Relações culturais entre Brasil e França são tema de colóquio

Nos dias 3 e 4 de outubro, evento fará homenagem aos professores Pierre Rivas, da Sorbonne, e Leyla Perrone-Moisés, da USP

Por - Editorias: Cultura
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Leyla Perrone Moises - Foto: Mauro Bellesa/IEA
Leyla Perrone-Moisés – Foto: Mauro Bellesa/IEA

A professora Leyla Perrone-Moisés – pioneira no estudo das relações culturais entre Brasil e França – será homenageada durante o Colóquio Relações Culturais e Literárias entre o Brasil e a França de Meados do Século XIX até 1980, que o Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP realizará nos dias 3 e 4 de outubro. Outro homenageado no encontro será o Professor Emérito da Universidade Sorbonne, de Paris, na França, Pierre Rivas, considerado um dos maiores especialistas franceses em literatura brasileira. O colóquio é promovido pelo Grupo de Estudos Brasil-França do IEA.

O colóquio será oportunidade para fazer um balanço da produção do Grupo de Estudos Brasil-França desde o seu surgimento, no final dos anos 80, até hoje, segundo a professora Regina Salgado Campos, coordenadora do grupo. Ela lembra que os estudos sobre a França na USP tiveram início e foram fortalecidos com o trabalho da professora Leyla, que em 1978 criou o Projeto Lery-assu. Implantado na área de pós-graduação em Língua e Literatura Francesa da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), o projeto tinha como objetivo estudar as relações entre a literatura brasileira e a literatura francesa.

Regina Salgado Campos - Foto: Leonor Calasans/IEA
Regina Salgado Campos – Foto: Leonor Calasans/IEA

O nome do projeto se refere ao escritor francês Jean de Léry, autor de Histoire d’un voyage faict en la terre du Brési, de 1578, que reúne observações feitas durante sua viagem ao Brasil. “Como leri quer dizer ‘ostra’ em tupi, os índios passaram a chamar Léry de Leri-assu, que significa ‘ostra grande’”, lembra Regina.

Ao Jornal da USP, a professora Leila recordou o momento exato em que teve a ideia do projeto: “Em 1978 já havia trânsito em São Paulo e eu lembro que estava presa nele e pensando nos temas que os alunos iriam trabalhar em literatura francesa. Eu pensava que era um absurdo os alunos estudarem apenas os grandes autores, o que era uma gota no oceano do conhecimento. E foi quando pensei em fazer um trabalho novo sobre a repercussão da literatura francesa na brasileira”.

Pierre Rivas - Foto: Clube de Imprensa e Comunicação Gard
Pierre Rivas – Foto: Clube de Imprensa e Comunicação Gard

Segundo Leyla, o nome Lery-assu derivou da antropofagia típica da cultura brasileira. “Ele vem dessa ideia de devorar, de Oswald de Andrade. Queríamos saber como o Brasil ‘devorou’ a cultura francesa”, destaca a professora, lembrando que vários trabalhos produzidos pelo projeto foram publicados. “Depois os alunos do projeto passaram em concursos e se tornaram professores em universidades importantes.”

Professora Emérita da FFLCH da USP, Leyla já recebeu dois títulos do governo francês, o Officier de l’Ordre des Palmes Académiques e o Chevalier de l’Ordre des Palmes Académiques. Ganhou o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, o Prêmio Fundação Bunge de Crítica Literária e o Prêmio Alejandro José Cabassa, da União Brasileira de Escritores. Foi coordenadora do Núcleo de Pesquisa Brasil-França do IEA entre 1988 e 2010.

Freyre e Barthes

O colóquio terá início no dia 3 de outubro com a participação dos dois homenageados. Às 14h15, Leyla fará a palestra intitulada Gilberto Freyre lido por Roland Barthes em 1953 e, às 15h30, Rivas abordará L’Invention du Brésil. Em seguida, os professores Gilberto Pinheiro Passos e Regina Salgado Campos – ambos da FFLCH – falarão, respectivamente, sobre a obra de Leyla e de Rivas.

A programação do segundo dia começa com uma apresentação da professora francesa Monique Grosselin, da Sorbonne, que falará sobre Vous autres, Brésiliens, selon Bernanos. Em seguida, serão realizadas pequenas comunicações de dez a quinze minutos sobre o trabalho desenvolvido por professores do Grupo de Estudos Brasil-França do IEA, desde 1978 até hoje.

“Ao propor esse colóquio, o IEA procura reunir estudiosos das relações franco-brasileiras de dentro e de fora da USP para apresentarem novos conhecimentos e debaterem o assunto em função da ampla bibliografia existente sobre o tema”, afirma o texto de apresentação do colóquio.

O Colóquio Relações Culturais e Literárias entre o Brasil e a França de Meados do Século XIX até 1980 será realizado nos dias 3 e 4 de outubro, a partir das 14 horas, na Antiga Sala do Conselho Universitário da USP (rua da Praça do Relógio, 109, térreo, Cidade Universitária, São Paulo). Haverá transmissão ao vivo pelo link http://www.iea.usp.br/aovivo. Mais informações podem ser obtidas na página eletrônica do IEA (www.iea.usp.br).

 

 

 

 

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