Tusp apresenta as dores e descobertas em terras estrangeiras

Baseado em contos do gaúcho Caio Fernando Abreu, o ator Mateus Monteiro reestreia “Amarelo Distante”

Por - Editorias: Cultura
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Mateus Monteiro: monólogo em homenagem ao dramaturgo Caio Fernando Abreu – Foto: Divulgação/Tusp

O monólogo Amarelo Distante reestreia no Teatro da USP (Tusp) com a dramaturgia e direção de Kiko Rieser e atuação de Mateus Monteiro. Baseado em contos do jornalista e escritor gaúcho Caio Fernando Abreu (1948-1996), o monólogo, em sua segunda temporada em São Paulo, traz as descobertas, solidão e dor de um jovem em terras estrangeiras.

A peça, mistura de ficção e realidade, é baseada na experiência do escritor que, nos anos 70, ficou exilado em Londres. O cotidiano difícil e solitário em uma terra desconhecida, a sensação de estrangeirismo, a falta de dinheiro, o sentimento de revolta e saudade do Brasil estão no conto Lixo e purpurina. E também em Anotações sobre um amor urbano, uma história que evoca um amor do passado em lembranças com imagens poéticas. A junção dos dois contos resultou em Amarelo Distante.

A solidão marca a literatura de Abreu, reconhecida com três Prêmios Jabuti – Foto: Divulgação/Tusp

.Kiko Rieser, formado em Artes Cênicas pela USP, explica que a peça tem os contos como referência, mas não se fixa neles, pois há uma fabulação própria. “O fio condutor é a estrutura fragmentária do diário. O autoexílio em Londres, intercalado por evocações de diferentes amores – do presente, do passado e, talvez, do futuro – surge como válvula de escape, pequenas fugas psicológicas que tornam possível a sobrevivência e que enriquecem um pouco o imaginário desse personagem mergulhado em completa miséria material e emocional.”

O ator Mateus Monteiro, formado pela Escola de Atores Wolf Maya e dramaturgo pela SP Escola de Teatro, assinala que o espetáculo foi apresentado em fevereiro do ano passado no Teatro Augusta, em São Paulo. “O monólogo foi montado para reverenciar os 20 anos da morte de Caio Fernando Abreu”, explica. “Para potencializar uma peça cujo motor principal é a palavra, e tentar expressar no palco a miséria, emocional e material, à qual é submetido o personagem, buscou-se uma encenação minimalista. O espetáculo cria imagens que tentam reproduzir o universo mental do personagem.”

Monteiro vem participando de seriados na televisão e de diversas peças, sendo indicado, em 2016, ao Prêmio Shell de melhor ator pelo espetáculo Play Ground, de Marco Antonio Pâmio.

Encenação minimalista explora o universo mental do personagem – Foto: Divulgação/Tusp

A peça Amarelo Distante estreia neste sábado, dia 9 de setembro, e fica em cartaz até 1º de outubro, sempre aos sábados, às 20 horas, e aos domingos, às 18 horas, no Teatro da USP (Tusp), que fica na rua Maria Antonia, 294, Vila Buarque, em São Paulo. Entrada grátis. Mais informações pelos telefones (11) 3123-5223 / 5233.

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