Eliana Sousa Silva assume como titular da Cátedra Olavo Setúbal de Arte

“Vamos juntos, com fé, esperança e a certeza de que a USP será uma universidade mais aberta, mais democrática”, afirmou Eliana

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Muito emocionada, Eliana homenageou a vereadora Marielle Franco, assassinada no dia 14 de março, que também foi moradora do Complexo da Maré – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

“Meu desejo é criar pontes que permitam encontros, estranhamentos e vontade sincera de reconhecer o outro, nas suas diferenças. Vamos juntos, com fé, esperança e a certeza de que a USP será uma universidade mais aberta, mais democrática, mais negra e periférica depois dessa nossa vivência comum.”

Assim a nova titular da Cátedra Olavo Setúbal de Arte, Cultura e Ciência, a educadora e ativista social Eliana Sousa Silva, definiu suas principais diretrizes de atuação à frente da nova função, da qual tomou posse, no dia 27 de março, em cerimônia realizada na sala do Conselho Universitário, no prédio da Reitoria.

O evento reuniu dirigentes da Universidade, diretores, pesquisadores, representantes de órgãos governamentais e instituições ligadas à cultura. A professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Helena Tania Katz, fez a saudação à nova catedrática. Também prestigiaram a cerimônia a socióloga e educadora Maria Alice Setúbal, filha de Olavo Setúbal, e o diretor do Itaú Cultural, Eduardo Saron.

Eliana é professora aposentada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e diretora fundadora das Redes de Desenvolvimento da Maré, organização não governamental criada em 2007 no Complexo da Maré, um dos maiores conjuntos de favelas do Rio de Janeiro, com mais de 140 mil habitantes. Eliana sucede o designer Ricardo Ohtake, titular da Cátedra em 2017.

Para a nova catedrática, “essa é uma oportunidade de pensar a relação de proximidade que deve existir entre o que é produzido na USP e o que a sociedade, em geral, demanda, em particular a população das favelas e periferias. Importante, também, chamar a atenção, já que estamos em um espaço acadêmico, para o fato de as periferias trazerem na sua essência a capacidade de inventividade e resiliência, sendo urgente irmos além das representações tradicionais a respeito dessas populações que, de maneira recorrente, estão focadas na ideia de carência e ausência”.

Muito emocionada, Eliana homenageou a vereadora Marielle Franco, assassinada no dia 14 de março, que também foi moradora do Complexo da Maré. “O Estado de onde venho, o Rio de Janeiro, passa por um momento de muita turbulência, com muitas violações que atingem, basicamente, os moradores das favelas e das periferias. Não tenho como deixar de citar, nessa breve fala, a execução da vereadora Marielle Franco. Uma liderança forjada a partir do trabalho que iniciamos na Maré, nas lutas mais básicas por direitos. Ela foi, como muitas jovens da Maré e de tantas periferias deste nosso país, alguém que ousou assumir bandeiras de lutas que enfrentassem as desigualdades que nos caracterizam”, afirmou (clique aqui para ler a íntegra do discurso).

O reitor Vahan Agopyan lembrou que “as cátedras são espaços de debate em que convidamos uma pessoa externa à USP que, com seu conhecimento, possa ser um catalisador de ideias sobre um tema. A Cátedra Olavo Setúbal de Arte veio trazer uma visão da cultura ligada à arte e à ciência e, com Eliana, poderemos ver como a arte pode ser disseminada de uma maneira mais intensa. Sua atividade nas Redes de Desenvolvimento da Maré é uma experiência vitoriosa, uma experiência que nos faz acreditar que a realidade pode melhorar”.

Cátedra Olavo Setúbal

Ligada ao Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, a Cátedra é resultado de uma parceria com o Itaú Cultural e tem como missão trazer para a Universidade a discussão sobre a cultura no campo expandido, bem como seu papel como agente de mediação e transformação social. O primeiro titular da cátedra foi o diplomata Sérgio Paulo Rouanet.

O diretor do IEA, Paulo Saldiva, ressaltou que “essa é uma oportunidade de colocar a USP em contato com algo que pode nos ajudar a melhorar, a observar melhor as necessidades da sociedade, é uma forma de nos reinventarmos e usar a musculatura da Universidade para o desenvolvimento”.

Em seus dois primeiros anos de atividades, a Cátedra Olavo Setúbal de Arte, Cultura e Ciência abordou as artes e a cultura de formas distintas. Com o embaixador Sérgio Paulo Rouanet, primeiro titular, tratou de questões filosóficas sobre a cultura a partir da matriz iluminista. Com Ohtake, tratou do funcionamento do sistema cultural, do debate sobre a gestão pública e privada da cultura e correspondentes políticas culturais a partir do final dos anos 40.

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