Anita Colli cria elos entre arte e ciência

Esculturas da artista e professora da Faculdade de Medicina da USP estão na Biblioteca do Instituto de Química

Por - Editorias: Cultura
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Ciranda 7, 2011: plásticos e metal – Foto: Waldo Bravo

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São esculturas, objetos tridimensionais que levam os frequentadores da Biblioteca do Instituto de Química da USP a repensar caminhos inusitados entre ciência e arte. A artista e professora da Faculdade de Medicina da USP Anita Colli apresenta a mostra Interfaces, em que reúne um trabalho que vem desenvolvendo desde 2011.

Trilha 5, 2011: plásticos e metal – Foto: Walter Bravo

Hábil e criativa, a artista monta peças com materiais descartáveis dos laboratórios de biologia, química e farmácia. Uma reciclagem que transforma pipetas, tubos de ensaio e outros objetos de plástico e metal em obras lúdicas, que remetem às lembranças não só dos cientistas e pesquisadores, mas também do público em geral. “A série Ciranda é um trabalho com plástico e metal. Todos podem manusear essas peças e dar a elas a forma que quiserem”, explica Anita. “Imaginei aqueles tubos como se fossem pessoas brincando de roda. Mas é um trabalho que está aberto à interpretação de todos. Acho importante o espectador dar asas à sua imaginação.”

A médica Anita jamais pensou em “fazer arte”. Mas, aos 58 anos, resolveu buscar uma atividade manual. “Eu comecei, em 1996, fazendo exercícios de pintura em telas, gravuras, texturas, em alguns cursos básicos. Mas percebi que eu queria buscar algo diferente”, conta a artista. “Passei a fazer peças tridimensionais com material reciclado do cotidiano doméstico.”

Anita passou a utilizar materiais descartados dos laboratórios. Peças que ela bem conhecia na sua formação biológica, mas que passaram a fazer parte de outro universo onde a arte e a ciência se encontram.

“Gosto de ficar observando a reação do público, de ver a sua surpresa”

Na mostra Interfaces, o caminho de Anita de duas décadas fica evidente. “As peças tridimensionais convidam à reflexão. Gosto de ficar observando a reação do público, de ver a sua surpresa. Muitas vezes, as pessoas atribuem significados que eu jamais imaginei e me sinto feliz.”

A artista mistura os materiais e consegue cor, textura e movimento. “Utilizo pedaços de tecidos de roupas antigas com plásticos, vidros”, conta. O resultado surpreende na composição de objetos com tramas e formas inusitadas. “Procuro mostrar que a arte é múltipla.”

Com humor e consciência, Anita Colli também faz, no movimento de seus objetos lúdicos, uma crítica sutil à realidade. Um exemplo é a escultura Crise, de 2016, que sugere, através de um emaranhado de tecidos, plásticos e metais, o momento político, social e econômico que o País atravessa.

Crise, 2016: plásticos, tecidos e metais – Foto: Cezar Guizzo

A exposição Interfaces inaugura um novo espaço para a criatividade e ciência na USP. A bibliotecária Daniela Pires, do Instituto de Química, destaca que serão inauguradas outras exposições com o mesmo propósito de evidenciar a arte e a ciência. “Alunos, professores e funcionários vão poder expor fotos, objetos, esculturas e pesquisas.” Daniela acredita que os projetos que serão expostos irão movimentar a ciência e a arte na Universidade. Uma conversa multidisciplinar com novas perspectivas.

A exposição Interfaces, de Anita Colli, fica em cartaz até 15 de dezembro, de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h, na Biblioteca do Instituto de Química da USP (Avenida Professor Lineu Prestes, 950, Cidade Universitária, em São Paulo). Entrada grátis.

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