Departamento de Genética da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto comemora 50 anos

No dia 6 de março, uma cerimônia, no campus de Ribeirão Preto, marcou as comemorações dos 50 anos do Departamento de Genética da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP).

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(Da esq.p/dir.) O diretor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCLRP), Fernando Luis Medina Mantelatto; o pró-reitor de Pesquisa, José Eduardo Krieger; o reitor Marco Antonio Zago; o pró-reitor de Graduação, Antonio Carlos Hernandes; e a pró-reitora de Cultura e Extensão Universitária, Maria Arminda do Nascimento Arruda

Criado em 1965, o  Departamento de Genética da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) construiu uma história de ineditismos que o tornou moderno e atual até hoje.

Suas atividades já começaram com trânsito internacional. Em 1966, recebeu a visita do professor Theodosius Dobzhansky, um dos mais reconhecidos pesquisadores na área da síntese da biologia evolutiva. Sua criação também se caracterizou pelo fato inédito para a época: reunir pesquisadores de outros departamentos da FMRP e de outras Unidades. “Uma das contribuições mais importantes foi justamente essa, pois o conhecimento de genética estabelece um link entre os departamentos”, lembrou o reitor Marco Antonio Zago, em discurso durante as comemorações do cinquentenário do Departamento, no dia 6 de março.

O reitor lembrou que o entusiasmo pela investigação científica era a característica que distinguia seu fundador, Warwick Estevão Kerr, especialista em abelhas, organizador e chefe do Departamento de Biologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Unesp de Rio Claro e primeiro diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp).

No mesmo ano de instalação do Departamento, a ciência reconhecia o feito dos pesquisadores franceses François Jacob, André Lowft e Jacques Monod ao atribuir aos três o prêmio Nobel de Medicina pelas suas pesquisas sobre o DNA e por introduzirem na genética o conceito de RNA. Zago lembrou, em seu discurso, que “as pesquisas de Jacob, Lowft e Monod abriam um período áureo da genética no mundo e a genética molecular ganhava espaço”.

Enquanto isso, no primeiro dia de atividades do departamento de Genética, Kerr deslumbrava os calouros da FMRP daquele ano, entre eles, o próprio reitor, com seu entusiasmo pelo ensino e pela pesquisa e com sua inesgotável capacidade de fazer perguntas e propor experimentos.

“Nesse período pós-guerra não era de se surpreender que os fundadores da FMRP criassem o Departamento de Genética. A Faculdade, já com grande trânsito internacional, também se caracterizava pelo fato inédito de que as áreas clínicas deveriam trabalhar experimentos em animais e que a patologia não era ‘lugar de morte’, mas de compreender os desvios da normalidade”, lembrou o reitor.

Para o atual chefe do departamento,  Wilson Araujo da Silva Junior, um dos destaques nesses 50 anos é a formação de pessoal. “Boa parte da formação de geneticistas no Brasil passou pelo departamento de Genética da FMRP”.

Homenagens e história

Durante as comemorações, foi apresentado vídeo histórico do departamento e não faltaram mais homenagensa Kerr, tido como um visionário, mas acima de tudo um humanista. Ao agradecer as homenagens, sua filha, Florence Kerr Correa, falou de sete peculiaridades do pai que poucos conheciam, como, por exemplo, o fato das férias da família se passarem durante as participações de seu pai nas reuniões da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e em reuniões da Sociedade Brasileira de Genética (SBG).

A cronologia histórica foi apresentada pelo professor aposentado Moacyr Antonio Mestriner, que, ao final, se disse privilegiado em ter feito parte do Departamento e apontou duas marcas inesquecíveis de Kerr, “a primeira, seu grau de tolerância, respeito e compreensão por todos e, a segunda, sua constante afirmação de que nada torna uma pessoa mais feliz do que empenhar-se para a felicidade alheia”.

As pesquisas no departamento fizeram despontar expoentes na ciência nacional, responsáveis por publicações em renomadas revistas internacionais. Além de ser um dos principais centros de pesquisas em genética humana, o Departamento também se destaca pelas pesquisas com abelhas, o que o tornou referência mundial nos estudos com a Appis melífera.

Mais recentemente, seu Programa de Pós-Graduação recebeu três prêmios Capes de Teses: Marcia Marques Silveira, em 2008, e Claudia Macedo, em 2010, ambas orientadas pelo professor Geraldo Aleixo da Silva Passos Junior, que tem dupla vinculação, FMRP e FORP. Em 2011, recebeu o prêmio Henrique Cestari De Paoli, o orientado da professora Maria Helena Goldmann, contratada pela FFCLRP e credenciada no Programa de Pós-Graduação em Genética da FMRP.

Futuro ‘cheio de desafios’

Para o diretor da FMRP, Carlos Gilberto Carlotti Junior, esse é o departamento com maiores perspectivas de expansão e avanço. “Hoje, para todas as doenças se diz que estudos genéticos revelarão causas e tratamentos”, lembrou Carlotti.

“Entramos numa era que deixamos de analisar um gene para analisar todos os genes. Saímos da genética localizada para a genética sistêmica”, acrescenta Silva Junior. Para essa nova era, o departamento de Genética se prepara criando dois novos núcleos de pesquisa. O Núcleo de Pesquisa em Biologia Sistêmica Integrada, que vai dar apoio à análise de dados em escala genômica, e o Centro de Medicina Genômica, que nasceu de iniciativa do Departamento. “Com esses dois núcleos, será possível compreender melhor os mecanismos e essas informações poderão ser utilizadas para o atendimento de pacientes mais personalizado e específico, com respostas mais eficazes”, conclui o professor.

Além das comemorações do dia 6 de março, foi realizado evento científico no dia anterior, 5 de março, que contou com a participação dos professores Marcelo Nóbrega, da Universidade de Chicago, Estados Unidos; Diogo Meyer, do Instituto de Biociências (IB) da USP; Henrique Krieger, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP; Aguinaldo Luiz Simões, da FMRP; Erney Plessmann de Camargo, do ICB-USP,  e Iris Ferrari, da Universidade de Brasília (UnB) e ex-professora do Departamento de Genética da FMRP.

Ainda este ano, dentro das comemorações, está agendada a realização, em Ribeirão Preto, do Congresso de Genética Médica.

(Texto e foto: Rosemeire Talamone, do Serviço de Comunicação Social da Prefeitura do Campus de Ribeirão Preto)

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