“Ruth Escobar levou teatro do Brasil ao exterior”, diz professor

A atriz e produtora cultural, que morreu no dia 5, também buscou popularizar o teatro no País

Por - Editorias: Cultura
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A atriz e produtora Ruth Escobar – Foto: Reprodução / TV Cultura via YouTube

Ruth Escobar foi uma mulher arrojada, que promoveu eventos internacionais de teatro no Brasil responsáveis pela internacionalização do teatro e da cultura brasileira. Ela projetou a produção teatral do País para o exterior. A afirmação é do professor José Batista Dal Farra, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, ao comentar para o Jornal da USP a trajetória da atriz e produtora cultural Ruth Escobar, que morreu na tarde de quinta-feira, dia 5, aos 82 anos. Ela sofria de Alzheimer e estava internada há um mês no Hospital Nove de Julho, em São Paulo. “Ela tem uma dimensão enorme.”

Dal Farra se refere à criação, nos anos 70, do Festival Internacional de Teatro de São Paulo, uma ideia ousada de Ruth, que tinha o objetivo de trazer periodicamente para a cidade montagens de grandes nomes do teatro mundial, como a peça Time and Life of Joseph Stalin, de Bob Wilson.

A atriz também tomou iniciativas para popularizar o teatro. Em 1964, circulou com um ônibus pela periferia paulistana apresentando espetáculos como A Pena e a Lei, de Ariano Suassuna, num projeto batizado de Teatro Nacional Popular, que durou cerca de um ano.

Nascida em Portugal em 1935, Ruth Escobar se mudou em 1951 para o Brasil, onde mais tarde se casou com o filósofo e dramaturgo Carlos Henrique Escobar. Em 1958 embarcou com ele para a França, onde estudou interpretação. 

No retorno ao Brasil, Ruth fundou sua própria companhia teatral, a Novo Teatro, em parceria com o diretor Alberto D’Aversa. Dirigida por ele, a atriz protagonizou em 1960 Mãe Coragem e Seus Filhos, de Bertolt Brecht, e, em 1961, Males da Juventude, de Ferdinand Bruckner. No ano seguinte, interpretou Antígone América, texto de seu marido.

Em 1963, Ruth abriu o Teatro Ruth Escobar, no bairro do Bixiga, em São Paulo. Além de apresentar peças como A Ópera dos Três Vinténs, de Bertolt Brecht, o local foi palco da repressão imposta pela ditadura militar (1964-1985). Em 1968, o Comando de Caça aos Comunistas (CCC) – grupo de direita que combatia o comunismo – interrompeu a interpretação de Roda Viva, de Chico Buarque de Holanda, depredou o cenário e espancou os atores.

Nos anos 80, Ruth deixou os palcos de lado para subir nos palanques e candidatar-se a deputada estadual, cargo que exerceu por dois mandatos, pelo PMDB e pelo PDT, e lançou o livro Maria Ruth Uma Autobiografia, em que conta sua trajetória. Mais tarde, em 1994, voltou ao teatro, ainda trabalhando na internacionalização, trazendo grupos como o Aboriginal Islander Dance Theatre, da Austrália, que mescla dança e teatro.
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