Há 30 anos a arte da xilogravura tem endereço certo

Fundado por Antonio F. Costella, professor da ECA- USP, o Museu Casa da Xilogravura reúne obras de mil artistas

Por - Editorias: Cultura
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Construída em 1928, a casa em estilo alemão apresenta xilogravuras de diversos países – Foto: Divulgação Museu Casa da XilogravuraConstruída em 1928, a casa em estilo alemão apresenta xilogravuras de diversos países – Foto: Divulgação Museu Casa da Xilogravura

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É um sonho que foi sendo impresso aos poucos, com o mesmo cuidado de uma xilogravura. Quando via os seus desenhos e os de outros artistas na parede da sala de sua casa, Antonio Fernando Costella – artista, jornalista e professor da Escola de Comunicações e Artes da USP – ficava imaginando como seria importante ter um lugar próprio que acolhesse e divulgasse a arte dos gravadores.

A ideia foi sendo desenhada aos poucos até que o professor resolveu tirar a arte do papel. Decidiu transformar a sua própria residência no Museu Casa da Xilogravura. “Esse projeto foi brotando naturalmente depois de fazer um curso de xilografia”, conta. “Fiquei tão encantado com a técnica que passei a visitar exposições de xilógrafos e comecei a comprar gravuras.” Em pouco tempo, Costella reuniu trabalhos de artistas de países e tempos diferentes. “Então imaginei que se montasse um espaço adequado, elas poderiam ser apreciadas e compartilhadas com outras pessoas.”

O professor foi adaptando a sua casa branca entre as araucárias e montanhas de Campos do Jordão. Uma construção de 1928, na Vila Jaguaribe, que sediou o Mosteiro de São João, onde viviam as freiras beneditinas. “A garagem, outros dois cômodos foram sendo reformados para que pudessem exibir as xilogravuras. Abri uma porta e um portão em direção à praça da igreja de Nossa Senhora da Saúde para que as pessoas se sentisse à vontade para entrar e visitar.”

Na tarde de 17 de julho de 1987, o Museu Casa da Xilogravura, o primeiro do País, foi inaugurado. “Na época, não imaginei que fosse crescer tanto, a ponto de ocupar todos os espaços da casa e muitos outros que construí para ele. Diante do crescimento do acervo, acabei sendo expulso dali. Felizes por ver esse sonho se realizando, Leda, minha esposa, e eu mudamos para outra casa.”
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O acervo reúne xilogravuras de artistas do Brasil e de diversos países – Foto: Divulgação Museu Casa da Xilogravura
O acervo reúne xilogravuras de artistas do Brasil e de diversos países – Foto: Divulgação Museu Casa da Xilogravura

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O primeiro do País

Trinta anos depois entre centenas de exposições, o Museu Casa da Xilogravura preserva em seu acervo milhares de obras assinadas por mil xilógrafos do Brasil, Alemanha, Suíça, França, Espanha, Portugal, Itália, Inglaterra, Espanha, República do Sudão, China, Japão, Estados Unidos, Argentina, Peru entre outros países. A coleção, segundo o professor, é tratada com rigor museológico. A catalogação, conservação, restauro, proteção e exibição das peças estão sob a responsabilidade da diretora técnica e museóloga, Leda Costella.

Hoje, a Casa da Xilogravura dispõe de trinta salas de exposição, ateliê de xilografia, oficina tipográfica e biblioteca especializada. Além de crescer em área e coleções, tornou-se uma referência importante da xilogravura brasileira. “A visitação também aumentou e a credibilidade do Museu o levou a receber convites para expor o seu acervo na Europa. Estados Unidos e nas Américas.”
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Ateliê principal apresenta a elaboração da xilogravura – Foto: Divulgação Museu Casa da Xilogravura
Ateliê principal apresenta a elaboração da xilogravura – Foto: Divulgação Museu Casa da Xilogravura

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Edição histórica do Jornal da USP - Foto: Divulgação
Edição histórica do Jornal da USP – Foto: Divulgação

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Orgulhoso, Costella observa que, nessas últimas décadas, o interesse pela xilogravura também é crescente. “Muitos xilógrafos surgiram, mesmo porque a xilo exige poucos recursos e equipamentos. Bastam um canivete e um pedaço de madeira. Essa simplicidade favorece a sua popularização. Não é exagero dizer que o nosso museu contribuiu para estimular essa onda crescente de atividade xilográfica.”

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A edição do Jornal da USP de 2005 está presente na história dos 30 anos – Foto: Divulgação Museu Casa da Xilogravura

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Patrimônio da USP

Por disposição testamentária do fundador Antonio F. Costella, o Museu Casa da Xilogravura, com o seu acervo e imóvel, será integrado à Universidade de São Paulo. “A decisão de deixar esse patrimônio para a USP é a certeza de que o acervo continuará sendo apreciado pelo público, destacando-se como uma referência para os artistas e pesquisadores e contribuindo com a arte brasileira, o ensino e a pesquisa.”

