Lisbeth Rebollo dirige Associação Internacional de Críticos de Arte

Professora da USP assumiu a presidência da entidade no dia 17 de novembro, em cerimônia realizada em Paris

Por - Editorias: Cultura
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Lisbeth Rebollo Gonçalves: discurso de posse no Auditório do Centro Georges Pompidou, na França – Foto: Reprodução

“É um grande desafio estar encarregada da direção da Associação Internacional de Críticos de Arte (Aica), na qual existe uma rica diversidade cultural, reunindo 64 seções nacionais e 95 países, num total de mais de 4.500 associados.” Com esse depoimento, Lisbeth Rebollo Gonçalves assumiu a presidência da Aica, numa solenidade realizada no dia 17 de novembro, no auditório do Centro Georges Pompidou, na França.
É a primeira vez, em 70 anos de atividades, que os integrantes da Aica elegem uma brasileira para ficar à frente da associação. Uma escolha democrática – votaram críticos e pesquisadores do mundo inteiro – que reconhece o mérito e dedicação de Lisbeth Rebollo na arte brasileira e internacional. Com uma carreira como docente e pesquisadora da USP, Lisbeth atuou, por duas gestões, no Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP, sendo uma das responsáveis pela conquista da nova sede, no Ibirapuera. Tem diversos livros e artigos publicados sobre crítica e história da arte e curadorias de exposições com a participação de artistas brasileiros e internacionais. Entre as suas diversas funções, atuou como presidente da Associação Brasileira de Críticos de Arte. Também recebeu inúmeros prêmios pelos livros publicados e atuação na divulgação da arte brasileira.

“A Aica tem objetivos relevantes. Teve no passado e tem no presente o objetivo de ressaltar a necessidade de reconhecimento da diferença cultural.”

Lisbeth Rebollo explica que sempre acreditou na importância do trabalho das associações, no seu sentido social de aproximação de pessoas e de interação em torno de determinados objetivos que podem ter forte repercussão na sociedade. “A Aica tem objetivos relevantes. Teve no passado e tem no presente o objetivo de ressaltar a necessidade de reconhecimento da diferença cultural, e da ética, fundamental e urgente nos dias de hoje.”

Lisbeth e o crítico e filósofo francês Georges Didi-Huberman, premiado pela Aica por sua atuação nas artes, no Centro Pompidou – Foto: Reprodução

A Aica nasceu logo após a Segunda Grande Guerra, no âmbito da Unesco. “A meta era uma colaboração com essa entidade no sentido de contribuir para a reconstrução de valores éticos, em dimensão internacional, promovendo a aproximação entre diferentes culturas e reconhecendo a importância dessa diferença”, observa a professora. “Cumpriu e vem cumprindo esse papel.”
Hoje, a Aica é um espaço já consagrado de comunicação no campo da cultura e da arte, em que muitas vozes podem se manifestar e se expressar. “Se, por um lado, visa à crítica de arte, para além do discurso estético, apresenta-se também como um terreno aberto aos debates da sociedade que lhe é contemporânea. Suas ações e decisões e seus debates podem ter uma importante repercussão ética não só no campo da cultura, mas igualmente no campo da sociedade.”

“Numa época de globalização da comunicação, a Aica precisa utilizar-se dos meios eletrônicos como o YouTube. Precisamos trabalhar em rede.”

Lisbeth já está traçando várias metas entre as atividades da Aica. Destaca a ampliação da visibilidade da produção intelectual dos membros da associação. “Precisamos usar os recursos de comunicação digital, promovendo publicações em forma de e-books, em todos os congressos, simpósios e seminários. Essas publicações estarão acessíveis on-line e impressas on demand.”

Da esquerda para a direita: Marek Bartelik (presidente da Aica, 2011-2017), Adriana Almada (presidente da Aica do Paraguai), Raphael Cuir (presidente da Aica da França), Lisbeth Rebollo Gonçalves (presidente da Aica International), Mathilde Roman (tesoureira da Aica International) e Marjorie Allthorpe-Guyton (presidente da Aica do Reino Unido e secretária geral da Aica International) – Foto: Reprodução

Na avaliação da presidente, é muito importante o trabalho em rede. “Numa época de globalização da comunicação, a Aica precisa utilizar-se dos meios eletrônicos como o YouTube. Ter um canal para a difusão de suas conferências, debates e outros eventos.”
Outro ponto importante é estimular a interação entre as seções nacionais da Aica, em torno de projetos de comum interesse, buscando atender às especificidades locais, sempre valorizando as diferenças. Lisbeth destaca também a atuação da associação no estímulo à prática do debate em torno da arte e da crítica de arte. “Assim, estaremos ativando um dos objetivos-chave, que é desenvolver a cooperação internacional e examinar e analisar as forças sociais, políticas e econômicas que contextualizam a arte.”
Outro desafio de Lisbeth na presidência da Aica é contribuir para a divulgação dos trabalhos do Arquivo de Crítica de Arte da Aica, que está na Universidade de Rennes, e trabalhar em interação com o Instituto Nacional de História da Arte. “Pretendemos reservar, em cada evento internacional da associação, um espaço para o resgate da história institucional, com base em documentos de sua trajetória, dos congressos e da trajetória das personalidades intelectuais que contribuíram para a sua consolidação”, observa. “E, claro, manter um canal aberto de comunicação com os presidentes das seções nacionais para ouvir ideias e sugestões de trabalho que afirmem sempre a Associação Internacional de Críticos de Arte na cena mundial da sociedade contemporânea.”

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