Novo reitor toma posse ressaltando desafio de revisar a governança

No dia em que a USP comemora 80 anos de fundação, Marco Antonio Zago toma posse com o compromisso de aumentar a contribuição da USP para a sociedade, modificar gestão de recursos financeiros e repactuar as relações internas.

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Mais de 900 convidados lotaram o auditório “Ulisses Guimarães”, no Palácio dos Bandeirantes

No dia em que a USP comemora 80 anos de fundação, Marco Antonio Zago toma posse com o compromisso de aumentar a contribuição da USP para a sociedade, modificar gestão de recursos financeiros e repactuar as relações internas

Mais de 900 convidados, entre autoridades, dirigentes, docentes, funcionários e alunos da Universidade, lotaram o Auditório “Ulisses Guimarães”, no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, para assistirem à posse do novo reitor da Universidade, Marco Antonio Zago, e do novo vice-reitor Vahan Agopyan. A cerimônia teve início com a entrada dos membros do Conselho Universitário, conduzindo os novos dirigentes, e a execução, pela Orquestra Sinfônica da USP (Osusp), da obra “Trumpet Voluntary“. Em seguida, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, abriu oficialmente a sessão solene.

O diretor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), Sergio Adorno, fez a saudação em nome do Conselho Universitário. “A posse de novos dirigentes universitários é sempre um momento de inflexão. Cuida-se é certo de refletir a respeito dos avanços conquistados, dos desafios enfrentados, das promessas que ainda não puderam ser cumpridas. Mas, é igualmente a oportunidade para que expectativas sejam renovadas e reafirmadas. Este é, antes de tudo, um momento verdadeiramente singular, pois a nova Reitoria toma posse justamente quando a USP completa 80 anos de existência e, a cidade de São Paulo, 460 anos. Comparada com outras Universidades europeias e da América do Norte, a USP é ainda muito jovem. Tem muitas tarefas e desafios pela frente”, ressaltou o diretor.

“O Conselho Universitário deseja a Vossa Magnificência a energia e firmeza para cumprir seu programa de gestão e governabilidade da USP”, afirmou o diretor da FFLCH, Sergio Adorno

“Todos sabemos que Vossa Magnificência reúne todas as qualidades intelectuais para enfrentar os imensos desafios que se encontram à frente. Conhecemos também sua exitosa experiência como gestor acadêmico demonstrada nos cargos que ocupou. A confirmação nas urnas acadêmicas e seu reconhecimento pela maior autoridade do Estado de São Paulo são expressões inquestionáveis de seu prestígio e aceitação tanto no interior quanto no exterior da comunidade uspiana. Ao mesmo tempo, esses méritos colocam sob suas mãos o desafio de governar a USP em uma era de profundas transformações e adversidades.  O Conselho Universitário deseja a Vossa Magnificência a energia e firmeza para cumprir seu programa de gestão e governabilidade da USP”, finalizou Adorno (acesse aqui a íntegra da saudação).

Após a saudação, Zago fez a leitura do termo de compromisso e assinou o termo de posse. A etapa seguinte foi a transmissão das vestes talares e do colar reitoral, que foi realizada pelo vice-reitor Hélio Nogueira da Cruz ao novo reitor. Na ocasião, o vice-reitor Vahan Agopyan também foi empossado oficialmente.

O vice-reitor Hélio Nogueira da Cruz (à direita) faz a transmissão das vestes talares ao novo reitor

80 anos da USP

Como primeiro ato administrativo como novo dirigente da Universidade, Zago assinou a portaria nº 6500, que cria a Comissão Coordenadora das Comemorações dos 80 anos da USP, presidida pelo reitor José Goldemberg (período 1986-1990). A Comissão é formada pelo reitor Jacques Marcovitch (período 1997-2001) e pelos professsores Erney Felício Plessmann de Camargo, Alfredo Bosi, além do diretor presidente do Grupo Estado, Francisco Mesquita Neto. Dois membros deverão ser indicados pelo Conselho Universitário. Também será criada a Comissão Executiva das comemorações, que deverá será integrada por membros da comunidade universitária sugeridos pela Comissão Coordenadora.

