ESPECIAL | Comissão da Verdade da USP | Parte 2

.

Vigilância institucionalizada

Além de procurar informações sobre os membros da comunidade nos órgãos de segurança, a USP possuía o seu próprio órgão de vigilância durante a ditadura civil-militar

AESI
Assessoria Especial de Segurança e Informação  

Ativa entre 1972-1982,
agência de informação vinculada à Reitoria da USP era responsável pela triagem ideológica de alunos, professores e funcionários.

Função

Fornecia informações às Forças Armadas, ao Serviço Nacional de Informação (SNI) e ao Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops) para a perseguição de contrários ao regime. Manifestações discordantes ou mesmo uma festa de confraternização podiam ser informadas pela Aesi.

 

Criador

  

Órgão ilegal

O Ministério da Educação determinou que assessorias como a Aesi fossem instaladas apenas em órgãos públicos federais. Divergências entre SNI e Aesi: se o posicionamento da Aesi tivesse sido mantido, o número de perseguidos na USP teria sido ainda maior.


Documento elaborado pelo SNI sobre a existência da Aesi

Fases da perseguição

1964
Abertura de Inquéritos Policiais Militares
resultando no afastamento de professores que militavam contra o regime.

  • Impediam a contratação de professores e funcionários de acordo com o seu posicionamento político. Os processos da USP mostram que faziam isso por meio de mecanismos legais.
  • Documentos na USP foram queimados, a Comissão teve de procurar cópias nos arquivos do Deops e SNI.

.

A Comissão descobriu que, enquanto algumas pessoas eram impedidas de dar aulas na USP, outras estavam sendo contratadas. A Aesi levantava informações sobre a vida pessoal e profissional dos candidatos às vagas na USP, além de receber relatórios dos órgãos de informação.

Após a Lei da Anistia, em 1979, alguns candidatos foram finalmente contratados pela Universidade.

Justificativas utilizadas para a não contratação

Legislação eleitoral para a contratação de servidores públicos

Acumulação de cargos

Falta de verba

Exigência de um "atestado de bons antecedentes" 

Deixavam o processo na gaveta

.

.
Documentos produzidos antes
e depois da AESI


Fonte: Relatório da Comissão da Verdade da USP


Barreira na entrada do Crusp - Foto: Rolando de Freitas/Agência Estado, 1968


Invasão da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP - Foto: Arquivo Brasil Nunca Mais, 1968

1968
Criação do AI-5 (Ato Institucional número 5): legitimação da violência e desenvolvimento de um sistema de informação em âmbito nacional.

O II Exército invadiu o Conjunto Residencial da USP (Crusp) e prendeu todas as pessoas que estavam no alojamento, fossem ou não residentes. No período, qualquer vínculo com organizações de esquerda era considerado justificativa para tortura e assassinato.


Militares em frente ao Crusp - Foto: Arquivo Agência Estado, 1967

Mortos e desaparecidos da USP

Entre as 434 pessoas mortas durante a ditadura civil-militar, 47 eram da USP: 36 alunos, 6 professores e 2 funcionários

Alexandre José Ibsen Veroes

Escola de Aplicação

Alexandre Vannucchi Leme

Aluno da Geologia

Antonio Benetazzo

Aluno de Filosofia e Arquitetura

Antonio Carlos Nogueira Cabral

Aluno da Faculdade de Medicina

Arnos Preis

Aluno da Faculdade de Direito

Aurora Maria Nascimento Furtado

Aluna de Psicologia

Boanerges de Souza Massa

Aluno de Direito e Medicina

Carlos Eduardo Pires Fleury

Aluno de Filosofia

Catarina Helena Abi-Eçab

Aluna de Filosofia

Fernando Borges de Paula Ferreira

Aluno de Ciências Sociais

Francisco José de Oliveira

Aluno de Ciências Sociais

Gelson Reicher

Aluno da Faculdade de Medicina

Helenira Resende de Souza Nazareth

Aluna da Letras

Henrique Cintra Ferreira de Ornellas

Faculdade de Direito

Ísis Dias de Oliveira

Aluna de Ciências Sociais

Jane Vanini

Aluna de Ciências Sociais

Jeová Assis Gomes

Aluno do Instituto de Física

João Antônio Santos Abi-Eçab

Aluno de Filosofia

João Leonardo da Silva Rocha

Aluno da Faculdade de Direito

José Roberto Arantes de Almeida

Aluno do Instituto de Física

Juan Antonio Carrasco Forrastal

Aluno do Instituto de Física

Lauriberto José Reys

Aluno da Escola Politécnica

Ligia Maria Salgado Nobrega

Aluna de Pedagogia

Luiz Eduardo da Rocha Merlino

Aluno de História

Luiz Fogaça Balboni

Aluno de Engenharia de Minas

Luiz Hirata

Aluno de Agronomia

Manuel José Nunes Mendes de Abreu

Aluno de Engenharia Química

Maria Regina Marcondes Pinto

Aluna de Ciências Sociais

Miguel Pereira dos Santos

Aluno da Escola de Aplicação

Nelson de Souza Kohl

Aluno de Artes Cênicas

Olavo Hansen

Aluno de Engenharia Metalúrgica

Ronaldo Mouth Queiroz

Aluno de Geologia

Ruy Carlos Vieira Berbert

Aluno de Letras

Sergio Roberto Corrêa

Aluno de Ciências Sociais

Sidney Fix Marques dos Santos

Aluno da Geologia

Suely Yumiko Komaiana

Aluna de Letras

Tito de Alencar Lima (Frei Tito)

Aluno de Ciências Sociais

Wilson Silva

Aluno do Instituto de Física

Wanio José Mattos

Aluno da Faculdade de Direito

Ana Rosa Kucinski

Professora do Instituto de Química

Heleny Ferreira Telles Guariba

Professora na FFLCH e na Escola de Arte Dramática

Iara Iavelberg

Professora no Instituto de Psicologia

Luiz Carlos de Almeida

Professor de Física Experimental

Norberto Nehring

Professor no Instituto de Pesquisas Econômicas

Vladimir Herzog

Professor no departamento de Jornalismo

Issami Nakamura Okano

Funcionário na Engenharia Química e no Instituto de Física

Luiza Augusta Garlippe

Funcionária do Hospital das Clínicas

Movimento estudantil no Largo São Francisco - Foto: Paulo Barbosa/Arquivo Público do Estado de São Paulo, 1977

Resistência


O Teatro Novo chegou ao fim em 1969, após a invasão de militares ao Crusp prejudicar os ensaios do grupo. Na foto,  Álvaro Ximenes
de Carvalho e Wojciech Kulesza - Foto: Acervo Teatro Novo

1976
Adusp - Associação de Docentes da USP
Criada um ano após a morte de Vladimir Herzog, jornalista e professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. A Adusp denunciava a violência contra membros da Universidade.

Movimento estudantil: ação de Centros Acadêmicos e do Diretório Central dos Estudantes (DCE), além da resistência cultural com a criação de teatros e a realização de shows.

  Reitores da USP durante o regime militar

Texto por Larissa Fernandes
Desenvolvimento e Layout por Larissa Fernandes e Thais H.Santos
Colaboração por Caio Vinícius Bonifácio

Fontes:
Relatórios da Comissão da Verdade da USP
Revista Adusp/out.2013
Fotos dos quadros dos reitores: Marcos Santos/USP Imagens

 

 

 

 

Leia as outras partes do Especial