Investigação inovadora e integrada

O pró-reitor de Pesquisa, Marco Antonio Zago, quer incentivar a integração da ciência na Universidade e no contexto social

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Integração é a palavra que permeia as metas que o professor titular da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP e ex-presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Marco Antonio Zago (foto), estabeleceu para a sua gestão como pró-reitor de Pesquisa da Universidade, cargo para o qual foi nomeado pelo reitor João Grandino Rodas e homologado pelo Conselho Universitário na sessão realizada em 23 de fevereiro.

Essa integração, segundo Zago, se planeja tanto interna quanto externamente, no âmbito da Universidade e no contexto da sociedade. Na esfera interna, a linha condutora dessa integração será a interdisciplinaridade. “Nos últimos anos, tivemos uma importante mudança nos padrões mundiais de conduzir e organizar a pesquisa. Em essência, a atividade de pesquisa não muda. Ela é baseada em uma questão fundamental que precisa ser resolvida: sua abordagem em métodos científicos, empregando técnicas que sejam as mais modernas e competitivas e, finalmente, a obtenção de respostas para aquela pergunta inicial, geralmente acompanhada por novas questões”, explica.

“Mas a maneira de se organizar para fazer a pesquisa muda porque, em primeiro lugar, no caso das ciências experimentais, a ciência competitiva, em geral, se tornou muito cara, exige equipamentos caros e sofisticados e que não precisam ser duplicados, triplicados, de tal maneira que os pesquisadores podem utilizá-los de maneira associada. Em segundo lugar, e até mais importante, é o fato de que os grandes temas, de interesse estratégico para a humanidade e para o desenvolvimento do Estado, exigem a participação de pessoas com expertise diferentes e complementares. Portanto, os pesquisadores precisam se associar para produzir resultados que tenham mais impacto”, avalia.

Dentre esses grandes temas, Zago cita, como exemplos, o uso da água, energia, urbanização, transporte urbano, produção de fármacos e medicamentos, bio e nanotecnologia, mudanças climáticas, doenças complexas e ambiente. “Não são problemas que podem ser resolvidos por um especialista ou disciplina, mas precisam de uma associação de pessoas de várias áreas do conhecimento – ciências exatas, ciências da vida, humanidades – para que se possam produzir resultados significativos”, considera.

Nesse sentido, destacam-se, entre as diretrizes da Pró-Reitoria de Pesquisa, ações voltadas para o incremento do relacionamento entre as ciências experimentais, ciências teóricas, ciências humanas e sociais e a literatura, que, para o pró-reitor, têm se distanciado nos últimos anos e cuja aproximação precisa ser restabelecida. Isso se dará, por exemplo, através da inserção das ciências sociais e humanas nos programas e redes de pesquisa que tenham foco inicial preponderantemente tecnológico. “A pesquisa pode funcionar como instrumento de integração e como forma de aumentar esse diálogo e participação conjunta, que sempre foi uma característica de nossa universidade, desde a sua fundação. A pedra fundamental da USP foi a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, onde essas diferentes culturas conviviam”, afirma.

Inovação e integração

A pesquisa como instrumento de integração da Universidade com a sociedade se consolidará através da inovação, segundo salienta Zago. “A Universidade tem que ter um papel importante no desenvolvimento social e econômico do Estado de São Paulo e, portanto, precisa ter um diálogo constante com o governo, com o setor produtivo e, particularmente, com as outras universidades estaduais paulistas”, julga.

No que tange à Unicamp e à Unesp, o pró-reitor destaca que a intenção é que se façam reuniões regulares entre as três universidades. A primeira delas já foi realizada no dia 16 de março. “Provavelmente essas reuniões também envolvam os outros pró-reitores, de tal maneira que as três universidades possam ter programas e soluções comuns para problemas que nos afetam. Esse é o sentido da integração da Universidade com o seu meio”, diz.

As ações visando a esse objetivo compreendem uma maior proximidade da Pró-Reitoria de Pesquisa com a Agência USP de Inovação, a reavaliação e reestruturação de instrumentos de cooperação entre a USP e as empresas públicas e privadas e a revisão dos aspectos legais e práticos relacionados à gestão da propriedade intelectual na Universidade.

Pós-doutorado e graduação 

Outra meta de gestão que merece destaque é o fomento ao Programa de Pós-Doutorado, que acolhe candidatos com título de doutor que se dedicam em tempo integral à atividade de pesquisa na Universidade. Em 2008, como parte desse programa, o número de pós-doutores na USP foi de 745 pesquisadores, referentes às áreas de Agropecuária, Biológicas, Exatas e Humanas.

O objetivo da Pró-Reitoria de Pesquisa é o de facilitar e estimular cada vez mais a inserção de pós-doutorados nos grupos de pesquisa da Universidade, que, hoje, somam cerca de 1.815. “Os pesquisadores pós-doutorados podem representar uma importante alavanca para a pesquisa. Não podemos ter a ilusão que o número de pesquisadores na USP, contratados como docentes, vai continuar aumentando indefinidamente. Os grupos, por outro lado, têm a aspiração de crescer e esse crescimento terá que ser feito com base no pós-doutorado”, frisa.

O incentivo à pesquisa também se estenderá à graduação, conforme evidencia Zago. Para ele, as atividades de iniciação científica, através do programa desenvolvido na Pró-Reitoria, serão incentivadas e ampliadas em todas as áreas do conhecimento. “Acredito firmemente que a iniciação científica pode ser um instrumento de formação universitária, um programa para ensinar determinada disciplina com base no método científico, fundamental para o aluno que entra na Universidade”, explana.

Pré-iniciação científica 

Em relação ao Programa de Pré-Iniciação Científica, o pró-reitor revela que o projeto terá continuidade, com previsão de formação de nova turma ainda no segundo semestre deste ano.

No primeiro ciclo do programa, finalizado em 2009, 365 alunos de 55 diferentes escolas públicas do Estado de São Paulo dedicaram, durante um ano, oito horas por semana a trabalhos desenvolvidos dentro de laboratórios da Universidade. Os projetos eram sempre orientados por um professor da USP e acompanhados pelos professores da rede de ensino médio. Em agosto do ano passado, o CNPq concedeu 400 bolsas de Iniciação Científica Júnior à USP, que, segundo Zago, serão destinadas à próxima etapa do programa.

Marco Antonio Zago possui graduação em Medicina pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP (FMRP), mestrado em Clínica Médica e doutorado em Clínica Médica pela mesma faculdade. É professor titular de Clínica Médica da FMRP desde 1990 e membro titular da Academia Brasileira de Ciências. No período de 2007 a janeiro de 2010, foi presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Hematologia. Desenvolve pesquisas focalizadas em bases moleculares das neoplasias e células-tronco adultas, em especial células-tronco hematopoéticas e células-tronco mesenquimais. É o coordenador do Centro de Terapia Celular de Ribeirão Preto, foi presidente e diretor científico da Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto e diretor clínico do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto.

(Matéria publicada na edição nº 889, do Jornal da USP)

Leia também:

Ensino e pesquisa cada vez mais juntos

Na próxima edição do Jornal da USP, em 5 de abril, entrevista com o pró-reitor de Pós-Graduação, Vahan Agopyan, e, na edição do dia 12 de abril, com a pró-reitora de Cultura e Extensão Universitária, Maria Arminda do Nascimento Arruda.

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