Boris Kossoy lança livro sobre Hercule Florence em Nova York

Boris Kossoy tem uma trajetória de mais de 40 anos de ensino e pesquisa  – Foto: Sabrina Meira

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São as histórias impressas em cada fotografia que Boris Kossoy, professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, vem acumulando há mais de cinco décadas como historiador, arquiteto, fotógrafo e escritor. Uma inquietude que marca a sua trajetória como um dos maiores especialistas no estudo da fotografia do Brasil e do exterior.

Nos últimos anos, seus livros, traduzidos para o espanhol, alemão, francês e inglês, foram lançados em vários países da América Latina, Estados Unidos e Europa. O clássico Hercule Florence, a Descoberta Isolada da Fotografia no Brasil, já na terceira edição pela Editora da USP (Edusp), foi publicado recentemente em três cidades: Viena, na Áustria, Madri, na Espanha, e, neste mês, em Nova York, com o título The Pioneering Photographic Work of Hercule Florence, pela editora Taylor & Francis/Routledge.

Surpresa na Estrada: arredores de São Paulo, 1970 – Foto: Boris Kossoy

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Memórias do Senhor Américo, 1972 – Foto: Boris Kossoy

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O passeio no Jardim da Luz, São Paulo, 1970 – Foto: Boris Kossoy

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Em uma manhã de sol do início deste ano de 2018, Boris Kossoy recebeu a equipe do Jornal da USP e da TV USP em sua casa/estúdio, no Brooklin, em São Paulo. Uma construção que o arquiteto projetou privilegiando a luz. O quintal ladeado por jardins leva até o ateliê e duas bibliotecas, a dele e a da esposa, professora Maria Luiza Tucci Carneiro, do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

Boris criou ambientes que acolhem os personagens de suas fotos, como os diversos manequins e imagens do realismo fantástico. Um dos espaços tem um teto móvel para controlar a luz natural. Spots, câmeras, tripés, espelhos, uma cadeira antiga com braço e espaldar de madeira… Tudo pronto na expectativa de um personagem para ser fotografado. Há  fotos de infinitas histórias. As que estão expostas em uma sala de estar lembram Viagem pelo Fantástico, seu primeiro livro, lançado em 1971 pela Editora Kosmos, com apresentação de Pietro Maria Bardi.

“As imagens sempre me encantaram, em especial, a fotográfica”, conta. “De início, ainda muito jovem, fiquei fascinado pelo desenho. Depois a fotografia, a arquitetura e, mais tarde, a iconografia histórica nas suas múltiplas temáticas.”

“A fotografia, para mim, é uma forma de perceber, compreender e indagar sobre o mundo real e o mundo dos sonhos.”

Viena, 2012 – Foto: Boris Kossoy

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Madri, 2012 – Foto: Boris Kossoy

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O exercício cotidiano de pensar as imagens no plano e no espaço foi abrindo um novo horizonte. “A fotografia, para mim, é uma forma de perceber, compreender e indagar sobre o mundo real e o mundo dos sonhos. É forma de expressão, instrumento de trabalho e criação artística”, afirma Kossoy. Autodidata como os fotógrafos de sua geração, começou na profissão em 1965, fundando o estúdio Ampliart e trabalhando para jornais, revistas e agências de publicidade.

No decorrer de cinco décadas, as fotos de Boris Kossoy passaram a ser uma referência pela técnica aliada à criatividade narrativa. Integram as coleções permanentes do Museum of Modern Art, Metropolitan Museum of Art, George Eastman House, Smithsonian Institute, nos Estados Unidos, da Bibliothèque Nationale de France e do Centro de la Imagen, no México. No Brasil, estão nos acervos do Museu de Arte de São Paulo, Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo e Pinacoteca do Estado, entre outras instituições.

“As imagens do mundo e o mundo das imagens me encantam igualmente. Em torno desse eixo desenrolou-se a minha carreira acadêmica.”

Roma, 2017 – Foto: Boris Kossoy

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Cracóvia, 2016 – Foto: Boris Kossoy

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Há 40 anos, o fotógrafo levou a sua arte e pensamento para as salas de aula. “A teoria e a história fazem parte da minha formação e constante aprendizado”, explica o professor. “São áreas sobre as quais pesquiso e escrevo continuamente, tendo a fotografia como objeto dessa investigação e reflexão. As imagens do mundo e o mundo das imagens me encantam igualmente. Em torno desse eixo desenrolou-se a minha carreira acadêmica.”

O professor fica orgulhoso ao lembrar dos seus alunos. “Eu me sinto feliz e satisfeito por contribuir, há mais de 40 anos, na formação de alunos de graduação e pós-graduação, transmitindo meu conhecimento e visão de mundo, provocando, instigando os jovens a perceber a realidade no que ela tem de aparente e de oculto.”

O desafio do professor é fazer com que os alunos percebam as histórias particulares dos objetos e temas registrados, que se escondem por trás das imagens. “Eles observam, enfim, as realidades e ficções que permeiam as representações veiculadas pela publicidade, pela propaganda política, pela imprensa e pelas mídias sociais.”

Quando os estudantes perguntam o que é uma boa foto, Kossoy explica: “Uma foto é o resultado de quantos livros você leu, de quantos filmes você assistiu, de quantas mulheres você amou e sua experiência enquanto pessoa do mundo que o cerca”. Com essa frase, a TV USP inicia o depoimento de Boris Kossoy sobre o desafio de ser fotógrafo, pesquisador, teórico e professor na USP. Um depoimento sensível em um instante de plenitude. Assista ao vídeo acessando o link abaixo.

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Este post foi modificado as March 9, 2018, 5:52 pm