USP e Universidade de Brasília fazem homenagens a Antonio Candido

Professor Emérito da USP foi lembrado em eventos realizados na semana passada nas duas instituições

Por - Editorias: Cultura
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Paulo Betti faz leitura em homenagem ao professor Antonio Candido de Mello e Souza, durante o evento Renovar Ressignificar, na FFLCH-USP – Foto: Marcos Santos/USP Imagens.

Ouça no link acima entrevista da diretora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, professora Maria Arminda do Nascimento Arruda, concedida no dia 31 de agosto de 2017, no programa Via Sampa, da Rádio USP, sobre o evento realizado no dia 1º de setembro, que homenageou o professor Antonio Candido.

A inauguração da placa que dá o nome do professor e crítico literário Antonio Candido de Mello e Souza (1918-2017) ao prédio do curso de Letras foi uma das atividades do evento Renovar Ressignificar, realizado no dia 1º de setembro na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. Professor Emérito da FFLCH e um dos principais críticos literários do País, Antonio Candido morreu no dia 12 de maio passado, aos 98 anos de idade. Na Universidade de Brasília (UnB), um evento reuniu especialistas, também na semana passada, para discutir a obra de Candido (leia o texto abaixo).

Na FFLCH, o evento contou com a presença das três filhas de Antonio Candido: Laura, Ana Luísa e Marina. “Antonio Candido e Gilda, nossa mãe, se conheceram na jovem Faculdade de Filosofia”, relembrou a filha Laura Mello e Souza, durante a homenagem, referindo-se à antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) da USP, na rua Maria Antonia, na região central de São Paulo. “Ali eles constituíram um sólido círculo de amizades que os acompanhou ao longo da vida. Para nós três, suas filhas, a faculdade era sinônimo de trabalho, emprego, mas também de vida afetiva.”
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Inauguração da placa que dá o nome do professor e crítico literário Antonio Candido de Mello e Souza ao prédio do curso de Letras – Foto: Marcos Santos/USP Imagens.

 

Professora Maria Arminda do Nascimento Arruda e as três filhas de Antonio Candido, Laura, Ana Luísa e Marina, durante o evento em homenagem ao professor e crítico literário – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

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“Aqui ao lado está a Biblioteca Florestan Fernandes e, agora, o prédio Antonio Candido. Eles foram dois grandes amigos enquanto viveram e continuarão juntos”, discursou a diretora da FFLCH, professora Maria Arminda do Nascimento Arruda, na inauguração da placa. Laura agradeceu: “Eu e minhas irmãs externamos a nossa gratidão e afirmamos, com toda a certeza possível, que nosso pai, lá onde está e se está, só pode se achar contente e grato, como nós, por esta homenagem”.

O ator e diretor Paulo Betti homenageou o professor por meio da leitura de trechos do livro Parceiros do Rio Bonito – originalmente a tese de doutorado em Ciências Sociais defendida por Candido em 1954, na USP – e da peça teatral Na Carreira do Divino, de Carlos Alberto Soffredini, inspirada na obra de Candido, que Betti dirigiu em 1979. Na ocasião, Betti presenteou o acervo da família e da FFLCH com uma entrevista inédita que gravou com o professor.
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Paulo Betti faz leitura em homenagem ao professor Antonio Candido durante o evento Renovar Ressignificar – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

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Além das homenagens ao professor, o evento Renovar Ressignificar incluiu um debate sobre o patrimônio físico e intelectual da FFLCH, em especial sobre a história do prédio da Geografia e História, um dos únicos edifícios propostos para integrar o “corredor das humanas” na Cidade Universitária que foi efetivamente construído, além do prédio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU).

Houve também a inauguração da primeira instalação da série Espaços de Memória, no saguão do prédio da Administração da FFLCH, com móveis originais da antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, que reproduz o espaço onde os candidatos defendiam suas teses. Além disso, o professor José de Souza Martins fez o lançamento de A Temática do Homem Simples no Desenvolvimento das Ciências Humanas na Faculdade de Filosofia da USP, originalmente a aula magna de 2017 da FFLCH.

Carolina Marins 

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O professor José de Souza Martins (no centro) faz o lançamento de sua aula inaugural de 2017 no evento Renovar Ressignificar – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

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Móveis originais da antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, primeira instalação da série Espaços de Memória, no saguão do prédio da Administração da FFLCH – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

 

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Para Schwarz, ele fazia política sem os vícios da política

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“O Brasil podia estar um horror, mas ainda tínhamos Antonio Candido. Agora, nem isso.” Foi dessa forma que o professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e crítico Roberto Schwarz iniciou sua fala em homenagem a Antonio Candido de Mello e Souza, morto em maio. O crítico literário, sociólogo e ex-professor da USP foi homenageado na semana passada em um evento na Universidade de Brasília (UnB). Durante dois dias – 30 e 31 de agosto –, Candido teve sua trajetória crítica de mais de seis décadas analisada no colóquio Candido, Schwarz e Alvim – A Crítica Literária Dialética no Brasil – Homenagem Ímpar, que também analisou a obra de Schwarz e a do poeta e diplomata Francisco Alvim. O encontro foi organizado pelo grupo de pesquisa Literatura e Modernidade Periférica, do Departamento de Teoria Literária e Literaturas do Instituto de Letras da UnB.

Ao longo de dois dias intensos de palestras – os encontros começaram pela manhã e avançaram até a noite –, os três autores tiveram sua obra e sua atividade intelectual esmiuçadas por quase duas dezenas de conferencistas e pesquisadores. Mas o ponto mais expressivo do encontro foi a mesa na qual Schwarz – que é considerado um dos principais discípulos e herdeiros intelectuais de Candido – falou do antigo mestre e amigo.

“Ele era muito politizado, mas de uma forma pouco usual. Essa mistura de modéstia, funcionalidade e alto nível não deixava de ser uma atitude política”, afirmou Schwarz.

Ele fazia política sem os vícios da política. E um traço original de sua atividade tanto como professor quanto como crítico era sua posição antidogmática.

O crítico e professor da Unicamp – que foi assistente de Candido nos anos 1960 no Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, a atual FFLCH – também salientou a “crítica integradora” de Antonio Candido e seu perfil de intelectual progressista, que queria “criar um departamento de Letras de olho no mundo, sem provincianismos”.

Schwarz fez questão ainda de reiterar o pensamento social do autor de A Formação da Literatura Brasileira ao lembrar de sua ausência de vulgaridade e completa antipatia pela opressão. “Antes de mais nada, ele tomou partido sistemático pelos oprimidos.”

Marcello Rollemberg, em Brasília (DF)

Folheto com a programação do evento realizado na semana passada, na Universidade de Brasília, em homenagem a Antonio Candido – Foto: Reprodução

 

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