Simpósio relembra cem anos da Revolução Russa

Com especialistas do Brasil e do exterior, evento ocorre de 3 a 6 de outubro, no Departamento de História

Por - Editorias: Cultura
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Em mais de 90 painéis, evento na USP vai refletir sobre os desdobramentos da revolução russa ao longo do século 20, em diversos campos da política, da cultura e da sociedade – Foto:Divulgação

De 3 a 6 de outubro, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP vai se voltar para um dos eventos mais significativos do século 20: a Revolução Russa de 1917. A chegada ao poder dos operários e camponeses liderados por Lenin e a instauração do primeiro regime declaradamente socialista da história são o ponto de partida do Simpósio Internacional 1917-2017 – Centenário da Revolução Russa: 100 Anos que Abalaram o Mundo.

“A Revolução Russa não só ‘abalou o mundo’, no título do célebre livro de John Reed, ela mudou o mundo de um modo irreversível, em que pese a ulterior dissolução da URSS”, analisa o professor Osvaldo Coggiola, do Departamento de História da FFLCH, organizador do evento. Para ele, pensar o mundo capitalista hoje sem o impacto histórico da revolução soviética equivale a não pensá-lo.

“A revolução chinesa, por exemplo, foi uma de suas consequências. Dá para pensar o mundo de hoje sem pensar a China? E dá para pensar a China sem considerar a revolução liderada pelo Partido Comunista chinês? Cem anos depois, a Revolução de Outubro continua a abalar o mundo”, reflete Coggiola.

O professor frisa ainda que as polêmicas levantadas pela Revolução Russa, longe de estarem ultrapassadas, reaparecem com força maior na atualidade. “O destino e contradições da revolução soviética foram o ponto nodal de todos os grandes embates políticos e bélicos do século 20. Depois de 1991, a restauração do capital nos países e regiões onde fora expropriado foi apressadamente proclamada como o início de outra era, em que a dominação tranquila e inconteste do capital se projetava para a eternidade, mas pouco durou essa ilusão. Em 1997, a partir da Ásia, uma crise econômica abalou os alicerces da ordem mundial. O reingresso de regiões enormes e de bilhões de seres humanos ao mercado capitalista aguçou todas suas contradições, a começar pela sobreprodução de mercadorias e a sobreacumulação de capitais, levando ao terremoto financeiro que assolou e assola o planeta a partir de 2008.”

Segundo Coggiola, as interpretações históricas da revolução, parciais ou de conjunto, hoje voltam a ter atualidade política. “A Revolução de Outubro”, aponta, “saiu do museu no qual tinha sido precipitadamente confinada, junto com Karl Marx, para voltar às ruas de um mundo abalado.” O que muda, destaca o professor, são a forma e o conteúdo de seu debate. “Hoje, sua mitificação ou deturpação aparecem, muito mais claramente do que no passado, como o obstáculo principal a ser removido.”

Tropas bolcheviques marchando na Praça Vermelha – Foto: Wikimedia Commons

A programação do simpósio conta com mais de 90 mesas distribuídas ao longo de quatro dias, que pretendem abordar não somente a Revolução Russa, mas suas consequências ao longo do século 20 em todo o mundo. A Cultura e as artes na União Soviética, a Revolução de Outubro e o mundo árabe e muçulmano, a Revolução e a homossexualidade e as Mulheres na Revolução Russa são alguns dos temas presentes.

Dentre os convidados internacionais, o evento contará com a participação de Tamás Krausz, da Eötvös Loránd University, de Budapeste, autor da “mais autorizada e inovadora biografia intelectual de Lenin”, segundo Coggiola. Também estarão presentes o intelectual brasileiro radicado na França Michael Löwy e Raquel Varela, da Universidade Nova de Lisboa, autora de um livro sobre a Revolução dos Cravos. Fecham a lista internacional Sevtap Demirci, da Universidade Boğaziç, da Turquia, que falará sobre a relação da revolução soviética e o nascimento da República Turca, e Daniel Gaido, da Universidade de Córdoba.

O professor destaca ainda a participação do reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Leher, que falará sobre a relação entre a Revolução Russa e a educação. “Como se sabe”, comenta Coggiola, “várias das mais importantes teorias pedagógicas do século 20 pertencem a educadores soviéticos”.

Bolchevique (1920), por Boris Kustodiev – Foto: Wikimedia Commons

Fruto da revolta contra o regime absolutista dos czares, as condições atrasadas e agrícolas do Império Russo e a participação na Primeira Guerra Mundial, a Revolução Russa eclode em fevereiro de 1917 (março no calendário ocidental), com a derrubada do czar Nicolau II. Em seu lugar é constituído um governo provisório de caráter liberal, por sua vez derrubado pelos bolcheviques liderados por Vladimir Lenin em outubro de 1917 (novembro, pelo calendário ocidental).

A chegada ao poder dos bolcheviques traz a saída da Rússia da guerra, ao mesmo tempo em que mergulha o país numa guerra civil que se estende até 1920, quando o Exército Vermelho derrota o Exército Branco, composto pela antiga elite do país e descontentes. Com isso, o Partido Comunista Russo assume definitivamente o controle do país.

Em 30 de dezembro de 1922 surge oficialmente a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), com a reunião de territórios que integravam o Império Russo.

O Simpósio Internacional 1917-2017 – Centenário da Revolução Russa: 100 Anos que Abalaram o Mundo é uma realização do Departamento de História da FFLCH. A organização é de Osvaldo Coggiola, Jorge Grespan, Sean Purdy, Everaldo de Andrade, Milton Pinheiro, Francisco Alambert, Angela Segrillo, Lincoln Secco, Rodrigo Ricupero, Luiz Bernardo Pericás, Adrián, Fanjul, Maria Luisa Schmidt e Khaled Ghoubar.

Para a programação completa, visite a página http://cemanosrevolucaorussa.fflch.usp.br

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