Edifícios da USP são tombados como patrimônio histórico

Lista inclui prédios de História e Geografia e da Escola Politécnica e áreas do Centro de Práticas Esportivas

Por - Editorias: Cultura
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Prédio dos Departamentos de História e Geografia, projetado por Eduardo Corona, arquiteto também responsável pelo Planetário do Parque Ibirapuera – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

Em reunião de 19 de março, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) aprovou o tombamento de prédios da USP localizados na Cidade Universitária. Integram o conjunto o edifício de História e Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), os prédios de Engenharia Mecânica e Naval, Engenharia de Minas e de Petróleo e Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Escola Politécnica, as piscinas e o estádio de futebol do Centro de Práticas Esportivas da USP (Cepeusp).

Os prédios da USP fazem parte de uma lista definida pela Câmara Municipal em 2016, a partir do Plano Diretor Estratégico de 2002. Foram escolhidos por serem representativos da arquitetura moderna em São Paulo, tendo integrado o plano de ação do governo Carvalho Pinto (1959-1963). Seus projetos foram assinados por Eduardo Corona, Ícaro de Castro Mello e Oswaldo Bratke.

Com a resolução, qualquer obra realizada nos edifícios precisa ser analisada previamente pela Divisão de Preservação e aprovada pelo Conpresp. A ação busca preservar bens culturais de valor histórico, cultural, arquitetônico e ambiental, impedindo sua destruição ou mutilação. Isso não impede que as edificações passem por adaptações, mas toda alteração deve ser orientada no sentido do restauro, considerando o que já existe construído. Qualquer cidadão ou entidade jurídica, assim como o próprio Departamento do Patrimônio Histórico (DHP), pode solicitar o tombamento, que é avaliado pelo conselho.

O Centro de Práticas Esportivas da USP teve projeto de Ícaro de Castro Mello, que assina também o Ginásio do Ibirapuera – Foto: Jorge Maruta / USP Imagens

“O tombamento tem a relevância de expor esse conjunto de edifícios ao público, na medida em que seu destino passa a ser de toda a sociedade paulistana”, comenta o especialista em laboratório do Centro de Preservação Cultural (CPC) da USP Gabriel Fernandes. “Eles passam a ser objeto de discussão pública e a Universidade, na medida em que é guardiã desse conjunto de bens culturais, se coloca na responsabilidade de apresentar o que vai ser feito com eles e zelar pela sua preservação.”

Segundo a ex-diretora do CPC e professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP Mônica Junqueira, as edificações tombadas revelam o significado da arquitetura no início dos anos 1960 e as preocupações dos arquitetos. “Essas obras apresentam soluções construtivas inovadoras para a época, tendo a solução estrutural como definidora do partido arquitetônico e determinante da composição plástica.”

Edifício de Engenharia Mecânica e Naval, construído em 1963, com projeto de Ariaki Kato e Ernest Mange – Foto: Guilherme Andrade

De acordo com a ata da reunião do Conpresp, o prédio de História e Geografia, projetado pelo arquiteto Eduardo Corona e premiado em 1967 pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), traz “concepções distintas das comumente encontradas em universidades”. O texto ressalta a “fluidez de seus espaços e sua permeabilidade capaz de conectar suas duas extremidades tratadas igualmente como acesso ao seu interior”.

Mônica destaca essa inovação não só no prédio de humanidades, mas também nas edificações de engenharia. “Há valorização dos espaços coletivos como integradores das áreas do conhecimento e a disposição do programa de modo a promover melhor interação das disciplinas, introduzindo um novo conceito espacial de escola.”

O conselho reconheceu intervenções e modernizações no Cepeusp, mas ressaltou que sua estrutura original não foi descaracterizada. “Foi possível identificar a coesão entre as construções de autoria de Ícaro de Castro Mello, mesmo com tipologias e tempos distintos”, afirma o texto. Para a professora da FAU, o centro esportivo representa “um programa importante no âmbito da constituição de uma vida universitária, cujo conjunto é exemplar da arquitetura esportiva.”

Construídos na década de 1960, os prédios de Engenharia de Minas e de Petróleo e Engenharia Metalúrgica e de Materiais foram projetados por Oswald Arthur Bratke – Foto: Guilherme Andrade

Os prédios escolhidos para preservação expandem para 20 o número de edificações tombadas da USP. Estão nessa lista as construções da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Cidade Universitária e da Rua Maranhão, o edifício principal, o Instituto Oscar Freire e a Associação Atlética da Faculdade de Medicina (FM), o Centro Universitário Maria Antonia (Ceuma), o Museu Paulista, o Museu Republicano de Itu, o Museu de Zoologia, a Faculdade de Direito (FD), o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), a Casa de Dona Yayá, a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) em Piracicaba, o campus de Ribeirão Preto e as ruínas do Engenho de São Jorge dos Erasmos, em Santos (SP).

Também estavam na seleção da câmara municipal mas não tiveram tombamento aprovado pelo Conpresp a raia olímpica e a Escola de Educação Física e Esporte (EEFE). A lista original também previa a preservação total do Cepeusp, o que não foi deferido.

Juntamente com as construções da USP, cerca de 70 imóveis foram tombados pelo Conpresp na reunião do dia 19 de março. Dentre eles está o complexo do Carandiru, com parte da antiga penitenciária masculina que foi demolida em 2002 e hoje é o Parque da Juventude.

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