Anita Malfatti é destaque na Revista do IEB

Desenhos da pintora ilustram a nova edição da Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, já disponível online

Por - Editorias: Cultura
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Composição com nu sentado e dois esboços de múmia - Coleção/IEB
Composição com nu sentado e dois esboços de múmia – Coleção/IEB

Quando o leitor acessar a nova edição da Revista do Instituto de Estudos Brasileiros (RIEB) da USP, número 63, já disponível no site, irá se deparar com os desenhos de Anita Malfatti (1889-1964). Com certeza, vai se surpreender quando a tela do computador refletir os traços delicados, muitas vezes invisíveis, da pintora sobre o fundo amarelo. Se olhar a revista ao modo japonês, de trás para frente, encontrará o artigo de Roberta Paredes Valin, pesquisadora e mestre pelo IEB, com a análise e reflexão do diário de criação de Anita e o seu jeito singular de registrar o mundo, a vida e os sonhos.
“A trajetória artística de Anita Malfatti foi desenhada a partir de dicotomias que fizeram dela uma das mais complexas e interessantes da história da arte brasileira”, observa Roberta.

Entre questões práticas e espirituais, vivendo momentos de conflito e de superação, com dificuldades financeiras e inquietudes sobre sua arte, transitando entre a vanguarda e a tradição tensionada entre o nacional e o universal, Anita sofreu duros questionamentos no ambiente artístico paulista da primeira metade do século 20.

Roberta esclarece que a documentação reunida por Anita em seu acervo pessoal ao longo do tempo está, em sua maioria, no IEB. “Os cadernos de desenho da artista merecem especial atenção porque revelam um movimento assíncrono de elaboração e reelaboração de um pensamento em processo, às voltas com a criação, permitindo-nos uma aproximação do seu projeto estético”, explica. “São também documentos que legitimam historicamente sua trajetória artística, na medida em que os desenhos e as breves anotações ali contidas formam uma espécie de memória fragmentada que concede peças importantes para a reconstituição do seu itinerário de criação.”

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Cabeça de perfil e Contas com bico de pena - Coleção/IEB
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Esboço: boi e estudo para Ressurreição de Lázaro - Coleção/IEB
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Esboço: boi e estudo para Ressurreição de Lázaro - Coleção/IEB
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Estudos de composição para Ressurreição de Lázaro - Coleção/IEB
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Esboço: figuras com manto e silhuetas - Coleção/IEB
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Estudo: Lázaro e Cristo, e cabeça de animal - Coleção/IEB
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No diário, o leitor vai acompanhar o movimento do lápis, nankim ou aquarela sobre o papel. São traços sutis, com nus de costas e de frente em posições várias: nu agachado, inclinado, sentado em apoio alto coberto. Algumas mulheres cobrem o rosto. E há também estudos para obras como La Rentrée (1923/25). “A definição de ‘cadernos diários’ de criação ganha ainda mais sustentação quando observamos um conjunto de oito esboços feitos para uma única tela, espalhados por alguns cadernos. Trata-se dos desenhos preparatórios para a tela Ressurreição de Lázaro”.
Esses diários de criação, segundo a pesquisadora Roberta, apresentam muitas camadas para análise, suscitando releituras do Modernismo brasileiro.

Universo da cultura

Além dos desenhos de Anita Malfatti, a nova edição da Revista do Instituto de Estudos Brasileiros reúne ensaios que compõem o universo da cultura brasileira.

A América Meridional no mapa-múndi. Pierre Descelliers, 1546 - Original na Mapoteca do Itamaraty, RJ
A América Meridional no mapa-múndi. Pierre Descelliers, 1546 – Original na Mapoteca do Itamaraty, RJ

A edição é aberta com um artigo do professor Luca Bacchini, da Universidade de Bolonha, que explora a ligação entre Budapeste, de Chico Buarque de Holanda, e Se um viajante numa noite de inverno, de Ítalo Calvino. O texto reflete sobre a ideia de plágio como algo inserido na imprevisibilidade e na potência da intertextualidade em literatura. O leitor se depara, em seguida, com “O sertão e a geografia”, texto do diplomata e historiador André Heráclito do Rego. O artigo versa sobre a geografia imaginária dos sertões no Brasil e na África no século 18.
Os leitores podem observar artigos que focalizam questões importantes da identidade e cultura negra no Brasil e na África: “Identidade negra entre exclusão de liberdade”, assinado pela professora Maria Cecília Cortes de Souza e pela doutoranda Viviane Fernandes, ambas da Faculdade de Educação da USP. Também o texto do professor Rogério de Almeida e o mestre Júlio César Nogueira Boaro, também da Faculdade de Educação da USP, apresenta uma reflexão sobre a relação entre arte, mito e ancestralidade entre um dos povos mais tradicionais da costa oeste africana, os Fons do Benin.

Na apresentação, os editores Jaime Tadeu Oliva, Marcos Antonio de Moraes e Stelio Marras esclarecem: “Além de disponível no Portal de Revistas da USP – biblioteca digital das revistas publicadas por unidades de ensino e pesquisa, programas de pós-graduação e núcleos de pesquisas de docentes e alunos da Universidade de São Paulo –, a Revista do Instituto de Estudos Brasileiros vincula-se à SciELO (Scientific Electronic Library Online) desde 2007, período no qual foram publicadas nove edições. Além dessas duas plataformas digitais, a RIEB dispõe de outro importante sistema científico de informação, a Red de Revistas Científicas de América Latina y El Caribe, Espanã y Portugal.

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Segundo argumentam os editores, vincular a revista a esses sistemas científicos é aderir a uma necessidade inescapável. “O que eles proporcionam em termos de multiplicação quantitativa de novos leitores não pode ser desprezado. Deve-se, de fato, admitir que esses sistemas introduzem um novo paradigma, difícil de ser imaginado antes, na circulação da informação científica. Jamais a informação científica circulou tanto e de forma tão democrática como atualmente.”



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