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A primeira fase da Fuvest, o vestibular mais concorrido do país, será neste domingo, 27 de novembro. Serão cobrados conhecimentos de Biologia, Física, Geografia, História, Inglês, Matemática, Português e Química. Mas o que você realmente sabe sobre a prova para a qual vem se preparando nos últimos meses?

O Jornal da USP explica aqui quem está por trás do exame, por que ele foi criado e como, todos os anos, a organização consegue elaborar uma prova de qualidade e fazê-la chegar com segurança a 31 cidades do Estado de São Paulo e a quase de 137 mil candidatos. Em 2016, a Fuvest completa 40 anos de história!
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A dinâmica do vestibular

Já imaginou qual o caminho da prova da Fuvest desde a elaboração das questões até chegar às mãos de cada candidato? O Jornal da USP mostra o passo a passo:
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Fique atento!

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Acesse o site da Fuvest e informe o CPF para consultar o endereço do seu local de prova. A organização recomenda que o candidato visite, na véspera (26), a partir das 11 horas, o local de prova para consultar a lista com os nomes de todos os candidatos que farão o exame naquela escola.

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Os portões das escolas serão abertos às 12h30. O fechamento deles e o início da aplicação da prova serão às 13 horas. Não serão admitidos retardatários. O candidato só poderá deixar o local em que se realiza a prova a partir das 16 horas. A duração da prova é de cinco horas. 

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Documento original de identidade com foto e caneta esferográfica (tinta azul ou preta). São permitidos, para rascunho, o uso de lápis e borracha. Água e alimentos leves podem ser consumidos durante a prova.

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O candidato não poderá utilizar ou manipular, em qualquer área do prédio, aparelhos celulares ou qualquer outro tipo de equipamento. Os relógios não poderão ser usados em hipótese nenhuma. A Fuvest informará os candidatos o tempo restante para o final do exame.

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Por volta de 19h30 a Fuvest divulgará o gabarito da prova em seu site. O resultado da primeira fase será divulgado no dia 19 de dezembro. As provas da segunda fase serão realizadas entre os dias 8 e 10 de janeiro do próximo ano.
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Informações: Fuvest

O mapa da FUVEST

A prova, hoje, acontece apenas no Estado de São Paulo, mas ela já chegou a ser aplicada em outros locais do Brasil, como Brasília, Curitiba e Belo Horizonte. “Pelo porte do exame, a questão de logística e segurança fica um pouco mais complicada, mas essa pressão tende a diminuir quando se tem parte das vagas pelo Sisu”, afirma o diretor executivo da Fundação, Paulo Cugnasca.

Saiba todos os locais onde os candidatos podem escolher fazer provas e também onde estão localizados os campi da USP. Serão 104 escolas (56 na região metropolitana de São Paulo e 48 no interior do Estado):

fuvest_mapa_locais2Onde a USP está: São Paulo, Bauru, Lorena, Piracicaba, Pirassununga, Ribeirão Preto, São Carlos, Santos.

Locais de prova:

fuvest_mapa_locais3Grande São Paulo: São Paulo, Barueri/Santana de Parnaíba, Carapicuíba, Guarulhos, Mogi das Cruzes, Osasco, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Taboão da Serra.

fuvest_mapa_locais3Interior: Barretos(*), Bauru, Campinas, Fernandópolis(*), Franca, Jaú(*), Jundiaí, Limeira, Lorena, Marília(*), Mogi Mirim, Piracicaba, Pirassununga, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Santos, São Carlos, São José do Rio Preto, São José dos Campos, Sorocaba e Taubaté.

* Nessas cidades, haverá somente a prova da primeira fase. Na segunda fase, os candidatos serão realocados: de Barretos para Ribeirão Preto, de Fernandópolis para São José do Rio Preto, e de Jaú e de Marília para Bauru.

 

 

Decisão em grupo


fuvest_icon_reuniao3Há três universidades públicas estaduais em São Paulo: além da USP, a Unesp e a Unicamp. Para dar a chance aos candidatos de prestar todos os vestibulares, as três instituições se reúnem para definirem juntas um calendário de provas. Também participam da reunião Unifesp,  ITA, PUC-SP, PUC-Campinas, Mackenzie, Famerp e Famema.

