado pela Comissão Permanente de Avaliação (CPA). O encontro reuniu dirigentes da Universidade para discutir métodos e a importância da avaliação institucional como fonte de informações para conhecer a realidade da Universidade e adequar as ações que estão sendo planejadas com os resultados almejados.

O vice-reitor e presidente da Comissão Permanente de Avaliação (CPA), Hélio Nogueira da Cruz, apresentou a versão preliminar do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) de 2012-2017, elaborado pela Comissão. O Plano define a missão e a visão da instituição, orientando as estratégias que devem ser adotadas para se atingir os objetivos e integrando recursos e esforços para definir os projetos de longa duração dentro da Universidade.

A premissa que norteia as discussões sobre o planejamento da Universidade é a transformação da USP em uma “Universidade de Classe Mundial”, que contribua para o avanço da ciência, da tecnologia e da cultura para a melhoria da qualidade de vida e o desenvolvimento socioeconômico e sustentável do país.

“Com a expansão da economia, não podemos nos privar de crescer e corresponder às expectativas da sociedade, porém, a pergunta que deve ser feita agora é se devemos crescer horizontalmente, aumentando o número de vagas oferecidas, ou se devemos crescer verticalmente, melhorando a qualidade do ensino e da pesquisa aqui desenvolvidos”, afirmou o vice-reitor, durante o encontro.

Indicadores

A programação do período da manhã teve início com a palestra da  professora chilena, Maria Josefina Lemaitre Del Campo, sobre avaliação interna e sua importância para a gestão da qualidade.

Em seguida, as Pró-Reitorias tiveram a oportunidade de apresentar os indicadores que poderão ser adotados em suas áreas. A pró-reitora de Graduação, Telma Maria Tenório Zorn, ressaltou a importância da discussão sobre a avaliação, o planejamento das ações, a construção de indicadores e análise da eficiência das ações, sem descuidar das consequências advindas desse processo.

“Sem consequências, o processo de avaliação perde força. É necessário considerar os resultados e tomar as medidas para corrigir desvios, sempre em busca da qualidade e da eficiência”, avaliou a pró-reitora. Para a coleta de dados e construção de indicadores, a graduação tem à sua disposição os dados da Fuvest, do sistema Júpiter e do Sistema Integrado de Indicadores da Graduação (Siga).

Já o pró-reitor de Pós-Graduação, Vahan Agopyan, afirmou que sua área procura não só manter a boa avaliação que tem conseguido da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), mas também ajustar-se aos padrões internacionais, buscando o reconhecimento de grandes universidades e órgãos de avaliação do exterior. “Para alcançar essas metas, são necessárias mudanças como a intensificação da internacionalização e o aumento do apoio aos programas de pós-graduação”, disse. “Também é preciso que a Pós-Graduação da USP contribuía diretamente para a formação de profissionais altamente qualificados, daí a importância de preparar nossos alunos para se tornarem líderes em suas áreas de atuação. O acompanhamento do desempenho de nossos egressos é um forte indicador do impacto que a pós-graduação tem nesse sentido”, acrescentou.

Muito embora a Pró-Reitoria de Pesquisa adote os mesmos critérios de avaliação das agências de pesquisa, a criação de alguns indicadores está sendo estudada como a formação de pesquisadores, como a contribuição destes para a gestão científica como realização de eventos e a participação em grupos de pesquisa, o número de bolsas obtidas e o montante de recursos captados provenientes das agências de pesquisa e empresas privadas, conforme apresentou a pró-reitora adjunta Belmira Oliveira Bueno.

De acordo com a representante da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária, Marina Yamamoto, propõe-se que, no âmbito dessa Pró-Reitoria, a avaliação seja feita a partir de quatro níveis distintos: docentes, avaliados pela quantidade de publicações, participação em seminários, núcleos de pesquisa e produção cultural; a Unidade, avaliada pelo envolvimento em atividades e projetos culturais, existência de cursos de extensão e apoio financeiro dado a tais atividades; a própria Pró-Reitoria de Cultura, pela quantidade de órgãos a ela ligados, pelo número de projetos e programas, e pelo acompanhamento das atividades realizadas; e a USP como um todo, reunindo todos esses indicadores e acrescentando os dados dos museus estatutários.

O encontro reuniu dirigentes da Universidade para discutir métodos e a importância da avaliação institucional

Os trabalhos do período da tarde foram iniciados com a apresentação do pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, Simon Schwartzman, que falou sobre o Plano Nacional de Pós-Graduação 2011-2020. Durante sua explanação, Schwartzman salientou o importante papel da avaliação da Capes para o sistema de pós-graduação, mas com a ressalva de que o modelo precisa ser reformado. “É preciso pensar no processo de transição desse modelo para um sistema mais aberto”, considerou.

Segundo ele, há, no Brasil, um predomínio dos programas acadêmicos em detrimento aos mestrados profissionais, por exemplo. “Em outros países do mundo, o mestrado prepara o profissional para o mercado”, expôs. “No Brasil, a principal função do sistema de pós-graduação parece ser a de se autoalimentar”, afirmou.

Dentre outros dados que apresentou, Schwartzman mostrou o baixo número de patentes registradas no Brasil, que “revela o isolamento da pesquisa brasileira do mercado produtivo”, e o mercado de trabalho dos doutores titulares, que se concentra majoritariamente na educação,com 66% deles atuando nesse segmento.

O professor do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) e pró-reitor de Pesquisa no período de 2001 a 2005, Luiz Nunes de Oliveira, fez uma comparação de indicadores específicos e posições da USP com três universidades estrangeiras (Universidade de Copenhague, Rutgers University e Universidade de Tohoku) em três rankings internacionais: Academic Ranking of World Universities (ARWU), QS Top Universities e Times of Higher Education. Segundo ele, não é possível se entender esses rankings tendo como análise única a série temporal.  “O ouro está no detalhe e na comparação com as outras universidades”, advertiu.

O vice-reitor encerrou a parte expositiva do encontro apresentando um histórico da avaliação institucional na USP, ressaltando a aproximação dos trabalhos da CPA com a Comissão de Planejamento da Universidade, a qual também preside, e o início das próximas etapas do processo de avaliação com o desenvolvimento do PDI, que contemplará os próximos cinco anos. Em seguida, foi aberto espaço para as perguntas e o debate entre os participantes.

(Fotos: Ernani Coimbra)

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