Novo navio oceanográfico da USP é inaugurado no Porto de Santos

Foi inaugurado, no dia 30 de maio, o novo navio oceanográfico da USP, o Alpha Crucis. A cerimônia reuniu dirigentes da Universidade, autoridades municipais e estaduais, docentes e alunos do curso de Oceanografia.

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A cerimônia reuniu dirigentes da Universidade, autoridades municipais e estaduais, além de docentes e alunos do curso de Oceanografia da USP

Foi inaugurado, no dia 30 de maio, o novo navio oceanográfico da USP, o Alpha Crucis. A cerimônia foi realizada no Terminal Marítimo de Passageiros “Giusfredo Santini”, no Porto de Santos, e reuniu dirigentes da Universidade, autoridades municipais e estaduais, além de docentes e alunos do curso de Oceanografia da USP.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Paulo Alexandre Barbosa, estiveram presentes ao evento e fizeram uma visita ao navio, acompanhados do reitor da Universidade, João Grandino Rodas, e do presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Celso Lafer.

A Fapesp adquiriu o navio (então chamado Moana Wave) da Universidade do Havaí, em 2010, por meio do Programa Equipamentos Multiusuários (EMU), uma das modalidades do Programa de Apoio à Infraestrutura de Pesquisa no Estado de São Paulo, mantido pela Fundação desde 1995. O custo final do navio, que foi reformado, foi de US$ 11 milhões, entre recursos da Fapesp e da USP. O Instituto Oceanográfico (IO) da USP será responsável pela gestão do uso e pela manutenção do navio.

Estrela mais brilhante

Na cerimônia de inauguração, durante seu discurso, o reitor João Grandino Rodas lembrou que as tratativas para a aquisição do novo navio tiveram início há dois anos, quando ele e o diretor do IO,  Michel Michaelovitch de Mahiques, foram até a Fapesp com a preocupação de que a Universidade não poderia deixar de ter um navio oceanográfico, visto que o anterior, Prof. W. Besnard, está fora de operação desde 2008. “Não havia outra saída para que tivéssemos outro navio senão a própria Fapesp. A partir daí, se construiu, a muitas mãos, um projeto de pesquisa, que uniu as universidades estaduais paulistas e que abre a oportunidade para que qualquer instituição do Brasil possa participar”, ressaltou.

(Da esq.p/dir.) O comandante do navio, José Helvécio Moraes de Rezende; o governador Geraldo Alckmin; o reitor João Grandino Rodas; o diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz; o presidente da Fundação, Celso Lafer; o diretor administrativo da Fapesp, Joaquim José de Camargo Engler, durante a visita ao navio

O presidente da Fapesp, Celso Lafer, destacou que, desde a apresentação do projeto pelo IO, em março de 2010, até aquele momento, em que se inaugurava o navio, foi um “processo longo e trabalhoso”. A aquisição nos Estados Unidos, a reforma e a transferência do navio para o Brasil duraram quinze meses, até o dia 29 de março deste ano, quando o Alpha Crucis iniciou a viagem de 43 dias até o Porto de Santos. “O navio tem, como todos sabem, o nome Alpha Crucis, que é a estrela mais brilhante na constelação do Cruzeiro do Sul. Tenho certeza de que os trabalhos que serão encaminhados a bom termo pelo Instituto e por outros pesquisadores do Estado de São Paulo levarão ao campo do conhecimento o brilho dessa estrela”, disse Lafer.

Visivelmente emocionado, o diretor do IO, Michel Michaelovitch de Mahiques, afirmou que a inauguração do Alpha Crucis representa um passo importante para a pesquisa na área das ciências do mar no Brasil desde a chegada do navio Prof. W. Besnard, em 1967.

Mahiques falou sobre as características e equipamentos da nova embarcação. Com 64 metros de comprimento por 11 de largura, o navio tem dois motores e um sistema que permite que ele fique parada em alto-mar para pesquisas sobre correntes marinhas. Entre outros instrumentos instalados estão uma ecossonda multifeixe, que permite fazer o levantamento do relevo do fundo do oceano, dois sistemas acústicos para medição de correntes marinhas, uma estação meteorológica completa e uma sala de computadores para integrar dados que poderão ser usados pelos cientistas durante as expedições. “A sociedade como um todo há de ser beneficiada com os resultados obtidos a partir dessa nova plataforma de trabalho”,afirmou.

Primeiras expedições

A primeira expedição do novo navio terá como objetivo estudar os fluxos de carbono na margem continental brasileira

Em 2012, três expedições estão programadas para o Alpha Crucis. A primeira vai atender ao projeto do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Carbom, coordenado pelo professor Frederico Brandini, do IO, e busca estudar os fluxos de carbono na margem continental brasileira. A segunda, em novembro, é uma atividade do projeto Atlas-B, coordenado pelo professor Edmo Campos, também do Instituto. O objetivo é instalar no mar a primeira boia Atlas, construída no Brasil, como parte das iniciativas financiadas pelo CNPq e pela FAPESP. A boia irá monitorar as condições do oceano e da atmosfera na região de Santa Catarina onde em 2004 se formou o furacão Catarina.

Outra expedição, planejada para o início de dezembro, atenderá ao Samoc, projeto internacional colaborativo com a meta de compreender o fluxo meridional de calor no Atlântico Sul. Participam do Samoc instituições do Brasil, África do Sul, Argentina, Estados Unidos, França e outros países da Europa. A contribuição brasileira na pesquisa – inteiramente financiada pela Fapesp – é o monitoramento da parte oeste de uma linha transoceânica entre o Brasil e a África do Sul.

Alpha Delfini

A partir de setembro deste ano, o IO contará com uma segunda nova embarcação para pesquisas oceanográficas. O barco Alpha Delphini, o primeiro do gênero construído no Brasil, tem 27 metros de comprimento, pode transportar até 12 pesquisadores e seis tripulantes, e autonomia de 10 a 15 dias.

O custo total do barco – R$ 4,75 milhões – será compartilhado entre Fapesp e o IO. Assim como o Alpha Crucis, o Alpha Delphini também poderá ser solicitado por pesquisadores de projetos e programas de pesquisa financiados pela Fapesp e de instituições de ensino superior e pesquisa, públicas ou privadas, no Estado de São Paulo. A aquisição dos dois navios retoma atividades de pesquisas de campo, incluindo as realizadas em oceano aberto.

(Fotos: Ernani Coimbra / Fapesp)

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