Prêmio Nobel recebe título de Doutor Honoris Causa da USP

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O geneticista britânico Oliver Smithies, durante a cerimônia de outorga do título de Doutor Honoris Causa

 

 

Em sessão solene do Conselho Universitário, o geneticista britânico Oliver Smithies foi homenageado, nesta quinta-feira, 18 de setembro, com o título de Doutor Honoris Causa, pela Universidade de São Paulo. O evento fez parte das comemorações dos 75 Anos da Instituição.

 

O professor Smithies, 128º homenageado com o título pela USP, teve sua indicação feita pelo professor Marcos Boulos, diretor da Faculdade de Medicina. Foi o próprio Boulos, em vestes talares semelhantes às do professor de Patologia e Medicina Experimental na Universidade da Carolina do Norte, quem o acompanhou até a mesa principal da Sala do Conselho Universitário.

 

Em pé, esperavam pelo homenageado a reitora Suely Vilela, a pró-reitora de Graduação, Selma Garrido Pimenta, o pró-reitor de Pós-Graduação, Armando Corbani Ferraz, o pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária, Ruy Alberto Corrêa Altafim, e a secretária-geral, Maria Fidela de Lima Navarro.

 

Durante a cerimônia de outorga do título de Doutor Honoris Causa a Oliver Smithies, prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia em 2007, o homenageado fez a leitura do chamado Termo Responsivo: “Diante da Magnífica Reitora da Universidade de São Paulo, Profa. Dra. Suely Vilela, dos Membros do colendo Conselho Universitário, das autoridades e do público presente, eu, Oliver Smithies, declaro aceitar o honroso título de Doutor Honoris Causa da Universidade de São Paulo, prometendo honrar este título e grau que me são outorgados”.

 

Em seu discurso, a reitora Suely Vilela deu a dimensão do que representou a homenagem: “O Conselho Universitário, ao aprovar a concessão do título de Doutor Honoris Causa ao cientista Oliver Smithies, reitera o seu reconhecimento à importância capital da integração de pesquisadores renomados à Universidade, promovendo o intercâmbio, fundamental, na geração do conhecimento”.

 

É consenso considerar a obra científica de Smithies como de grande relevância para o progresso das ciências e para a humanidade. Ele diz que seus interesses científicos são aqueles vinculados à elaboração de modelos animais de doenças complexas humanas, facilitando o estudo genético e patológico necessários ao aperfeiçoamento de abrodagens terapêuticas originais, incluindo a terapia gênica.

 

Junto com Mario Capecchi e Martin Evans, também vitoriosos do Nobel 2007, Oliver Smithies descobriu os princípios que viabilizaram a criação de camundongos geneticamente modificados por meio da manipulação genética de céluas-tronco embrionárias por recombinação homóloga, processo que permite a modificação genética de animais para pesquisa. Smithies também é o inventor do gel de eletroforese para separação de moléculas como os ácidos nucléicos e proteínas, utilizado em laboratórios de bioquímica e biologia molecular em todas as partes do mundo.

 

Smithies precisou retirar o fone de ouvido, por meio do qual acompanhava as falas na cerimônia em tradução simultânea, para ajustar melhor o capelo entregue pela reitora Suely Vilela. Conhecido pelo seu carisma e temperamento alegre, o professor fez de seu discurso na cerimônia um ponto de encontro com reminiscências essenciais, ele que é oito anos mais velho do que a própria USP.

 

Lembrou-se do pai, vendedor de seguros, que contava com a ajuda do filho Oliver para eventuais consertos no carro da família, ferramenta essencial para ganhar a vida e que não primava pela modernidade. A mãe era estudiosa do idioma inglês. Dela, o futuro pesquisador herdou uma compreensão mais tradicional da língua e a admiração pela obra do escritor, filósofo e diplomata Geoffrey Chaucer, autor de Contos da Cantuária e considerado um dos pais da língua inglesa.

 

Também foi alvo de suas lembranças um de seus professores, que formou, além do próprio Smithies, mais um laureado com o Nobel. “Ele falava que os cientistas, que sempre estão em busca do que é verdadeiro, formam mais do que um grupamento de relações muito estreitas. Formam, na verdade, uma comunidade muito especial”.

 

 

(Crédito da foto: Ernani Coimbra)

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