“Este aniversário é ainda mais especial porque assume hoje seu cargo o novo reitor da USP e a posse de um reitor só coincide com um decênio do aniversário da criação da USP a cada 20 anos. Só teremos outra ocasião como esta em 2034 no centésimo aniversário de fundação da USP. Decorridos 80 anos, a pergunta a fazer é se a USP cumpriu os objetivos para os quais foi criada. Onde acertamos e onde erramos? Em outras palavras, o que há a comemorar?”, avaliou Goldemberg, em seu discurso. Segundo ele, a Comissão designada para coordenar as atividades que marcarão os 80 anos da USP terá como principal objetivo se debruçar sobre os principais problemas enfrentados pela Universidade,”promovendo um debate vivo, inclusive com convidados do Exterior, que nos estimulem a lutar para resolvê-los” (acesse aqui a íntegra do discurso).

Goldemberg: “Decorridos 80 anos, a pergunta a fazer é se a USP cumpriu os objetivos para os quais foi criada. Onde acertamos e onde erramos? Em outras palavras, o que há a comemorar?”

Mudanças e coesão

Após a fala de Goldemberg, o novo reitor enfatizou, em seu discurso, os compromissos da Universidade. “A USP não se furtará às suas responsabilidades. Mas, há que reconhecer que ela encontra-se hoje sob fortes pressões originadas de fora e de dentro dela mesma. Ameaças e pressões, por si só, não são intrinsecamente negativas, pois podem representar oportunidades de mudanças e de construção de maior coesão”, afirmou.

“Temos que reagir, temos que enfrentar esses desafios, de três formas distintas: primeiramente, aumentando a contribuição da USP para a sociedade paulista; nós precisamos fazer mais e melhor. Temos que melhorar a qualidade e reduzir a evasão de nossos cursos de graduação. Precisamos reavaliar o sistema de acesso e acompanhar com atenção o progresso da inclusão social e racial, construindo as intervenções que forem necessárias. Em segundo lugar, vamos modificar radicalmente a gestão de recursos financeiros, reformar e modernizar a administração para valorizar as atividades-fim. Não é possível que uma simples mudança num curso de graduação exija interminável ritual de discussões e aprovações, que pouco ou nada contribuem para melhorar a qualidade das decisões. Finalmente, temos compromisso com a revisão da governança da universidade, que passa por uma crise nas suas formas de legitimação e de gestão. Por isso, assumimos o compromisso de repactuar as relações no âmbito da universidade, de forma a aumentar a agregação interna, trazendo o diálogo, e não mais o confronto, para o centro da vida universitária, numa forma de democratização que avance muito além do mecanismo de escolha do reitor”, considerou (acesse aqui a íntegra do discurso).

(Da esq.p/dir.) O governador Geraldo Alckmin, o reitor Marco Antonio Zago e o vice-reitor Vahan Agopyan

O governador Geraldo Alckmin destacou a importância da USP no contexto nacional, que é responsável, sozinha, por 23% da produção científica brasileira e 25% dos doutorados do país. “Esse desempenho se apoia, não só do esforço de alunos e professores, mas também em recursos do Estado, que aplica quase 10% do seu orçamento no ensino superior, aliás, o São Paulo é o único ente federativo do Brasil que investe 30% de suas receitas na educação e mais 1% na Fapesp (Fundação de Amparo às Pesquisas do Estado de São Paulo), reconhecida internacionalmente”, ressaltou o governador.

O encerramento da cerimônia foi marcado pela apresentação da Osusp, que executou a obra “Mourão”, de autoria do compositor Guerra Peixe.

Assista, a seguir, o vídeo da cerimônia de posse, produzido pela IPTV USP.

(Fotos: Ernani Coimbra)

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