Mostra marca os 70 anos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo

Exposição apresenta o trabalho de sete décadas da USP em arquitetura, arte e planejamento urbano

Por - Editorias: Cultura

Ouça no link acima entrevista da professora Ana Duarte Lanna, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, sobre a mostra FAU 70 Anos, no programa Via Sampa, da Rádio USP, transmitida no dia 13 de abril. 

Na sala 1, os cartazes e diversas publicações traçam uma linha do tempo – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

“Em busca do tempo perdido. Reconhece alguém? Procure. Encontre. Comente.” A informação está colada em um pedestal onde repousa um saudoso álbum de retratos de estudantes, funcionários e professores desde a criação, em 1948, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP. Está logo na entrada da exposição FAU 70 Anos, apresentada no edifício Joaquim Nabuco do Centro Universitário Maria Antonia (Ceuma) da USP, em São Paulo. É uma das atrações da mostra. Os interessados mergulham no tempo, ficam procurando uma imagem conhecida e fazem questão de apontar e marcar com adesivos coloridos quando se acham entre os estudantes ou encontram alguém conhecido. Lá estão João Batista Vilanova Artigas, Benedito Lima de Toledo, Helena Ayoub, Ângelo Bucci, Sheila Walbe Ornstein, os artistas Feres Khoury e Carlos Zibel Costa e tantos outros mestres, funcionários e estudantes. Todos jovens, alguns elegantes de terno e gravata, outros de cabelos compridos, camisa florida e jeans.

As curadoras e professoras Ana Castro (à esquerda) e Ana Duarte Lanna: “Esta mostra é um trabalho coletivo” – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Ao ver o movimento e o interesse que a exposição vem despertando, as curadoras Ana Lucia Duarte Lanna e Ana Castro, professoras do Departamento de História da FAU, ficam contentes. “É emocionante ver as pessoas se encontrando nos retratos, nos projetos, livros, cartazes”, observa Ana Castro. “Eu sempre brinco que a FAU é muito fotogênica. Destaca-se em cartazes e tanto o prédio de Artigas como a casa da Rua Maranhão e todos os seus personagens são iluminados.”
Ana conta que a iniciativa de realizar a mostra foi dos funcionários. “Eles nos procuraram e nos ajudaram resgatando a documentação oficial da FAU, que está na vitrine da primeira sala, onde há registros importantes como o decreto de fundação.”

Os visitantes percorrem 70 anos de história – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

A ideia passou a mobilizar alunos, ex-alunos, professores e funcionários. “A exposição revela a FAU em sua enorme diversidade e capacidade de incidir de forma transformadora no mundo pessoal, institucional e social”, explica Ana Lanna. “São apresentados projetos, práticas políticas, experiências didáticas, realizações técnicas e artísticas, num espectro amplo da produção de conhecimento que esta escola proporciona.”

“É possível percorrer a linha do tempo a partir de uma seleção de ações que envolvem atividades de gestão, experiências estudantis e docentes.”

O resultado do trabalho coletivo está em duas grandes salas. “É possível percorrer a linha do tempo a partir de uma seleção de ações que envolvem atividades de gestão, experiências estudantis e docentes”, explica Ana Lanna. “Todas elas utilizando os múltiplos recursos de aprendizado disponíveis na escola”, observa. “Na primeira sala estão reunidos projetos, práticas políticas, experiências didáticas, realizações técnicas e artísticas, num espectro amplo da produção de conhecimento. Já na segunda sala estão expostas as atividades mais recentes da faculdade, que detalham a presença e o compromisso com a sociedade.”

A exposição de documentos – como o decreto de fundação da faculdade – exigiu pesquisas feitas por funcionários da unidade – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

A FAU é referência para as escolas de arquitetura do Brasil e do exterior. Na mostra estão os livros que seus professores, artistas e designers lançaram sobre o planejamento urbano, a história das metrópoles e a arte brasileira. Obras como Operários da Modernidade, de Maria Cecília França Lourenço, Casa Paulista, de Carlos Lemos, São Paulo – Três Cidades em Um Século, do historiador Benedito Lima de Toledo, e tantas outras que estão na bibliografia de incontáveis pesquisas.
Os visitantes também podem apreciar, nessa primeira sala, o trabalho dos professores artistas que estão nos espaços públicos, como o de Claudio Tozzi e as gravuras de Renina Katz, que já ilustraram poemas de grandes escritores, como Cecília Meireles, em Romanceiro da Inconfidência. Há também a arte de Luiz Baravelli, Amália Giacomini, Maurício Nogueira Lima, Feres Khoury. E o design da famosa cadeira Girafa, de 1986, assinada por Lina Bo Bardi em parceria com Marcelo Ferraz e Marcelo Suzuki, a poltrona Katinsky, de Júlio Katinsky, criada em 1959, a Cadeira Paulistana desenhada por Paulo Mendes da Rocha em 1959, além de objetos que são referência no design brasileiro, como a luminária Ginga, de Giorgio Giorgi.

Livros de professores da FAU que são referência no ensino da arquitetura, design e arte – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Importante observar também o trabalho recente de professores como Giselle Beiguelman na arte digital. Ela apresenta a videoinstalação Odiolândia, que está também na 1ª Bienal de Arte Digital, em Belo Horizonte.
A homenagem ao trabalho de todos na construção da história dos 70 anos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP está em um grande mural na segunda sala, que reúne os nomes dos seus professores, funcionários e estudantes.

A exposição FAU 70 Anos fica em cartaz até 24 de junho, de terça-feira a domingo, das 10 às 18 horas, no Centro Universitário Maria Antonia (Ceuma) da USP (Rua Maria Antonia, 294, Vila Buarque, em São Paulo). Entrada grátis.

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