 

Os cursos mais
concorridos

Nem sempre os cursos mais procurados pelos candidatos são os mais concorridos. No vestibular 2017, por exemplo, a carreira de Direito, que inclui os cursos diurno e noturno em São Paulo e o curso em Ribeirão Preto, tem 10.908 inscritos e é a segunda mais procurada. Porém, ela não aparece entre as carreiras mais concorridas, por ter um número elevado de vagas (448, ao todo).

Descubra quais os 10 cursos com maior relação candidato por vaga na Fuvest:

fuvest_icon_listA lista completa com o número de vagas e número de inscritos em cada curso pode ser acessada no site da Fuvest.

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Prestar a Fuvest não é a única forma de estudar na USP

Se, neste domingo, a sua pontuação nas provas da primeira fase da prova da Fuvest não for muito boa, calma, ainda há mais uma chance: o Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

Até o vestibular 2015, quem quisesse entrar em qualquer curso de graduação da USP precisava prestar a prova da Fuvest. Mas na seleção de estudantes para o ano de 2016 isso mudou, com a adesão da Universidade ao Sisu.

Funciona assim: as instituições públicas de ensino superior em todo o Brasil oferecem vagas nos seus cursos de graduação para estudantes que participam do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), realizado anualmente pelo Ministério da Educação (MEC). No caso da USP, foram disponibilizadas 2.338 vagas, que representam 21% do total.

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UMA TERCEIRA VIA
A Fuvest também é responsável por exames de transferência externa, ou seja, avalia candidatos que estudam em outras instituições, mas que desejam continuar seus estudos na USP. Estes alunos vão ocupar vagas que não foram preenchidas no vestibular ou então de estudantes que desistiram do curso na USP. A seleção é feita por volta dos meses de maio a julho. Acompanhe pelo site.

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Em quais cursos posso entrar pelo Sisu?

Acesse aquifuvest_icon_list2 a lista de cursos da USP com vagas pelo Sistema e a distribuição por modalidades. Apenas três unidades não disponibilizaram vagas.

Como sei se minha nota é suficiente
para entrar no curso?

fuvest_icon_provaA Universidade ainda não divulgou a nota necessária para cada um dos cursos, mas fique atento, a informação será publicada no site da Pró-Reitoria de Graduação.
No ano passado, as unidades optaram por atribuir pesos diferentes a cada prova do Enem. Outra opção seria apenas atribuir uma nota mínima geral de toda a prova.

Que tipos de vagas a USP oferece pelo Sisu?

1.155 são exclusivas para alunos de escolas públicas
586 são para estudantes de escolas públicas autodeclarados pretos, pardos e indígenas (PPI)
597 podem ser disputadas por todos os candidatos do Enem
TOTAL: 2.338

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Arquitetura e Design:
uma prova a menos

Quem for concorrer a uma vaga nos cursos de Arquitetura e Urbanismo ou Design da USP neste vestibular não fará a tradicional prova de habilidades específicas em desenho e representação espacial. Tanto a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), em São Paulo, quanto o Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU), em São Carlos, optaram por suspender, em caráter experimental, a avaliação.

O motivo? É que as duas unidades decidiram participar do Sisu, e existe uma restrição do próprio MEC em relação aos cursos que podem fazer parte do sistema. “Não poderão ser oferecidas por meio do Sisu vagas em cursos que exijam teste de habilidade específica e na modalidade de ensino a distância (EAD)”, indica Portaria Normativa do Ministério, já que o Enem não realiza esse tipo de avaliação.

Esse era o caso dos cursos de Arquitetura e Urbanismo e de Design. Mas as provas de habilidades específicas dos cursos de Artes Cênicas, Audiovisual, Música e Artes Visuais da USP continuam. Aliás, para os últimos dois cursos, os resultados das provas antecipadas já foram divulgados. Você viu?

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Então tem gente que já fez a Fuvest?

Mais ou menos. Os candidatos ao curso de Música em São Paulo e em Ribeirão Preto e o de Artes Visuais já realizaram as provas específicas, que avaliam a aptidão para essas carreiras. Nesse caso, as provas não são realizadas pela Fuvest, mas por uma comissão de professores da unidade que abriga o curso. Caso eles não compareçam à prova ou não sejam aprovados, podem indicar uma segunda opção de carreira e prestar a Fuvest em outro curso.

