Livro sobre jornalismo premiado com o Jabuti teve origem em tese defendida na USP

Carlos Eduardo Sandano, que defendeu doutorado na Escola de Comunicações e Artes (ECA), teve seu trabalho reconhecido como a melhor publicação de 2016 na categoria Comunicação

Por - Editorias: Cultura
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Carlos Sandano: discussões sobre o futuro do jornalismo - Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
Carlos Sandano: discussões sobre o futuro do jornalismo – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

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No dia 11 de novembro, a Câmara Brasileira do Livro (CBL) divulgou a lista dos livros ganhadores da 58ª edição do Prêmio Jabuti, o mais importante da literatura nacional. Na categoria
Comunicação, a obra escolhida foi Para além do Código Digital – O lugar do jornalismo em um mundo interconectado, de Carlos Eduardo Sandano, doutor pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. O livro resultou justamente da adaptação da tese de doutoramento de Sandano, que foi orientado pela professora Cremilda Medina, a quem coube a função de escrever a apresentação do livro.

Sandano, que atualmente atua como docente do curso de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, conta que não planejava publicar em forma de livro sua tese. Mas comenta que, ao final do longo processo de pesquisa que realizou, compreendeu que o resultado poderia ser facilmente traduzido em um livro que tinha algo a dizer. “Acredito que a discussão que é proposta no livro, sobre o jornalismo e de que tipo de jornalismo nós necessitamos hoje, não deveria se restringir ao âmbito acadêmico, mas avançar para outros setores que não necessariamente acompanham as discussões acadêmicas”, relata o professor.

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O livro de Sandano premiado com o Jabuti – Foto: Reprodução

Sobre a influência que a professora Cremilda exerceu em sua pesquisa e no processo de criação do livro, Sandano afirma que grande parte das referências jornalísticas que usa para suas análises partiu das pesquisas prévias da professora e dos ensinamentos transmitidos por ela durante as aulas do doutorado. Os conceitos de “narrativas da contemporaneidade” e “afetividade” de Cremilda, por exemplo, apresentaram grande influência sobre seu trabalho. Ele conta ainda que, além de Cremilda, teve grande influência de Hugh Lacey, filósofo da ciência que nasceu na Austrália mas se estabeleceu nos Estados Unidos.

No início de seu livro, Sandano lista valores e virtudes que entende fundamentais para garantir a boa prática jornalística, principalmente num mundo dominado pelas redes digitais de comunicação. O começo da discussão apresenta, então, quão necessário é para o jornalista assumir a responsabilidade sobre aquilo que publica. Isso, ele ressalta, não diz respeito somente à veracidade dos fatos ou à objetividade da redação, mas também às pautas escolhidas para serem publicadas. “Assumir a responsabilidade sobre o que se publica é o primeiro passo para se produzir jornalismo de qualidade”, afirma.

Sandano também discute, posteriormente, o conceito de imparcialidade que, segundo ele, é geralmente visto no jornalismo como a simples ausência de juízo de valor. O professor defende que essa visão é insuficiente. Ainda que, dentro das redações, valores subjetivos sejam responsáveis pela determinação do que é e do que não é notícia, a imparcialidade deve ser “a tentativa consciente de agregar o maior número possível de diferentes perspectivas de valor”. Ele acredita que a imparcialidade está intimamente relacionada com o tamanho do espectro de perspectivas divergentes que se usa.

Em todas as suas análises, o professor Sandano utiliza casos concretos, sendo que cada um dos capítulos do livro apresenta um estudo de caso. Segundo ele, a mescla entre o mundo teórico-científico e o mundo concreto foi sempre muito presente por conta de sua vasta experiência no mercado jornalístico. “Eu acredito que a melhor maneira de analisar se aquelas concepções teóricas faziam sentido na prática jornalística cotidiana era trabalhar com casos reais”, aponta. Ao tratar, por exemplo, das representações de Maomé que eram feitas pelo jornal francês Charlie Hebdo, Sandano acabou prevendo coincidentemente a tragédia que ocorreria alguns anos depois.

O professor conta que recebeu com muita alegria a notícia de que seu livro havia ficado entre os finalistas na categoria Comunicação do Prêmio Jabuti, pois acreditava que isso já mostrava suficiente reconhecimento de seu trabalho. O sentimento, segundo ele, foi potencializado quando soube que seu trabalho havia sido selecionado como o melhor da área em 2016. Sandano conta que a alegria maior é saber que suas conclusões fazem sentido para outras pessoas. “Acredito que o livro foi selecionado porque trata de uma questão relevante, nos propõe a pensar sobre o jornalismo. A discussão sobre a função social do jornalismo, de promover a tolerância, a solidariedade e a democracia, é muito pungente e atual”, completa.

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