Essa herança à USP tem uma imposição delicada do fundador. O túmulo do cachorro Chiquinho que está no jardim do Museu, companheiro fiel da família, deverá ser preservado. Além de ser fonte de inspiração de várias gravuras do acervo, Chiquinho é o protagonista de uma coleção de livros escrita por Costella. “Tem uma importância muito grande na minha vida. Ele mudou a minha maneira de pensar as coisas e me levou a ter uma visão mais ecológica do mundo, de respeito aos animais e à natureza.”
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Sala apresenta os diversos tipos de madeira – Foto: Divulgação Museu Casa da Xilogravura
Sala apresenta os diversos tipos de madeira – Foto: Divulgação Museu Casa da Xilogravura

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Biblioteca especializada sobre a arte da gravura aberta aos pesquisadores – Foto: Divulgação Museu Casa da Xilogravura
Biblioteca especializada sobre a arte da gravura aberta aos pesquisadores – Foto: Divulgação Museu Casa da Xilogravura

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A USP já firmou um intercâmbio técnico com o Museu por meio de uma comissão de especialistas, nomeada pela Pró-Reitoria de Cultura. Na sala que reúne os documentos sobre a história da Casa da Xilogravura, há uma edição do Jornal da USP, de 14 a 20 de fevereiro de 2005. É a primeira reportagem especial que destaca a importância do acervo e da iniciativa do fundador.

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20170116_museu_xilogravura_exposicaoDestaque: sala da exposição “Navios e Retratos: Viagens Xilográficas” – Foto: Divulgação

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Viagens xilográficas de Luise Weiss

Entre os destaques da programação especial de 30 anos, o Museu Casa da Xilogravura apresenta a mostra a exposição Navios e Retratos: Viagens Xilográficas de Luise Weis. São desenhos inspirados em uma viagem feita pela artista na Áustria em 2001. “Recuperei fotografias antigas da família e procurei registrar os lugares onde meus ancestrais viveram”, explica.

Luise é gravadora, fotógrafa, pintora e professora. Tem graduação, mestrado e doutorado em artes plásticas pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Na sua trajetória, contou com a orientação dos mestres e artistas Evandro Carlos Jarim, Regina Silveira e Carmela Gross.

As gravuras de Luise Weiss que inspiram o trabalho de outros xilógrafos, podem ser apreciadas até o dia 27 de fevereiro. Também no dia 18 de fevereiro às 16 horas, o Museu promove um encontro do público com a artista.
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Convite aos artistas

Para comemorar os 30 anos de fundação, o Museu Casa da Xilogravura tem outro projeto de incentivo às artes. Está contatando todos os artistas que produzem gravuras impressas com matrizes de madeira para que enviem nome, currículo, endereço postal, telefone e e-mail. Através desse contato, será possível traçar um panorama dos xilógrafos que atuam no Brasil.

Os artistas que assim desejar, poderão enviar (além de nome, currículo, endereço e e-mail) também duas xilogravuras de sua autoria e, neste caso, concorrerão a um dos seguintes prêmios:

  • Prêmio Descoberta destinado para um artista ainda não constante do acervo da Casa da Xilogravura;
  • Prêmio Reencontro para um artista já pertencente ao acervo da Casa da Xilogravura;
  • Grande Prêmio Casa da Xilogravura (para um artista de ambas as categorias anteriores, cujo trabalho venha a destacar-se especialmente).
  • Prêmio Mantiqueira (para um artista residente em Campos do Jordão ou no Vale do Paraíba)

Cada um dos artistas premiados receberá a quantia de R$ 1.000,00 (um mil reais), além de Diploma de Premiação. Todos os artistas que enviarem trabalhos, mesmo os não premiados, receberão um diploma de participação e agradecimento.

As gravuras premiadas e uma seleção das outras recebidas participarão de uma exposição comemorativa no Museu Casa da Xilogravura. As xilogravuras recebidas, tanto as premiadas, quanto as não premiadas, não serão devolvidas e passarão a integrar o acervo do Museu Casa da Xilogravura e o nome do artista autor das gravuras será incluído no Catálogo do Museu, a ser publicado no decorrer de 2017.

Só concorrerá aos prêmios e só terá o nome incluído no Catálogo o artista cujas gravuras chegarem à Casa da Xilogravura antes de 30 de junho de 2017. Não haverá recurso contra as decisões da comissão julgadora nomeada pelo Museu. Os currículos e/ou xilogravuras deverão ser enviados por correio, com registro, para: Museu Casa da Xilogravura – Caixa Postal 42 – CEP 12460-000 – Campos do Jordão – SP , Maiores informações pelo fone (12) 3662-1832.

A Casa da Xilogravura está aberta ao público das 9 às 12 e das 14 às 17 horas diariamente, de 5ª. a 2ª. feiras. (Fecha terças e quartas-feiras). Entrada: R$ 8,00 (Idosos, professores e estudantes com carteirinha pagam meia entrada); gratuita para menores de 12 anos e grupos previamente agendados de escolas gratuitas. Endereço: Av. Eduardo Moreira da Cruz, nº 295 – Vila Jaguaribe, Campos do Jordão – SP. Informações pelo fone: (12) 3662 1832.

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Clique nas imagens para ampliar:

Luise Weiss reúne obras que são referência na xilogravura brasileira - Foto: Divulgação
Luise Weiss reúne obra que é referência na xilogravura brasileira – Foto: Divulgação

 

Luise resgata fotos dos ancestrais - Foto: Divulgação
Luise resgata fotos dos ancestrais – Foto: Divulgação

 

Imagem traz a viagem da artista na Áustria em 2001– Foto: Divulgação
Imagem traz a viagem da artista na Áustria em 2001– Foto: Divulgação

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