Mas existem provas de habilidade específica até mesmo depois da Fuvest. É o caso dos cursos de Artes Cênicas e Audiovisual. Após a segunda fase, os candidatos precisam realizar um teste cuja nota vai fazer parte de sua nota final. 

Estudei em escola pública.
E agora?

A USP é uma universidade pública e NÃO cobra nenhum tipo de mensalidade. No vestibular 2016, 75,2% dos 142.721 mil candidatos que prestaram a Fuvest declararam ter cursado todo o ensino médio em escola particular. Para atrair mais alunos da rede pública de ensino, a USP oferece um bônus (aumento) na nota da primeira fase e na nota final do vestibular para todos os candidatos que cursaram o ensino médio em escolas públicas no Programa de Inclusão Social da USP (Inclusp).

A porcentagem de bônus pode chegar a 20% para quem prestar a Fuvest desde o segundo ano do ensino médio e participar do Programa de Avaliação Seriada da USP (Pasusp). No caso de alunos que se autodeclarem pretos, pardos ou indígenas, é somado ainda mais 5%. Ou seja, o bônus máximo que um candidato pode obter é de 25%.

 

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15%

Os alunos que cursaram todo o ensino médio em escolas públicas têm direito a 12%. Para aqueles que, além disso, tenham estudado todo o ensino fundamental na rede pública, o bônus sobe para 15%.

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Treineiro também ganha

Os estudantes de escolas públicas do segundo ano que prestam o vestibular como treineiros recebem 5% de bônus na prova da Fuvest. Caso sejam aprovados na primeira fase do vestibular, ganham 5% de bônus na prova do ano seguinte, quando prestarem a Fuvest novamente.

Assim, alunos que estejam no terceiro ano do ensino médio, que tenham estudado em escolas públicas também no ensino fundamental e que tenham participado do Pasusp no ano anterior com aprovação na primeira fase recebem, ao todo, 20% de bônus.

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Mais 5%

Tanto candidatos Inclusp como Pasusp podem obter um bônus adicional de 5% caso se declarem pertencentes ao grupo de pretos, pardos ou indígenas.

 

Descubra se você tem direito ao sistema de bonificação:
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Mas, afinal,
o que é a Fuvest?

Fuvest se tornou sinônimo de vestibular da USP, considerada a melhor universidade do país. E, de fato, é essa a principal missão da Fundação Universitária para o Vestibular: decidir, ano a ano, quem serão os estudantes de graduação da USP.

Mas a Fuvest seleciona também alunos da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e, por sua experiência na aplicação de provas, hoje, ela também realiza exames de transferência de cursos, residência na área de saúde e programas de pós-graduação.

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Quem faz parte da Fuvest?

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Conselho Curador

fuvest_vahanÉ presidido pelo vice-reitor da Universidade, atualmente, o professor Vahan Agopyan, da Escola Politécnica (Poli) da USP. Os membros do conselho são escolhidos pelo Reitor, com mandato de quatro anos. É responsabilidade deste conselho definir, a cada dois anos, a diretoria executiva.

Diretoria Executiva

fuvest_cugnascaÉ exercida pelo professor Paulo Sérgio Cugnasca, da Escola Politécnica (Poli) da USP. É o diretor que escolhe, junto a colaboradores, quais serão as questões da Fuvest.
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Conselho de Graduação

fuvest_hernandesEmbora não seja parte da Fundação, é este o órgão responsável por definir todas as normas do vestibular, que serão executadas pela Fuvest. O diretor do Conselho é o pró-reitor de Graduação da USP, Antonio Carlos Hernandes.

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Em 2016, a Fundação Universitária para o Vestibular completa 40 anos. Antes da Fuvest, eram entidades autônomas formadas por professores da USP e de outras instituições de ensino superior quem promoviam os exames de admissão nas universidades.

Os alunos da USP eram selecionados por três exames: o Centro de Seleção de Candidatos às Escolas Médicas e Biológicas (Cescem), o Centro de Seleção de Candidatos às Escolas de Administração (Cescea) e o Mapofei, sigla que unia as instituições para quem selecionava estudantes: Instituto Mauá de Tecnologia (MA), Escola Politécnica (Poli) da USP e a da Faculdade de Engenharia Industrial (FEI).

fuvest_shozoSegundo o professor Shozo Motoyama, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, o que levou à unificação desses três sistemas foi o aumento da demanda por vagas nos cursos superiores e as discussões intensas que ocorriam sobre a educação superior no Brasil. Nesta época, o país viva em pleno regime militar.

