Eliana Sousa Silva é a nova titular da Cátedra Olavo Setúbal

Educadora e ativista social toma posse no dia 27 de março, terça-feira, às 9h30, na Cidade Universitária

Por - Editorias: Cultura
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Eliana é diretora das Redes da Maré, organização não governamental que atua num dos maiores conjuntos de favelas do Rio de Janeiro – Foto: Maria Leonor de Calasans / IEA

A Cátedra Olavo Setúbal de Arte, Cultura e Ciência da USP tem à frente a ativista social e educadora Eliana Sousa Silva. A nova titular toma posse no próximo dia 27 de março, terça-feira, às 9h30, na Sala do Conselho Universitário da USP, substituindo o arquiteto Ricardo Ohtake. Pela primeira vez, uma mulher é escolhida para a vaga. A cátedra está ligada ao Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP e conta com a parceria do Itaú Cultural. Tem como missão trazer para a Universidade o debate e a reflexão sobre a cultura e a educação, atuando como agente de mediação e transformação social.

Com uma trajetória em prol da educação, a nova catedrática está ciente dos desafios. Além de pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ela é fundadora e diretora das Redes da Maré, uma organização não governamental criada em 2007 no Complexo da Maré, um dos maiores conjuntos de favelas do Rio de Janeiro, com mais de 140 mil habitantes.

Para Eliana, a nova função traz um importante desafio. “A cátedra é um espaço que foi pensado justamente para criar uma interlocução com a sociedade, para trazer discussões, temas que, muitas vezes, são refletidos e discutidos numa perspectiva fechada dentro da universidade”, disse a educadora ao Jornal da USP.

A educadora lembra os problemas que o Rio de Janeiro enfrenta na segurança pública, com a crescente onda de violência que resultou no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Pedro Gomes. “A Marielle tem toda a sua origem no mesmo espaço onde cresci e desenvolvi o meu trabalho, toda a minha inserção. Esse é mais um elemento que me faz querer estar em um espaço que pode fazer muita diferença na incidência, nas reflexões e no engajamento das lutas que a sociedade brasileira vem empreendendo. Quero contribuir para superar estereótipos e representações negativas sobre a periferia no Brasil.”

“Ter Eliana Sousa Silva ocupando a vaga de titular no momento em que todos se revoltam com o assassinato da vereadora Marielle Franco, que nasceu no Complexo da Maré, é muito importante”, observa o professor Martin Grossmann, coordenador acadêmico da Cátedra Olavo Setubal. “Como a sua amiga, ela tem uma história de luta pela educação e pelos direitos humanos. Com a presença de Eliana, a cátedra se volta para um universo da cultura diferente daquele privilegiado na Universidade, considerando a abrangência e a multiculturalidade.”

Grossmann explica que, em seus dois primeiros anos de atividades,a Cátedra Olavo Setúbal abordou as artes e a cultura de formas distintas. “Com o embaixador Sérgio Paulo Rouanet, primeiro titular, tratou de questões filosóficas sobre a cultura a partir da matriz iluminista. Depois, com Ricardo Ohtake, abordou o funcionamento do sistema cultural, do debate sobre a gestão pública e privada da cultura e correspondentes políticas culturais a partir do final dos anos 40.”

A cultura, segundo o professor, vive um dilema entre ser democrática e se democratizar. “Os paradoxos estão aí para serem enfrentados”, pondera. “Não se trata apenas de discutir áreas específicas como a produção cultural erudita, profissional ou as manifestações culturas de comunidades. O desafio é explorar encontros, contradições e conflitos.”

A posse de Eliana Sousa Silva na Cátedra Olavo Setúbal de Arte, Cultura e Ciência da USP será no dia 27 de março, às 9h30, na Sala do Conselho Universitário da USP (Rua da Reitoria, 374, Cidade Universitária, em São Paulo).

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