Cinusp exibe a “nouvelle vague” japonesa

Filmes da geração de cineastas do pós-guerra que revolucionou o cinema no Japão serão apresentados na USP a partir de segunda-feira, dia 13

Por - Editorias: Cultura
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Cena do filme A Ilha Nua, de 1969, que estará na mostra “Nuberu Bagu”, do Cinusp

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O Cinema da USP (Cinusp) apresenta a partir de segunda-feira, dia 13 de junho, uma seleção de 15 filmes japoneses, produzidos entre 1959 e 1971, na mostra “Nuberu Bagu”, que se estende até o dia 3 de julho. As exibições ocorrem no Cinusp, na Cidade Universitária, e no Centro Universitário Maria Antonia (Ceuma) da USP, na Vila Buarque, no centro de São Paulo.
Organizada por Renato Trevizano, Mauricio Batistucci e Pedro Nishiyama, a mostra é uma oportunidade rara para o público ter acesso a essas obras. “São filmes de difícil acesso, não foram lançados no Brasil, e não é fácil encontrar cópias. Através de pesquisas pela internet, conseguimos arquivos em DVD e alguns em blu-ray para a exibição”, afirma Trevizano, produtor e programador do Cinusp.

20160609_cinema_japones04O nome nuberu bagu se refere à pronúncia em japonês da expressão francesa nouvelle vague (nova onda), que designa obras cinematográficas revolucionárias realizadas na França nos anos 1960, por diretores como François Truffaut e Jean-Luc Godard. Trevizano explica que, na efervescência política do período pós-Segunda Guerra Mundial, diversos países, não só na Europa, mas também o Brasil e o Japão, viveram mudanças em muitos aspectos, entre eles o cinema.

No Japão, em particular, segundo Trevizano, o final dos anos 50 foi um momento de muita agitação política, com a ocupação do país pelos Estados Unidos. “Nesse cenário, surgiram cineastas que começaram a fazer filmes com uma fórmula bastante transgressora, com narrativas fragmentadas e muitos cortes, o que não havia antes no cinema japonês.”

Era o nascimento da “nova onda” do cinema nipônico, a nuberu bagu, representada por nomes como Seijun Suzuki, Shuji Terayama, Toshio Matsumoto, Nagisa Oshima, Shohei Imamura e Yoshishige Yoshida. “Um gesto importante dessa geração foi a saída dos estúdios para filmar nas ruas das cidades, em locação, o que os aproxima do neorrealismo italiano dos anos 40”, analisa Trevizano.

A mudança no cinema japonês, no entanto, teve diferenças significativas em relação aos demais diretores independentes da época, no resto do mundo. “Ao contrário do que ocorreu na França e na Inglaterra, por exemplo, onde o movimento já começou independente, a nouvelle vague japonesa surge dentro do sistema das produtoras, incentivado por elas, que queriam uma renovação na forma dos filmes, admitindo novos diretores”, conta Trevizano. Alguns desses novos diretores, como Oshima, Imamura e Yoshida, eram assistentes das produtoras durante a chamada “era de ouro” do cinema nipônico, que ocorreu na década de 1950 – a geração de Akira Kurosawa –, e agora tinham a chance de produzir seus próprios filmes.

A partir daí, além das mudanças na forma, houve uma revolução também no conteúdo, com críticas sociais e ao antigo cinema do país. “Entram em cena o choque cultural provocado pela ocupação norte-americana no Japão, a desigualdade social intensificada no período, os novos hábitos de consumo, a questão política pelo foco da juventude, com o movimento estudantil, e a representação da mulher. Tudo isso é retratado de maneira bem forte nesses filmes”, diz Trevizano.

O papel da mulher é, de acordo com o produtor do Cinusp, um dos principais alvos da crítica da nuberu bagu ao cinema do país, no qual ela era sempre retratada de maneira muito pura. Esse e outros temas tradicionais, como a yakuza (a máfia japonesa), passam a ser subvertidos na estética e na narrativa. “Há sempre uma retomada do passado, porém com mudanças na duração dos planos, na continuidade narrativa. A nuberu bagu busca subverter e criticar os padrões até então estabelecidos.”
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A programação completa da mostra “Nuberu Bagu”, que será realizada de 13 de junho a 3 de julho, no Cinema da USP (Cinusp) e no Centro Universitário Maria Antonia (Ceuma) da USP, está disponível aqui. Entrada grátis. O Cinema da USP (Cinusp) fica na rua do Anfiteatro, 181, Colmeia, favo 4, na Cidade Universitária, em São Paulo. O Centro Universitário Maria Antonia (Ceuma) da USP fica na rua Maria Antonia, 294, Vila Buarque, Centro, em São Paulo. Mais informações podem ser obtidas na página eletrônica do Cinusp (www.usp.br/cinusp).

 

 

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