Prêmio USP de Direitos Humanos faz homenagem à Dorina Nowill

Em cerimônia de muita emoção, realizada em 10 de dezembro, no Palácio dos Bandeirantes, a pedagoga Dorina Nowill foi homenageada com a entrega do 11º Prêmio USP de Direitos Humanos, nas duas Categorias: Individual e Institucional.

Share on Facebook0Share on Google+0Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn0Print this pageEmail

Em cerimônia de muita emoção, realizada em 10 de dezembro, no Palácio dos Bandeirantes, a pedagoga Dorina Nowill foi homenageada com a entrega do 11º Prêmio USP de Direitos Humanos, nas duas categorias da distinção, Individual e Institucional, por sua dedicação ao trabalho de inclusão social, defesa dos direitos dos deficientes visuais e pelas atividades desenvolvidas junto à Fundação que leva seu nome.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da USP, José Gregori, iniciou sua fala lembrando da importância de ter uma Comissão como essa “no maior centro de reflexão do país”, pois, para ele, o tema de direitos humanos nunca foi tão atual quanto hoje. Gregori relembrou que conheceu a homenageada quando ainda era estudante de Direito, porque ela foi convidada por um professor para falar aos alunos sobre sua luta.

O diretor-presidente da Fundação Dorina Nowill para Cegos, Alfredo Weiszflog

O relator especial para Direito à Educação da Unesco, Kishore Singh, disse que o tema principal da cerimônia era a luta contra a discriminação. Segundo ele, há necessidade de conscientização para incorporar os direitos humanos no nosso cotidiano para pobres, deficientes, cegos, entre outros. “O Brasil atualmente é um exemplo mundial na defesa e proteção nos direitos humanos, desde a redemocratização nos anos 80. Precisamos promover a educação dos direitos humanos, para que façam parte do dia-a-dia das pessoas”, enfatizou.

Formação de cidadãos

“Desde a criação da Fundação, há mais de 64 anos, muitas coisas mudaram para os cegos”, declarou o diretor-presidente da Fundação Dorina Nowill para Cegos, Alfredo Weiszflog, ao receber o prêmio, que disse ser o reconhecimento do trabalho feito até o momento pela Fundação, comprometida na “difusão e divulgação dos direitos humanos, da paz, da tolerância e a justiça social no Brasil”.

Ao receber a homenagem à Dorina na Categoria Individual, seu filho, Cristiano Humberto Nowill, emocionou-se ao falar da mãe, “uma pessoa alegre, de coração grande”. Ele ressaltou que “ela não fez uma escola para cegos aprenderem o braile, mas para serem e aprenderem a ser cidadãos, se locomoverem, se expressarem, poderem casar, ter filhos”.

Linamara Battistella, secretária de Estado dos Direitos das Pessoas com Deficiência, que representou o governador Alberto Goldman na cerimônia, disse que Dorina sabia encantar as pessoas, tinha a pressa e a urgência de quem faz acontecer, pois era uma realizadora. Ela aproveitou também para citar as políticas de São Paulo na luta dos direitos humanos de 1985 até os últimos quatro anos, quando foi criada a Secretaria da qual faz parte, que, neste ano, passou a atuar transversalmente junto à área da cultura e educação.

(esq. p/ dir.) O reitor no período de 1982-1986, Antonio Hélio Guerra Vieira, entrega prêmio ao filho de Dorina Nowill, Cristiano Humberto Nowill

Segundo Linamara, São Paulo é o único Estado do Brasil que tem a obrigatoriedade de todas as edições de livros, compradas ou financiadas pelo Governo, terem também uma parte disponível e acessível para os cegos, o que é muito importante, pois há “18 milhões de cegos no Estado brasileiro”, revelou.

O reitor João Grandino Rodas, perguntou, em tom de brincadeira, por que a USP não havia premiado Dorina Nowill antes, pois seu nome representa bem o que significa a existência da pessoa jurídica, “que existe para ir além e também após a morte da pessoa física”. E finalizou dizendo que “o Prêmio USP de Direitos Humanos é que acaba sendo engrandecido pela homenageada”.

No final, houve a apresentação de canto lírico e piano, feita pelos alunos do curso de música da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, com a supervisão do maestro Gil Jardim.

Prêmio

O Prêmio USP de Direitos Humanos é concedido anualmente no aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos – assinada em 1948. Foi criado pela Comissão de Direitos Humanos da USP com o objetivo de identificar e homenagear pessoas e instituições que, por suas atividades exemplares, tenham contribuído significativamente para a difusão, disseminação e divulgação dos Direitos Humanos no Brasil.


(Fotos: Ernani coimbra)

Share on Facebook0Share on Google+0Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn0Print this pageEmail

Textos relacionados