Mostra do Cinusp discute fronteiras entre documentário e ficção

Seleção de filmes questiona paradigmas e convenções que separam a ficção do documentário

Por - Editorias: Cultura
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Cartaz da mostra Documentário/Ficção – Intersecções – Foto: Divulgação

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O Cinema da USP Paulo Emílio (Cinusp) exibe de 2 até 26 de maio a mostra Documentário/Ficção – Intersecções. A programação traz 19 obras que embaralham as distinções entre esses dois modos de fazer cinema e questionam a veracidade de seus próprios conteúdos.

As produções selecionadas vão das origens do cinema documental até a atualidade, com títulos brasileiros e internacionais. Atravessando as décadas e as barreiras geográficas, surgem questões recorrentes. Em que medida o documentário é narrativa do real? Em que medida a ficção é seu contrário? O documentário é verdade e a ficção, mentira?

Nanook, o Esquimó, de Robert J. Flaherty – Foto: Divulgação/Cinusp

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“O norte da mostra é pegar esses modelos que a gente tem na cabeça, como a ficção e o documentário, e buscar filmes que colocam em xeque a fronteira entre esses dois gêneros. São filmes que de um modo ou de outro trabalham com a intersecção entre uma coisa e outra”, afirma Mauricio Battistuci, um dos curadores da programação.

Nanook, o Esquimó, filme estadunidense de 1922 dirigido por Robert J. Flaherty, abre a mostra. Considerado o filme fundador do gênero documental, já traz também as questões que motivam a seleção do Cinusp. Ao apresentar o modo de vida dos inuítes, Flaherty encena parte da obra, fazendo com que os personagens desempenhem práticas obsoletas em sua cultura.
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Close-up, de Abbas Kiarostami – Foto: Divulgação/Cinusp

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Close-up, do iraniano Abbas Kiarostami, mistura material documental com reconstituições encenadas, esfumaçando propositalmente a linha entre documentário e ficção. Lançado em 1990, exibe imagens documentais de um julgamento e a encenação de seus antecedentes. A fusão das imagens cria dúvidas sobre o que é ficcional e documental na tela, gerando um filme de categorização complexa.

Entre as produções brasileiras, Jogo de Cena de Eduardo Coutinho se destaca pela abordagem explícita da problematização do real na tela. O filme é composto de 23 relatos de mulheres, alguns reais e outros encenados. Nem todos os depoimentos revelam sua natureza e o espectador é provocado a decifrá-los. Dentre os temas dos relatos estão questões como maternidade, relacionamentos e homossexualidade.
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Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho – Foto: Divulgação/Cinusp

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Para Battistuci, as reflexões sobre o real e sua representação são recorrentes na arte cinematográfica. “É uma discussão que está muito em voga dentro do cinema como um todo. O cinema contemporâneo insiste em debater esse assunto, todos os anos.”

Ainda segundo Battistuci, a preocupação do cinema com o real é parte de um movimento maior, que engloba toda a arte. “A contemporaneidade discute constantemente as concepções de representação e correspondência com o real. É uma discussão de ordem filosófica e estética que permeia toda a história da arte”, afirma o curador.
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A Cidade é Uma Só, de Adirley Queirós- Foto: Divulgação/Cinusp

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A mostra Documentário/Ficção – Intersecções tem entrada franca, com sessões às 16 e 19 horas. O Cinusp fica na Cidade Universitária, na Rua do Anfiteatro, número 181, Favo 4 da Colmeia. Os horários das sessões e as sinopses dos filmes estão disponíveis no site do Cinusp.

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