Exposição traz a arte de Maria Bonomi entre os livros

Quando adolescente, ela era a bibliotecária do colégio onde estudava. Uma lembrança que imprime em 23 gravuras

Por - Editorias: Cultura
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As histórias da revista Livro e das gravuras de Bonomi – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

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São 23 gravuras inéditas que imprimem uma história que Maria Bonomi nunca contou. “Quando eu era adolescente, estudava no colégio feminino das Cônegas de Santo Agostinho, o Des Oiseaux. Certo dia, uma das freiras me chamou para ser bibliotecária. Foi o meu primeiro emprego. Fiquei muito feliz. Passava horas e horas folheando e arrumando os livros. Os mais raros ficavam nas prateleiras de cima. Depois, soube a razão de ter sido escolhida para a função. Foi por ser uma menina alta. Não precisaria ficar subindo e descendo da escada.”

Certo é que foi essa alegria de estar entre os livros, de poder ter acesso a todas as leituras, que Maria Bonomi também imprimiu quando se dispôs a criar as gravuras das bibliotecas de diversos países para ilustrar a edição número 6 da revista Livro, publicação do Núcleo de Estudos do Livro e da Edição (Nele) da USP. As matrizes das 23 gravuras e suas impressões estão expostas na mostra As Bibliotecas de Maria Bonomi, em cartaz na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin.
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Maria Bonomi cuida dos detalhes da montagem da exposição – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

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Com a curadoria de Mayra Laudanna e Bianca Dettino, professoras e pesquisadoras do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP, a exposição reúne também a trajetória da artista imprimindo suas gravuras em diversos livros, como O Sindicato dos Burros, de Fernando Silva, em 1962, e Ou Isto Ou Aquilo, de Cecília Meireles, em 1964. Há também as capas de Qadós, de Hilda Hilst, em 1973, e de Os Búfalos Pastam Entre Flores, de Farida Issa, em 1976, entre outros títulos de áreas diversas, como Radiografia das Multinacionais, de César Prieto, em 1975, e O Manual de Cirurgia, de 1995.

As imagens criadas pela artista e os livros estão em uma vitrina logo na entrada da Biblioteca Mindlin. “Nós procuramos organizar os livros com as respectivas legendas para o visitante se orientar”, explica Bianca Dettino. “Todo esse material é do acervo da artista. Também apresentamos os diversos livros escritos sobre a sua arte, desde o início de sua carreira.”
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Os livros que Maria Bonomi ilustrou desde a década de 1960 – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

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A curadora Mayra Laudanna é uma das pesquisadoras da USP que vêm se dedicando à obra da artista. Escreveu Maria Bonomi, da Gravura à Arte Pública, edição da Imprensa Oficial, e A Dialética de Maria Bonomi, livro lançado no final do ano passado pela Editions Du Griffon, na Suíça, entre outros. “Nesta exposição, destacamos as vitrinas, que ficam no centro do espaço, com as gravuras que ela fez das bibliotecas. O visitante vai poder observar as impressões ao lado das matrizes. Também fizemos uma exposição de todos os números da revista Livro, destacando as páginas internas”, explica Mayra. “Apresentamos os artistas que contribuíram para as outras edições, abrindo três imagens que mais os representassem em quatro vitrinas, evidenciando também a história da revista.”
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Na mostra estão as matrizes e as impressões das gravuras – Foto: Cecília Bastos/ USP Imagens

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Como disseminar o vírus da leitura

A proposta do bibliófilo José Mindlin de contagiar a todos com o vírus da leitura está nas 464 páginas da revista Livro publicada pelo Nele. Tanto os editores responsáveis, Marisa Midori Deaecto e Plinio Martins Filho, como os integrantes da comissão editorial e todos os autores que integram a revista apresentam os efeitos do vírus. Também a artista Maria Bonomi, nas impressões das 23 gravuras feitas especialmente para a edição, foi contaminada pelo próprio amigo Mindlin. Livro é uma revista para leitores apaixonados pelo papel, pelas histórias nas palavras impressas.
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Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro – Foto: Reprodução

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“O experimentar, o vivenciar alguma coisa… eu acho que essa é quase uma missão de você transferir para o outro, de você contaminar o outro com a sua essência.” Com esse depoimento, Maria Bonomi abre a edição. A primeira gravura que apresenta é a da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, considerada pela Unesco uma das sete maiores do mundo. Brio que a artista evidencia ao registrar as curvas do edifício neoclássico.

A página do editorial é dividida com a Biblioteca Joanina, mais conhecida como Biblioteca de Coimbra, do século 18. Maria Bonomi imprimiu o estilo barroco e, ao mesmo tempo, destacou a nave central, com a figura de D. João V ocupando o altar. Nessa imagem entra a criatividade da artista, que fez uma brincadeira com o rei. Ele está ali entre a nobreza dos livros.
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Biblioteca Universidade de Coimbra – Foto: Divulgação

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Os editores Marisa Midori Deaecto e Plinio Martins Filho destacaram as gravuras pontualmente entre as páginas dedicadas às Conversas de Livraria, às Leituras e ao dossiê Edição e Política, que expõe uma seleção inédita de temas e questões, entre outras seções. “Buscando enriquecer o repertório do prazer da leitura e de suas múltiplas formas de contaminação, quer pela política, quer pelo efeito sublimador da literatura, Kenneth David Jackson reúne em Artigo material precioso e inédito da produção jornalística de Pagu, publicada sob o pseudônimo de Mara Lobo”, contam Marisa e Martins na apresentação de Livro.

Uma das gravuras que impressionam é a que sintetiza a arte das linhas de Maria Bonomi e a essência da literatura de Jorge Luís Borges. A artista documenta a Biblioteca de Borges sugerindo uma paisagem de livros que leva ao infinito. Como bem lembram os editores, “é preciso contaminar-se, embriagar-se, como o faz Borges, no poema Soneto do Vinho traduzido por Zepa Ferrer”. Borges escreveu: “Vinho, ensina-me a arte de ver minha história como se esta já fosse cinza na memória”.


A exposição As Bibliotecas de Maria Bonomi está na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin. Fica na rua da Biblioteca s/nº, Cidade Universitária (telefone 11 2648-0310). Entrada grátis. A mostra pode ser vista até o dia 26 de maio, de segunda a sexta-feira, às 18h30.

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Galeria de imagens

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A edição número 6 de Livro reúne 23 gravuras de Maria Bonomi feitas especialmente para a publicação do Núcleo de Estudos do Livro e da Edição da USP. São imagens que documentam as bibliotecas de diversos países do mundo que a artista visitou e pesquisou - Foto: Reprodução
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A edição número 6 de Livro reúne 23 gravuras de Maria Bonomi feitas especialmente para a publicação do Núcleo de Estudos do Livro e da Edição da USP. São imagens que documentam as bibliotecas de diversos países do mundo que a artista visitou e pesquisou - Foto: Reprodução
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A edição número 6 de Livro reúne 23 gravuras de Maria Bonomi feitas especialmente para a publicação do Núcleo de Estudos do Livro e da Edição da USP. São imagens que documentam as bibliotecas de diversos países do mundo que a artista visitou e pesquisou - Foto: Reprodução
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A edição número 6 de Livro reúne 23 gravuras de Maria Bonomi feitas especialmente para a publicação do Núcleo de Estudos do Livro e da Edição da USP. São imagens que documentam as bibliotecas de diversos países do mundo que a artista visitou e pesquisou - Foto: Reprodução
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