A procura pelo ensino universitário expandia e isso provocou um crescimento desmedido de vagas. Este cenário, no entanto, acabou levando a uma queda na qualidade do ensino e estimulou uma seleção mais rigorosa de candidatos. “A USP estava no olho do furacão. A unificação dos três vestibulares era imprescindível, daí a criação da Fuvest ser a melhor saída”, analisa o historiador.

A USP queria ter um vestibular próprio e controlar melhor o processo de seleção dos seus estudantes. Então em 1976, após anos de discussões entre os professores, nascia a Fundação Universitária para o Vestibular, a Fuvest, uma fundação de direito privado ligada à USP, mantida com recursos próprios, vindo, principalmente, do valor das inscrições para o vestibular.

Shozo e a historiadora Marilda Nagamini, lançaram em 2006, o livro Fuvest 30 Anos (Edusp), resgatando toda a história dos vestibulares no Brasil e, em particular, a história da Fuvest. Ele lembra que na época da primeira prova não havia computadores e tudo era feito em máquina de datilografia. “Não era permitido usar máquinas de lugares públicos porque as impressões ficavam datilografadas nas fitas.”

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Fotos: Marcos Santos/USP Imagens e Nelson Kon

O último vestibular antes da Fuvest
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O médico Valmir Aparecido Muglia prestou o último vestibular antes da USP decidir criar um sistema próprio de seleção, a Fuvest. Em 1976, ainda era o Cescem quem realizava as provas para admissão em cursos da área de biologia em várias instituições do estado e justamente naquele ano decidiram introduzir a redação -  antes a prova era composta apenas de testes de múltipla escolha. “E eu lembro até hoje o tema da redação, porque foi impactante: nenhum homem é uma ilha”, conta.

Mesmo com uma prova mais trabalhosa, Valmir foi aprovado e naquele mesmo ano iniciou a graduação. O curso da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), hoje, é o que apresenta a maior relação candidato por vaga, superando até mesmo o da capital. E naquela época não era tão diferente. “A concorrência era muito parecida com a de hoje”, afirma.

Para se preparar e conquistar a vaga, Valmir mudou-se do pequeno município de Urânia para Ribeirão Preto, onde cursou o último ano do então “colegial” ao mesmo tempo em que frequentava o cursinho preparatório para o vestibular. A cidade agradou Valmir, que mora lá até hoje e exerce a medicina na área da nefrologia. “Pelo menos metade dos meus colegas de turma eram paulistanos. Eles vêm para cá e acabam gostando também”. 

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Ele prestou o primeiro vestibular da Fuvest - e foi aprovado!
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Ser médico sempre foi o sonho profissional de Sérgio Isola. A conquista começou há 39 anos, quando prestou o primeiro vestibular da história da Fuvest.

Um ano antes, quando ainda nem havia atingido a maioridade, Isola se inscreveu no vestibular do Cescem que, na época fazia a seleção para várias escolas de medicina. Mesmo não conseguindo a aprovação, não desanimou. No ano seguinte, prestou a Fuvest e foi aprovado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.

Hoje médico oftalmologista, Isola ainda lembra do dia da prova: uma forte tempestade na cidade de São Paulo causando grande confusão, enchentes por toda a parte e caos no trânsito. “O que me salvou da tempestade foi minha ansiedade, que me levou bem cedo ao local das provas. Consegui me livrar da chuva e da confusão”, relata.

No dia em que a lista de aprovados foi fixada na parede do cursinho pré-vestibular, preferiu ser discreto, já que ao seu lado havia vários veteranos sedentos por dar trote nos calouros. “Só comemorei depois que fiquei longe do cursinho, pra me livrar do trote”, diverte-se.

No dia da matrícula, em Ribeirão Preto, a ansiedade também marcou presença: foi o primeiro a chegar na unidade, antes mesmo dos funcionários e das portas se abrirem. “Estava tão ansioso que não me continha de excitação. Não dava para dormir direito, afinal estava me matriculando numa faculdade da USP”, lembra orgulhoso.

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Os manuais da Fuvest de 1977 até hoje

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Produção:
Aline Naoe, Hérika Dias e Izabel Leão - Arte: Thais Helena dos Santos

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