Especialistas discutem outros modelos para as bibliotecas públicas

Novas formas de atuação das bibliotecas públicas – diferentes do atual modelo em vigor, que remonta ao século 19 – serão discutidas no dia 24 de outubro, em seminário na Biblioteca Brasiliana

Por - Editorias: Cultura
Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
Especialistas vão discutir novas formas de ação das bibliotecas, além da tradicional guarda e oferta de livros – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

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Os bairros periféricos das grandes cidades brasileiras e os pequenos e médios municípios sofrem com a ausência de polos culturais porque, atualmente, bibliotecas, cinemas e eventos se encontram monopolizados em algumas poucas regiões. No entanto, é possível realizar mudanças nessa estrutura com determinadas ações. Essas ações serão discutidas no seminário Informação, Cultura e Cidade, que será realizado no dia 24 de outubro, a partir das 9 horas, na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin. O evento é uma promoção do
Departamento de  Informação e Cultura (CBD) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP.

Quem for ao evento terá um amplo panorama das novas possibilidades de atuação das bibliotecas públicas no campo das políticas culturais dos municípios e bairros. É o que afirma o professor Luiz Augusto Milanesi, chefe daquele departamento e organizador do evento. Segundo ele, isso passa por pensar um novo modelo de estruturação, que permita que as pessoas se aproximem das bibliotecas não somente em razão dos livros, mas atraídas por um conjunto cultural que ela pode oferecer.

Luiz Augusto Milanesi - Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
Luiz Augusto Milanesi – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

“Hoje as bibliotecas ainda estão presas a um modelo que se pode dizer do século 19, que prevaleceu durante o século 20: o de livros e revistas impressos para serem oferecidos aos interessados. Mas tudo leva a crer que as bibliotecas terão outro modelo”, afirma Milanesi. “Hoje tudo está resumido ao meio digital. A música, o livro, a imagem de um objeto são todos digitais. A tendência é juntar todos esses elementos em um serviço único para ser oferecido à população, evidentemente variando conforme essa população.”

Para Milanesi, a Universidade tem um papel importante em como repensar a biblioteca no Brasil, pois é onde existe o trabalho de pesquisa e há o contato com o que é pensado em outras partes do País e do mundo. Além disso, acrescenta o professor, as pessoas que mais sofrem com a carência cultural, na maioria das vezes, têm tópicos de maior relevância para se engajar, o que torna ainda mais importante essa discussão em âmbito universitário.

“Na ECA, estamos formando um grupo que tem como tarefa desenhar esse novo modelo de biblioteca. Queremos dar um corpo para essa ideia. Se não for pela via universitária, não haverá iniciativas para repensar esse modelo. O papel da Universidade é o de criar recursos humanos competentes para essas inovações. Precisamos criar hoje para atender às demandas futuras”, afirma Milanesi.

Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
Bibliotecas podem ter novos formatos, segundo especialistas – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Segundo o professor, o projeto certamente encontrará resistência, assim como qualquer tentativa de renovar um modelo tradicional, principalmente em cidades do interior. Mas o seminário surge justamente no sentido de discutir como serão esses desafios para superá-los.

Está confirmada a presença da jornalista Mônica Waldvogel. Além disso, historiadores, semiólogos, cineastas e nomes ligados a outros campos do conhecimento também estarão presentes, a fim de que o assunto seja discutido sob muitas visões, finaliza Milanesi.

O seminário Informação, Cultura e Cidade será realizado no dia 24 de outubro, das 9h às 18h, na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (Rua da Biblioteca, s/nº, Cidade Universitária, São Paulo). Entrada grátis. Inscrições devem ser feitas até o dia 23 via internet. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 3091-1500 e pelo e-mail cbd@usp.br (com Cida ou Ronaldo).

 

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